quarta-feira, 29 de março de 2017

Carta IV...

[...] a outra coisa é que iremos atrair para a nossa vida as experiências que confirmem as crenças que temos sobre nós. A repetição dos padrões e frustrações se dão por conta das questões interiores que para cada uma delas ainda não olhamos profundamente e com generosidade. O que penso é que ciente dos nossos engessamentos poderemos mudar a narrativa emocional que andamos a escrever e a repeti-la diariamente. Dissolvendo os nós e libertando-nos do passado, ganhamos a liberdade e o espaço para permitirmos que o novo realmente venha. Quanto mais olharmos para nós, melhor enxergaremos a vida. Quanto mais nos amarmos, mais o amor poderá chegar. Creio que esta seja a lei.

(Carta a uma amiga)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Companhia...

Enquanto bebo uma cerveja, aguardo o amor vir sentar-se do outro lado da mesa. Não carece saber o que me dirá em seguida. O que quer que me diga será o suficiente.

Afinal, não é sempre que o amor nos faz companhia.

terça-feira, 21 de março de 2017

Saiam...

Aos demônios, convido a se retirarem.

Obrigado.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Emocionais, é claro.

A previsão do tempo nos permite escolhermos ou não os guarda-chuvas. Apenas isto. Sem garantias, como gostariam nossas ansiedades. Sem certezas, como precisariam nossos controles.

A previsão do tempo é apenas um pretexto para prevermos.

Somos dependentes das previsões e receitas de bolo.
Emocionais, é claro.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Humanidade...

Amar alguém é amar todos os outros. Assim como matar alguém é matar todos os outros. Isto se considerarmos a humanidade que nos atravessa indistintamente como uma verdade que nos comunica e nos define.

(Um atrevimento como resposta ao pensamento de Albert Camus)

segunda-feira, 6 de março de 2017

E não o contrário...

O amor perdeu o amor. 
O amor perderá o amor. Os amores. 
O amor se perderá. 
Mas, o amor jamais perderá o amar. 
E o amar há de perdoar o amor.

É o verbo quem nos salva das desesperanças.
Uma e outra vez e cada vez mais. Sempre.

É o amor quem nos conjuga no tempo, e não o contrário.

sábado, 4 de março de 2017

Em nós...

alegrava-me por desaguar 
em nós o me
destino.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sensatez...

O perigo de ser um excessivo sonhador era não viver o bastante para redimir-se de qualquer coisa que não havia lhe dado outro futuro e melhor oferta ao peito. O risco era bastar-se com suas interiores ilusões e invisíveis esquecimentos, prendendo a vida imensa no limitado da própria cama. Era nítido o contraste disto com as esperanças; estas que não permitia entrada no quarto a despertá-lo para continuar a procura de melhores destinos e algum amor.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Açúcar...

A miséria intelectual por aqui chega a tal monta que aquele que critica o uso abusivo do açúcar é imediatamente condenado como inequívoco defensor dos amargos.

Isto é, a estupidez de uma ideologia lançando sua própria cegueira sobre os outros.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sobre você...

O que desejo é que você tenha todo o amor do mundo. Que o descubra aos poucos, no tempo certo de amadurecer, que é o tempo de melhor saber o amor em si. Descobrir o amor é saber amar-se. Saber amar-se é conceder a gentileza à inconsciência dos erros. Assim, que você se revele mais generosa consigo, despedindo culpas, mágoas, ansiedades e demais prisões. Que esta generosidade seja a luz a te esclarecer e iluminar os outros. Que você seja mais íntegra, honesta e leal consigo. O mundo a seguirá logo depois. O caminho se fará conforme a sua própria caminhada. Seja paciente com os seus próprios pés. O coração se fará abrigo para os que te amam e te querem bem. Será também janela para os seus ainda insuspeitos milagres.

(Carta enviada a uma amiga)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Urgências e demoras...

[...] enquanto o tempo com suas demoras faz girar o mundo e acontecer a vida, com a tua inesperada travessia em mim, passei a sofrer de urgências. Depois de ti, não acompanho ritmos nem respeito prazos, os dias se dissolveram em noites e as noites em esperas. Antes de entardecer e já amanheço sem descansos. Antes de prometer e já me cumpro, apenas para adiantar-me de algum jeito. Sobra-nos tudo, falta-nos as horas. Sobra-nos desejo, falta-me a lucidez. Ando a dormir sendo metades em que parte busca-te por entre os sonhos, e a outra mantém-se alerta a esperar tua volta. Lanço-me ao passado para cumprir minhas lembranças, revivendo abraço que não foi dado e a palavra que não foi dita. Busco-te uma vez mais para corrigir minhas tristezas e apagar ausências que sabem meu nome, mas desconhecem o teu quando por perto. És a confissão do meu mais íntimo pensamento. Por isto, sofro,  porque o teu amor se fez espelho e, sabendo de ti meu amor, saberei de mim também.

(Guilherme Antunes & Jhully Inácio)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Dos mistérios...

As infâncias nos ensinam encantamentos. Aí, quando adultos, o tempo vira relógio.

Deus, hoje, desalojado das preces despediu-se para fazer morada no amanhã:
lugar este onde estamos sempre a chegar.