Sua arma para ferir o coração era a palavra. Trouxe consigo esta violência desde menino quando adoeceu de mundo por lhe faltar amor. Sobreviveu apesar disso. As cicatrizes silenciosas a moldar o seu destino inscreviam toda e cada vez na própria carne os traços da sua glória e suas tragédias. A palavra era o punhal que usava sobre o seu próprio reflexo a curar-se pela renúncia da ferida. Para depois do travessão, a mentira. Para além do ponto final, suas verdades.
domingo, 4 de junho de 2017
sábado, 27 de maio de 2017
A vigésima segunda visita da generosidade...
O nome nos veio como uma revelação. A ser desesplicada pelas lógicas e anteriores teorias. O nome nasceu na beira do sonho de minha amada, que a mim despertou com ele vivo dentro da boca. O nome nela pousou como pássaro numa janela aberta. Como solo sagrado para se deitar palavras. E as palavras como nítida presença de uma generosidade que caminha ao lado de cada um de nós, independendo dos calendários ou tristezas.
Um livro para reacender esperanças antigas.
Uma releitura generosa dos óbvios.
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Belíssima fotografia da querida Jaci Bathista.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
The end...
Não deu crédito ao autor.
Não dava jamais crédito ao autor.
Dava crédito apenas à sua própria mediocridade.
E Satanás, atento que só, a acompanhando por aqui, deu-lhe caganeira e urticária.
Pedagogia do terror, sabe?
Mas a mediocridade era tamanha que ela não ligou o lé com o cré.
Satanás, então, a cegou.
The end.
Não dava jamais crédito ao autor.
Dava crédito apenas à sua própria mediocridade.
E Satanás, atento que só, a acompanhando por aqui, deu-lhe caganeira e urticária.
Pedagogia do terror, sabe?
Mas a mediocridade era tamanha que ela não ligou o lé com o cré.
Satanás, então, a cegou.
The end.
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Aqui...
Aqui, escondemos as tristezas sob o verniz da permanente e invejável felicidade com a qual nos enfeitamos. Aqui, para além dos invejosos e acima do bem e do mal publicamos fotografia com uma frase motivacional. Aqui, temos remédios para todos os males. Os alheios, é claro. Receitas para a criminalidade, para a depressão, para a situação econômica e geopolítica. Um oceano de boa-fé e opiniões sobre tudo aquilo em que nos afogamos. Aqui, somos interessantes e inteligentes além da conta e da medida. Somos os astros do que gostaríamos de acreditar, presos neste carrossel que nos distrai e inteiro nos consome. Aqui, confundimos nossos personagens sem limites com nossas vidas tão comuns. E no vão entre os dois habitam nossas mentiras e inexistências. Neste museu de grandes novidades nos apegamos às palavras como dignas de vida ou morte. Enquanto on-line nos fragmentamos, a vida segue inteira e lá fora.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
A fotografia...
A fotografia. O único porta retrato da casa. Um registro apenas de si mesmo. Sorrindo numa festa dezoito anos antes. De quando era mais magro e seus pai ainda eram vivos, de quando viajava com os amigos e voltava tarde pra casa, de quando comia mal mas vivia bem, de quando dormia mal e acordava bem, de quando ainda não havia sido demitido, de quando ainda acreditava no amor, de quando se sentia mais leve, mais livre, mais outro, menos outro, mais ele mesmo.
Sentiu inveja de si, raiva de si e culpa de si por não ter sabido nunca se usar melhor. Ele foi feliz e não sabia, nunca soube. Soube apenas agora.
Jogou o porta retrato fora.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
As coisas divinas...
As ausências e prolongados vazios dão-nos demasiado tempo para nos preocuparmos com coisa nenhuma ou, formularmos discursos e defesas sobre qualquer coisa. Ocultos por entre as falas e os triviais comentários e as cotidianas reclamações, queremos as coisas divinas, que as espezinhamos pela nossa falta de generosidade. Desenvolvemos medos feitos de tristezas que a eles recorremos, diariamente. Derramamos as saudades dos tempos aos móveis de casa, convivemos com silêncios feitos das memórias tristes, ressignificamos o mundo pelos olhos amargos cultivados. Aí, como que por descuido ou distração, dá-me tu ao amor que mais futuro entrega-me do que qualquer esperança ou previsão, salvando-me de tão grande morte por preservar os sonhos que lhe dedico e celebrar o tempo futuro nos teus abraços, alongando-me a vida sem um passo a mais. Toco o teu nome em minha boca para falar das certezas e beijar-te nas distâncias. Diante dos teus olhos, fecho os meus. Brilham as estrelas em paz agora.
(Texto do meu livro "Teoria Geral do Desassossego", publicado pela Ed. Penalux)
(Texto do meu livro "Teoria Geral do Desassossego", publicado pela Ed. Penalux)
sábado, 6 de maio de 2017
Porão...
