caminhar dissolve as dúvidas
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Cantam...
Sabes, aquieta-se o tempo só para admirar-nos
e nos teus beijos em que renasço outro
e nos teus abraços em que refaço o mundo
calam-se os desnecessários verbos e outras mudas certezas,
pois, de sonhos falamos sobre a pele,
os desejos sopramos pelo ar.
Sabes, na tua boca bebo da própria poesia,
e os meus silêncios cantam todos para ti.
e nos teus beijos em que renasço outro
e nos teus abraços em que refaço o mundo
calam-se os desnecessários verbos e outras mudas certezas,
pois, de sonhos falamos sobre a pele,
os desejos sopramos pelo ar.
Sabes, na tua boca bebo da própria poesia,
e os meus silêncios cantam todos para ti.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Diluir-se...
poesia para não se perder e
diluir-se no cotidiano
aprendeu a me acontecer
no tempo certo.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Resoluções...
Aquele frio que lhe cortava a alma era vento forte de tempo fechado ou desilusão dos sonhos bonitos de ontem? Pois, insensível aos apelos do porvir, andava cego às gentilezas da vida e surdo às do coração. Abrigou da dor, no seu colo, a própria vida. E cansado de ser mau jardineiro a pisotear as flores que o tempo um dia o brindou com sementes muitas, queria agora curar feridas. Queria voltar a ser quem nunca foi e aprender o que ainda não havia aprendido: saber que no palco da vida ele é seu único e próprio antagonista. Cansado de refletir tristezas, passou a espelhar em si, amor. Há ainda de reconstruir caminhos antigos por onde a serenidade trilhou: a denunciar pelas suas próprias confissões a sua fé e a sua vontade de recolher por lá amor hibernando a despertar faminto. Queria também trazer você pra perto e fazer do seu colo, confessionário. E dos seus olhos, o seu espelho; da paixão, o seu abrigo; e do céu, o seu telhado. Carregava consigo tantas vontades engarrafadas a guardar em vidro bonito o seu carinho para aqueles momentos em que o cansaço mais chama o nosso nome. Salvar-se-ia de vez, daqui pra frente. E sem resoluções a fazer ele só queria se olhar e descobrir quem ele era de verdade.
(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 16.12.10)
sábado, 10 de dezembro de 2016
Dos (des)apontamentos sobre o amor...
amar é não ser nunca por inteiro
não ser jamais suficiente:
presença, tempo, outro.
sentir a vida demasiado breve
solução cega de busca para
o que nos é incompleto
temor em perder o pouco que se recebe
e o muito que se ganha.
medo de ser aniquilado por aquilo
que o amor não é,
sobrando-nos para qualquer serventia
que não o amar.
é querer morrer mais tarde,
é precisar morrer mais tarde,
é querer chegar mais cedo
atenuar as pressas
e sentir pressas.
após sua partida,
partimos nós,
tornando inútil a existência do mundo.
não ser jamais suficiente:
presença, tempo, outro.
sentir a vida demasiado breve
solução cega de busca para
o que nos é incompleto
temor em perder o pouco que se recebe
e o muito que se ganha.
medo de ser aniquilado por aquilo
que o amor não é,
sobrando-nos para qualquer serventia
que não o amar.
é querer morrer mais tarde,
é precisar morrer mais tarde,
é querer chegar mais cedo
atenuar as pressas
e sentir pressas.
após sua partida,
partimos nós,
tornando inútil a existência do mundo.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Generosos...
Somos generosos dentro das mentiras que habitamos.
Visto que não saberíamos
ser contrários a isto:
questão de dolorosa sobrevivência.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Para te amar melhor...
ando a salvar-me todo dia nos teus sorrisos.
no amor fiz canção
a adormecer tuas ausências e
apagar-me os escuros
deito-me apenas para os desejos estendidos no teu corpo.
às noites, em romaria
venho visitar tua beleza.
sou um ser habitado por teu nome
procurem-me e nela
e a mim me encontrarão
templo a dispensar-me as preces.
não os lençóis.
inventei-te antes para te encontrar
escrevo por isso:
para te amar melhor.
domingo, 4 de dezembro de 2016
Má proprietária...
Desconfiada e incomodada pelo silêncio, fazia questão de distrair-se com as inevitáveis vozes vindas do interior de si, a dizerem-lhe tudo, explicarem-lhe tanto, falarem demasiado sem resolver-lhe nada. O silêncio lhe era uma angústia porque ouvi-lo seria equivalente a escutar-se. O medo era de que pudesse ouvir sabidas feiuras e insuspeitas virtudes: tanto umas quanto outras jamais bem vindas desde miúda. O silêncio era uma liberdade que não alcançava. A liberdade que dizia não conseguir. A liberdade evitada sem suspeitar que evitava. Sua perteza e já começavam ansiedades e outras distrações. Ouvir-se seria ver-se. Ver-se seria sentir-se. E saber-se. Saber dos ocultos enganos que com a personalidade se confundiam. E despejá-los como inquilinos do próprio peito.
Má proprietária.
Má proprietária.
sábado, 3 de dezembro de 2016
Tempo lento...
As verdades acalmam-se sempre em tempo lento.
Assim, seguem as tristezas a se diminuírem
na razão direta do que dentro
se revela.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Dezembrar...
Havemos de dezembrar. Dizia eu. Faltava pouco para o fim do ano. Era o meu pai, nos tempos de maior conversa, que o pedia. Depois de cada dificuldade, esperava que dezembrássemos todos. Que era prometer que chegaríamos vivos e salvos ao fim do ano, entrados em janeiro, começados de novo. A resistir.
(Valter Hugo Mãe in: A desumanização)
Assinar:
Postagens (Atom)


