terça-feira, 12 de julho de 2016
Problema...
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Dos tolos...
Os tolos não vivem por completo. O que nunca aceita e sempre exige, na vida encontra-se desperdiçado de tudo. Contrariado, fervem-lhe as ânsias. Contrariado, rebela-se incapaz de transpor suas frustrações. Trouxe consigo o menino que um dia lhe deixaram ser e nada negaram. Hoje finge sentimentos educados até que lhe desmintam por aquilo que não lhe dão. Contrariado, torna-se predisposto às fúrias e pela lógica, as perdas. Aniquila-se no próprio veneno que o afasta do bom senso e do que ama. Devem os outros reagirem apenas aquilo que silencioso aceita. Pois se contrariado, ressente-se, pondo a coerência em xeque, o peito ausente, o corpo menos aliviado. Sua fragilidade é que o mundo lhe desdiga e desmascare. Sua fragilidade é o medo que o apavora e veste-o de raiva que muito sente se desdito e desmascarado. Dono das certezas e das inverdades que convive, vence apenas para não perder, e perde sempre sem saber ganhar. Os tolos não vivem por completo, mimados de tudo para suas crenças.
domingo, 10 de julho de 2016
Quando...
Os olhos fechados servem para evadir-me. Ocupo-me
para justificar as fugas. Mudo de amor por covardias e permaneço neles
pela mesma razão. Recuo sempre como se sempre seguisse adiante. O que
desaprendi contigo me ensinou como nunca, mas para nada.
Diga-me: quem sou eu quando não estás?
sábado, 9 de julho de 2016
Se...
Se soubéssemos dos frequentes milagres e possibilidades que ocultos vivem nas distraídas escolhas do dia a dia, aguardando pacientemente a nossa permissão - uma inexatidão de nós, uma guarda baixa, uma distração - para que venham a revelar-se e salvar-nos das insistências que cultivamos em tons de cinza e naquilo que não se é mais, renasceríamos mais vezes...
sexta-feira, 8 de julho de 2016
A saída...
A única saída será aquela pela qual ainda não se entrou. Ela não será uma resposta visto que a saída não é nada que se pareça com uma. A única saída será atravessar o que se oculta. A saída é o óbvio que não se enxerga. A única saída é aquela que se tardará uma vida a perceber que ela se trata exatamente da entrada. Ela se encontra por detrás do medo. Ela se sabe por detrás da vergonha. Ela se revela por detrás do orgulho. A saída não será o final, mas antes o real início. A única saída será enfrentar-se tão completamente que isto se trate de aceitar-se completamente. Ser quem se é para aí então buscar-se como aquele que se encontrou.
Ser a si mesmo é a única saída que até agora ainda não tentamos.
Ser a si mesmo é a única saída que até agora ainda não tentamos.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Outras vezes, não.
[...] e ao longo do tempo vi que entre o leitor e eu há a palavra. E
entre o leitor e a palavra há um universo seu que bebe do meu universo a
partir dos seus próprios humores, amores e vazios. Por isso muitas o
leitor enxerga somente aquilo que pode ver: o seu próprio reflexo.
Às vezes é possível alcançar-me.
Outras vezes, não.
Às vezes é possível alcançar-me.
Outras vezes, não.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Toda para nós...
E nós, atrapalhados entre sermos tolos e apaixonados, dizíamos tanto por conta da tolice quanto por culpa do coração que o outro ainda nos salvaria por trazer consigo a felicidade toda para nós.
Deixemos esta ideia assim, por enquanto.
terça-feira, 5 de julho de 2016
A doença...
A doença é um sintoma do impedimento das verdades que em nós deixam de circular. Quando verdade se prende no peito, no estômago, na garganta, o desequilíbrio acontece. A doença é o aviso de que a alma está corroída, sufocada ou fragmentada.
A doença é a revelação da verdade que por tanto tempo ignorada engessou-nos a nós mesmos. A ansiedade, o medo, a inveja, a tristeza por vezes são esses engessamentos de uma verdade não expressa devidamente em nós e por nós.
A doença é a revelação da verdade que por tanto tempo ignorada engessou-nos a nós mesmos. A ansiedade, o medo, a inveja, a tristeza por vezes são esses engessamentos de uma verdade não expressa devidamente em nós e por nós.
Por isto a necessidade de reconhecê-la para nos reconhecermos, praticando-a como integral aceitação do que insistimos em negar, e, como desapego essencial do que insistimos em carregar a por-nos envenenados.
Às vezes exatamente por não aceitarmos uma verdade que nos cabe dispensá-la é que continuamos a carregar.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Das fidelidades...
