Que possamos ser
mais, sendo menos; pois são os detalhes que compõem as grandezas de nós.
Que tenhamos muito, mesmo com pouco; pois será para alma sempre o
suficiente. Que
as boas lembranças sejam referências de quem realmente somos, neste
espaço entre o agora e os amanhãs, e que estejamos sempre atentos ao
fato de que a felicidade mora aqui ao lado, e que desocupada nos espera
visita, ainda que não batamos na sua porta, pelas distrações da nossa
casa.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
sábado, 14 de janeiro de 2017
Anúncio...
Os olhos despedem a atenção para tragédias já tão acostumados por cansaços e absurdos. Dão-nos para escolher muitos vilões e poucos enredos. Dão-nos papel nenhum, senão o de trouxa. E o que nos dariam de especial senão o cheque?
O canto amargo dos pássaros ainda anunciará as primaveras.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Inexistências...
Sou melhor quando não estou. Sou um charmoso espelho sem reflexos, uma divertida festa sem convidados. Pois as inexistências me completam e os acasos me apontam a direção. Sou um bom livro esquecido; uma coleção de memórias a não significar um inteiro, um recorte de ausências, uma história sem identidades. Vai ver o meu passado seja uma gaveta sem utilidade, empoeirada, e mais uma coleção de papéis, erros e decepções que não revelam nada sobre o amanhã. Sou um porém e uma breve esperança, e que não me leva a lugar nenhum. Porque o que me move nesta vida é a angústia de não saber o que fazer parado. A minha busca é também o meu incômodo por não se contentar; pois o que me empurra não é o que me falta, mas sim o que me sobra.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Lembrança...
(...) e quando sem esperar, olhou menina o seu rosto refletido no espelho, levou o coração à boca que então vestiu sorriso. Lembrou-se de respirar macio no seu despertar; lembrou-se de despedir do sol ao entardecer; lembrou-se de elogiar cada uma das suas novas escolhas. Lembrou de não mais sentir saudades de ser feliz. Saiu de casa de vestido colorido e fita verde no cabelo. Ela era o seu próprio presente. E de nada mais precisava para ser o seu futuro também.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Credores...
À vida resmungamos pequenas palavras sem muita delicadeza: dignos do tamanho que acreditamos ser bastante. Calar-se seria saber-nos credores de pouca abundância. Uma culpa por não semearmos melhor o próprio existir.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Bauman...
ensinou-nos Zygmunt Bauman
sobre o amor que é
a sociedade que é
a modernidade que é
líquida.
e partiu.
sobre o amor que é
a sociedade que é
a modernidade que é
líquida.
e partiu.
Graal...
A verdade, o placebo ou qualquer um com gosto menos amargo? Servem-lhe alternativas terapias ou desejas a precisão cirúrgica? Água gelada ou, ainda assim, whisky paraguaio para celebrar os amores? Os excessos como fuga. A ansiedade como perda. O medo como muro. Aceitas a tristeza como legítima amante ou preferes te divorciar da própria vida? O lado mais difícil do caminho é a sorte que costumamos escolher.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Recordadores...
A maioria das pessoas seleciona as recordações para usar como bóias: aqui eu fui feliz, é aqui que vou ficar, parado no meio do imenso e ignoto mar. Ou então: aqui fui infeliz, e daqui não quero passar. Distingue-se assim, para uso quotidiano, otimistas e pessimistas - recordadores profissionais.
(Inês Pedrosa)
Perdemo-nos todos...
Vestia a paixão ao avesso, o humor às avessas, a sorte ao inverso, o amor impróprio, o relógio exato e o tempo impontual para os sossegos. Entre a faca e os desejos, salvamo-nos muitos. Perdemo-nos todos.
domingo, 8 de janeiro de 2017
Categorias...
Saber-se é como procurar jarro antigo metido numa garagem que não visitamos, filho. No inútil, melhor nos reconhecemos e, isto, dá-nos razão das esperanças. Porque não nos sabemos com a audácia da precisão, havendo sempre espaço para as belezas e outras categorias de virtude.
sábado, 7 de janeiro de 2017
O ano novo...
Organizou os livros, as roupas, sapatos, talheres, pratos, agenda, o tempo, a ansiedade, o amor, seu deus, seu diabo, seus medos, verdades, seu chefe, sua mãe, as mágoas, as contas, as cartas, carências, hipocrisias, as dores e o sono, nas prateleiras, armários, gavetas, porões, memórias, enganos, mentiras, lençóis, sintomas e nos escuros todos da palavra, do outro, do sonho, do quarto e do próprio peito.
Definitivamente, o ano novo de um mesmo homem.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Vida longa...
Vida longa aos que muitos incomodam com suas singularidades. Aos que perturbam sombras alheias com agudas iluminâncias. Aos que desarmam convicções idiotas com afiada inteligência. Aos que ardem e incendeiam, expulsam e perdoam, arranham e acolhem com igual facilidade. Vida longa aos que convidam à dança, ao abismo, ao amor, ao abraço e aos desequilíbrios. E aos que se alongam na vida, na mesa do bar, nos lençóis da cama e no espaço da nossa saudade.
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