A verdade, o placebo ou qualquer um com gosto menos amargo? Servem-lhe alternativas terapias ou desejas a precisão cirúrgica? Água gelada ou, ainda assim, whisky paraguaio para celebrar os amores? Os excessos como fuga. A ansiedade como perda. O medo como muro. Aceitas a tristeza como legítima amante ou preferes te divorciar da própria vida? O lado mais difícil do caminho é a sorte que costumamos escolher.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Recordadores...
A maioria das pessoas seleciona as recordações para usar como bóias: aqui eu fui feliz, é aqui que vou ficar, parado no meio do imenso e ignoto mar. Ou então: aqui fui infeliz, e daqui não quero passar. Distingue-se assim, para uso quotidiano, otimistas e pessimistas - recordadores profissionais.
(Inês Pedrosa)
Perdemo-nos todos...
Vestia a paixão ao avesso, o humor às avessas, a sorte ao inverso, o amor impróprio, o relógio exato e o tempo impontual para os sossegos. Entre a faca e os desejos, salvamo-nos muitos. Perdemo-nos todos.
domingo, 8 de janeiro de 2017
Categorias...
Saber-se é como procurar jarro antigo metido numa garagem que não visitamos, filho. No inútil, melhor nos reconhecemos e, isto, dá-nos razão das esperanças. Porque não nos sabemos com a audácia da precisão, havendo sempre espaço para as belezas e outras categorias de virtude.
sábado, 7 de janeiro de 2017
O ano novo...
Organizou os livros, as roupas, sapatos, talheres, pratos, agenda, o tempo, a ansiedade, o amor, seu deus, seu diabo, seus medos, verdades, seu chefe, sua mãe, as mágoas, as contas, as cartas, carências, hipocrisias, as dores e o sono, nas prateleiras, armários, gavetas, porões, memórias, enganos, mentiras, lençóis, sintomas e nos escuros todos da palavra, do outro, do sonho, do quarto e do próprio peito.
Definitivamente, o ano novo de um mesmo homem.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Vida longa...
Vida longa aos que muitos incomodam com suas singularidades. Aos que perturbam sombras alheias com agudas iluminâncias. Aos que desarmam convicções idiotas com afiada inteligência. Aos que ardem e incendeiam, expulsam e perdoam, arranham e acolhem com igual facilidade. Vida longa aos que convidam à dança, ao abismo, ao amor, ao abraço e aos desequilíbrios. E aos que se alongam na vida, na mesa do bar, nos lençóis da cama e no espaço da nossa saudade.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
Olhar...
A felicidade se tornou uma simplicidade quando decretou ao amado que ser feliz seria algo por estarem vivos e juntos. Apenas isto, juntos. A atenção de um detalhe lhe seria uma vida inteira cuidada pelo próprio olhar de atenção.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Sobre o sonhar...
Caminhava na orla da praia e vi dois guardas abordarem o homem de rua que cansado das horas adormeceu num dos bancos da calçada.
Senhores! Pediu a lei, a moral, os bons costumes e os cidadãos todos de bem que acordassem aquele homem atrapalhando o passeio público.
- Acorde, senhor! Saia da sua liberdade de pássaro. Abandone a ilusão e volte à miséria. Retome suas desesperanças; reencontre seus vícios todos. Volte de sua fuga para fugir uma vez mais n´outro lugar. Afinal, precisamos manter a ordem e o senhor é um incômodo para todos nós.
Se ainda o acordassem para lhe dar as boas novas. Se ainda o acordassem a lhe permitir ser qualquer coisa de feliz.
Talvez, o único evangelho daquele homem fosse seu esquecimento. O jornal de empregos, um lençol contra os invernos. Seu mal foi fechar os olhos.
Estava desqualificado para sonhar.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Tornou-se sábia...