Semeamos o erro e queremos a flor mais bonita. Carregamos os cacos e reclamamos doerem as mãos. Enfeitamos a alma com medos e não entendemos doença. Ao amor fecho os olhos mas cego é o coração. Somos donos de casa vistosa numa rua sem saída. Somos parte de um encontro que já aguarda a despedida. Versamos na boca a liberdade mas vivemos mesmo é no porão: um sufoco com porta que à parede leva e uma esperança com escada que ao teto chega. E quando soube o homem ser o seu porão apenas sonho ruim, gaiola virou ninho, corrente virou caminho, farpas e pedras, o seu jardim. Que por lá moravam três ventos, quatro lágrimas, duas promessas e um só pé-de-sol, que ao florescer de luz inundou riacho e arrastou para longe as tristezas, abrindo com força a janela da casa e o próprio peito, espantando as sombras que por lá dormiam presas.
(Releitura de um texto antigo meu de 2011)
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Sobre a espera...
São 182 envelopes.
São 182 envelopes com o nome e endereço de cada um.
Os livros estão ganhando vida na gráfica e virão de uma só vez; única tiragem; filhos únicos.
Aqui, eu e Anna esperamos a chegada para deixá-los prontos para postagem. Com a dedicatória merecida.
A previsão é que tanto cheguem quanto partam na semana mesma do dia 15/05. Ou antes.
Eu sei, eu sei. Eu estou tão ansioso quanto vocês. E impaciente.
Peço que aguardem um pouco mais. Um pouco mais, apenas.
Volto a dizer que a espera valerá a pena.
E a ansiedade será superada pela boa literatura. É o que reza a lenda.
E a ansiedade será superada pela boa literatura. É o que reza a lenda.
Uma vez mais agradeço a cada um que garantiu o seu e colaborou para o nascimento da obra nova. Por isso a pré venda, que se tornou a única venda.
Aos que guardam alguma dúvida, podem me chamar no e-mail: guglicardoso@gmail.com.
Estou à disposição.
Estou à disposição.
Guilherme Antunes.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
O sonho de Anna...
Criou-se
o sonho para haver manhãs. E ela despertou-me cheia de estranhezas. A
palavra é por si só uma bruxaria. O nome pertencia a ela como um fruto. A
partilhar comigo e para além de mim. O nome a ensinar-me o essencial
sobre os pássaros. Criou-se o sonho para haver claridade.
E ela despertou-me cheia de notícias. A palavra é por si só uma
verdade. O nome pertencia a ela como uma semente. A partilhar comigo por
amor. O nome a ensinar-me o essencial sobre a generosidade. Anna deu
vida ao nome, ao livro, aos pássaros, ao amor. Através de suas noites
para haver dia; para haver páginas; para haver verdade; para haver
destino. E algum amor. A salvar-nos todos. Como proponho. Como convido.
Conto-lhes aqui o sonho de Anna.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
domingo, 23 de abril de 2017
Maturação...
Seria possível dizermos que não há medos e ansiedades? Olharmos para tudo o que vivemos com nossos pais e aceitá-los, entendê-los e perdoá-los? Seria possível afirmar que nos vemos livres da carência, dos ciúmes, das irritações, do egoísmo? Conseguiríamos aceitar com generosidade aquilo que se viveu, errou e sofreu sem culpas, mágoas, ressentimentos e tristezas?
Qual degrau estamos? E qual acreditamos estar?
A resposta, guarde para devida maturação.
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Das implicâncias...
Há gente de todo lado a louvar coisas que por certo não agradam a toda gente, como chouriço, mocassins, férias na praia e dessincronias. Quero, pois, versar sobre os embaraços criados por estas últimas a que menciono. Defino a dita cuja como o descompasso entre tempo e o ritmo na ordem dos fatos ao facilitar desagradáveis pormenores e causar-nos alguma turbulência em nosso plácido céu de brigadeiro cotidiano. A "sincronia" dá-se por conta da desoportunidade e a sua possibilidade de causar-nos pequenas frustrações e vergonhas. Dou exemplos: o inexato instante que decide com dúvidas avançar a faixa de pedestres por não saber quanto tempo de sinal verde resta para você e vermelho para os carros. Você dá o primeiro passo adiante e descobre. Não restava nada. Os carros aceleram e você recua, sentindo-se uma besta. Outro: elevador parado no andar com alguns gatos pingados dentro. Ao longe você, calculando os passos, a velocidade no trajeto e um sentimento que só nos aparece em horas assim, aquele de acreditarmos na humanidade o suficiente para pensar que algum bom samaritano segurará a porta para nós. É o tempo preciso para colar com a fuça na porta que acabou de fechar. Ninguém a segurou e você mais uma vez com cara de besta. Outro clássico: lépido, faceiro e distraído, caminhando pela calçada avista pessoa a lhe acenar. Um filme se passa com todos os rostos possíveis e situações prováveis. Você chega a conclusão de que é um desmemoriado e cheio de dedos resolve acenar em retribuição. Sorri, inclusive. Na sua direção a pessoa atravessa seu corpo como se você não existisse a abraçar a outra atrás de ti. Seu castelinho de cartas emocional desaba num só golpe de vergonha. Cara de besta e saída pela tangente. Tem aquela quando acenamos ao ônibus e ele passa direto, ou quando continuamos falando alto no momento em que a música acaba e mais outros milhares de pequenos constrangimentos patrocinados pela dessincronia. Talvez ela seja fruto de uma distração dos anjos ao permitir maquiavélica mancomunação entre o tempo e o capiroto, a arrancar-nos a dignidade e a orientação num breve segundo, devolvendo-nos logo em seguida. Nunca saberemos.