Ela que antes viveu apenas da palavra como prisão e fuga do mundo, usará de cada uma para reencontrá-lo. A palavra como reflexo cristalino e não mais empoeirado com o ranço das coisas velhas. O que aprendeu até então era de segunda-mão, emprestado, não era seu. A palavra sexo que antes lhe era um atrevimento estreava-se no seu corpo através do prazer. A palavra desejo que antes lhe era proibição estreava-se na vida como convite. A liberdade concedia-lhe novos significados. Uma absolvição das conveniências. Sem a linha lógica e prisional das conclusões. Tornava-se a representação direta das suas próprias experiências, reivindicando a parte de Deus que lhe cabia. Antes, uma triste personagem de si. Agora, despede-se da sua versão sentimentalizada, presa do intelecto e da vida utilitária, da sua previsível miséria. A área tão inesperada para além da zona de desconforto era a coragem de ser o seu próprio presente. Devolveu o sonhar ao seu devido lugar.
Tornou-se sábia não porque desejou sê-la, mas por se tornar ela mesma quem ela mesma é.
Tornou-se sábia não porque desejou sê-la, mas por se tornar ela mesma quem ela mesma é.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Calar as cicatrizes...
Será que ela já se
vê pronta para deixar seu passado? Abandonar cenários e festas e dores e
sintomas que ainda sente? O que a deixa ainda calçada nos sapatos
pertencidos aos caminhos que não mais florescem porque não podem? Quais
os medos de antes traz ela para o depois? Deveria seu coração saber que a
luz do dia novo há de dissolver a densidade dos escuros. Deveria
despedir-se do vazio que a ronda a permitir o cheio que a preenche.
Gritam assim os anjos para que não adoeçamos com as poeiras de capítulos
que não merecem a releitura. Assim também espera seu amor que lhe
aguarda para escreverem juntos os acertados destinos a que merece.
Devemos calar as cicatrizes.
Devemos calar as cicatrizes.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Das exigências...
Por vezes as coisas
boas vão se instalando em nossa vida aos poucos, sem antecipados
avisos, barulhos ou exigências de novos espaços, como processos
contínuos que nos desarmam e nos expõem novamente ao viver,
permitindo-nos escolher e aceitar finalmente o acerto, a prosperidade e
por-nos disponíveis uma vez mais aos milagres.
Caminhar...
Que o velho morra para dar lugar ao novo, pois, toda morte é um renascimento.
Que eu possa ir fundo para poder tocar o céu; que eu possa alcançar o horizonte.
Que eu possa ter tempo para tudo aquilo que deixei de realizar, e que poderia fazer a qualquer momento.
Que as horas passem devagar quando necessário; os dias menos depressa.
E que eu possa conquistar o atemporal: não pelo que eu faço, mas por quem eu sou.
Além do sucesso, minha integridade. Além dos objetivos, minha inteireza.
Que eu possa perceber que sou eu quem carrego a chave das próprias prisões que crio.
E que eu me liberte do medo, das angústias, da aflição.
E neste vôo, possa lançar as sementes do amor. Amor que todos devemos cultivar.
Além da bela silhueta, além dos preciosos amigos, além de qualquer explicação ou teoria lógica e lapidada; além de belos títulos de livros ou filmes, de boas marcas e comentados lugares.
Eu possa me encontrar, em tudo aquilo e mais um pouco. Ou menos.
E que eu possa refletir como um espelho todos a minha volta.
Que o porvir possa acalmar a ansiedade do dever-ser e do vir-a-ser, porque eu ainda não sou, nada além, do que já sou.
E em mim, tudo basta. Mesmo quando me sinto vazio. E que diante do vazio eu não me preencha com mais dele.
Que eu aprenda a perdoar, primeiro a mim, por não saber perdoar.
Que eu lembre do melhor e esqueça o necessário; o desnecessário para crescer, pois, crescer é inevitável.
E que o inevitável venha e, assim, eu aprenda a aceitar.
Que eu possa criar, que eu volte a ser quem nunca fui e que um dia eu deixei de ser.
Sorrisos e lágrimas. Criador e criatura. Céu e terra.
Que os monstros se tornem disciplina e compaixão.
Tenho equilíbrio e procuro por mais. Equilibrei-me por desequilibrar-me.
Além das palavras, o agradecimento contido em cada uma delas.
Pois é a experiência que me brinda com a realidade que me envolve.
Escada de degraus infinitos.
Um recomeço de um caminhar eterno.
Abençoado, próspero, tranquilo.
Para mim e para você.
2017.
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