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Controversa...
Uma grande tristeza lhe era como uma exuberância controversa. Acreditava que no íntimo de cada um dos homens havia um envergonhado orgulho de sustentá-las. Uma das razões de não as despedirmos mais cedo.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Carta V...
[...]
Por isso não vale a pena decretarmos nossos amanhãs a partir dos humores
tristes de hoje. Não vale anteciparmos a tristeza porque decretamos que
algo será ou deixará de ser, como uma constatação míope de um peito
carregado que pouco permite que enxerguemos.
(Carta a uma amiga)
(Carta a uma amiga)
quarta-feira, 12 de abril de 2017
De quem, afinal?
A vida é coisa muito frágil e para protegê-la deixamos de viver. Qual o sentido de evitarmos o que não se deve, insistirmos com o que não se pode e nos perdermos? Por que fazemos questão das tristezas, dos cacos, dos escuros e tempestades? Por que insistimos tanto e tantas vezes em morrer? Perdemos o amor como quem perde o ônibus. Aguardamos o amor como quem aguarda o ônibus. As urgências estão equivocadas. As insônias estão equivocadas. O que nos dói é o que de nós mastigamos. E nos cremos muito por não aceitarmos qualquer desaforo.
Mas, de quem, afinal?
terça-feira, 11 de abril de 2017
Para trás...
A dor que insiste em permanecer é aquela que mais fala de ti. Escutar a verdade que ela insistentemente sussurra nas entrelinhas é o que lhe dará o direito a deixá-la para trás.
domingo, 9 de abril de 2017
A vigésima segunda visita da generosidade...
Uma releitura generosa dos óbvios.
O meu terceiro livro, pela Editora Penalux.
O meu terceiro livro, pela Editora Penalux.
A pré-venda está aberta.
R$ 42 reais já com o frete.
A quem interessar,
mande e-mail: guglicardoso@gmail.com
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Devoção...
éramos tão novos e já amávamos um amor antigo.
aqui,
peço que olhes o teu reflexo nos meus próprios olhos:
não há intimidade maior do que olharmos juntos para o que se ama.
na ausência tua,
os lugares todos te reconhecem
(e eu neles não me reconheço mais)
diga-me amor,
de que país se é quando se ama assim?
a palavra é impaciente quando não escutas,
o sossego é incompleto quando não estás
quando regressas
beijo-te dez segundos
e sou feliz para sempre
prometo amar-te até
a última folha do calendário,
e a primeira
prometo amar-te até
o último limite,
e amar-te quando
não houver nenhum limite mais
na aritmética exata dos desejos
a geometria perfeita do teu corpo no meu;
se te desenhasse seria um homem completo
trazes-me
a fome absoluta. o prazer absoluto.
a entrega à vida
debaixo de uma lua só nossa
tua silhueta brinca-me com as sombras
nas cores rubras do abajur do quarto
por debaixo desta luz
minha devoção:
Deus é uma bailaora.
sábado, 1 de abril de 2017
A vigésima segunda visita da generosidade...
"A vigésima segunda visita da generosidade"
Uma releitura generosa dos óbvios.
À força do instante,
inesperado o saber
das asas.
A quem interessar possa, mande-me mensagem:
quarta-feira, 29 de março de 2017
Carta IV...
[...] a outra coisa é que iremos atrair para a nossa vida as experiências que confirmem as crenças que temos sobre nós. A repetição dos padrões e frustrações se dão por conta das questões interiores que para cada uma delas ainda não olhamos profundamente e com generosidade. O que penso é que ciente dos nossos engessamentos poderemos mudar a narrativa emocional que andamos a escrever e a repeti-la diariamente. Dissolvendo os nós e libertando-nos do passado, ganhamos a liberdade e o espaço para permitirmos que o novo realmente venha. Quanto mais olharmos para nós, melhor enxergaremos a vida. Quanto mais nos amarmos, mais o amor poderá chegar. Creio que esta seja a lei.
(Carta a uma amiga)
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