Ao navegarmos no rio do tempo, ganhamos velocidades que não mais respeitam nossos olhos que ainda buscam acompanhar os detalhes do percurso; não nos sobrou idade e dia na agenda para isto. Quando jovens queríamos alcançar nossos objetivos, e agora nos perguntamos o que alcançamos com eles. Quantos de nós não se perderam do caminho de sermos aquilo que não somos? O que diria hoje nossa infância sobre nós? Continuamos fiéis aos sonhos de antes? Penso ser esta a mais bonita fidelidade a que nos devemos. Não estamos sozinhos na viagem: sofremos das mesmas faltas pela ideia de que éramos sempre mais felizes no passado. A vida se consome quando nos permitimos entrar neste carrossel ao mesmo tempo que da própria vida nos afastamos. Deixamos que a saudade e a tristeza sejam nossas companheiras. Você não é o único e não sei se isto te conforta. Sinto as mesmas contrações na alma que você e agora que tenho mais do que antes, sinto-me como nunca a colecionar vazios. Talvez seja esta toda a nossa miséria: a angústia de que nos falam os livros e o peito. Quem sabe aí esteja a necessidade da busca e da religação, seja através do mergulho ou do salto no interior para o encontro consigo ou com algum deus - quem sabe? Mas, quem tem tempo de encontrar seu deus para além das imediatas aflições, urgentes pedidos e minutos antes do sono? Porque estamos todos ocupados em cumprir o cotidiano. Afinal, somos pessoas tanto responsáveis quanto ansiosas e não temos tempo para nada disto.
domingo, 3 de julho de 2016
Ausências...
Transformou ausências, ainda agarradas nos contornos de dentro, em planos muitos. Calou medo com o olhar no silêncio festejou, impedindo boicote de entrar para roubar a festa e celebrar também. Convidou seu melhor sorriso para amanhã se reinaugurar.
E nunca mais permitiu aproximar engano sem saber qual sua proposta.
sábado, 2 de julho de 2016
O que queremos do amor...
Se tenho alguma coisa a dizer sobre o amor é que não tenho coisa alguma sobre o amor para dizer. Aliás, alguma coisa sempre se tem mas qualquer conselho que eu venha a dar, penso que a maioria seja desaconselhável. De qualquer maneira, cá estou a dar minhas impressões e pitacos. Aos estreantes ou em vias de estrearem neste inevitável e atualíssimo assunto, peço desculpas, pois falarei àqueles já estreados no confuso palco dos relacionamentos e que carregam no bolso existencial da vida, curriculum amoroso com aquelas frases manjadas de que somos dinâmicos e estamos sempre dispostos a aprender e a fazer nosso melhor, cousa que usamos para impressionar o próximo nalguma entrevista disfarçada de encontro. Pois bem, o que queremos do amor é que ele nos reconduza a ele mesmo. Nada mais evidente! Depois de tantos desatinos e pés pelas mãos, queremos um amor que nos leve de volta ao amor mesmo. Queremos novamente as borboletas no estômago que matamos ao usarmos os antiácidos da discórdia e do cansaço, e levezas outras que passamos a ver léguas de distância porque não nos pertencem mais. Para isso é preciso desconvocar mágoas, despir-se das armaduras e desconstruir fortalezas sentimentais erguidas com a argamassa de desesperançosas desilusões. Devemos desmurar o medo deixando-nos disponíveis para que o amor volte. Mas isto não quer dizer que o amor seja avesso às batalhas pois, para conquistá-lo pede-se uma, para deixá-lo limpinho e cheiroso pede-se outra, para não asfixiá-lo outra e para evitarmos centenas de milhares de implicâncias são ainda outras tantas. O que queremos de fato do amor é que ele nos dê férias do dia-a-dia que tedioso se repete como uma engrenagem, engraxando-nos com algum encanto, dando ventilação ao peito congestionado de desânimos. Mas para merecido descanso, devemos redobrar o trabalho e a dedicação aos detalhes que compõem o universo de dois. O que queremos de fato do amor é que ele nos devolva a atenção, fazendo com que o mundo seja saboroso novamente, que o milagre seja permitido a qualquer hora e que a vida volte a ser uma grande atração, ainda que de curta temporada. O que queremos de fato do amor é que ele nos mostre com alguma delicadeza os nossos próprios espinhos, que ele nos permita saber o verdadeiro alcance daquelas raivinhas e tolices que pecamos por orgulho ao acumulá-las e que estrategicamente - sem querer - jogamos no outro. O que precisamos saber do amor é que o amor não é econômico: para que ele nos dê o que desejamos é necessário investirmos sem nos pouparmos. O amor rende quanto mais descomplicado ele for. Discussões em excesso, dores de cabeça em série e elucubrações alongadas o matarão aos bocadinhos, devendo nós usarmos de tais expedientes apenas para periódicas recauchutagens em caso de desalinhamento. O que precisamos saber de fato do amor é que o amor não precisa ser épico para ser grandioso, tampouco dramático para ser intenso. O que precisamos saber de fato sobre o amor é que ele é passaporte para o nosso inevitável - e sempre oscilante - direito à felicidade, e que ele sem acrescentar-nos em nada, nos dará muito.
(Texto publicado na antologia "Crônicas de um amor crônico" da Editora Penalux)
sexta-feira, 1 de julho de 2016
O homem absurdo...
Era um homem absurdo; vivendo ansioso por carregar-se em cada pensamento; por carregar-se no medo de ser ele mesmo. Arrastava vazios com todo o peso de si e admitia ser para si mesmo metade; isto a ele bastava. Qual seria o poder que haveria de ter se se soubesse? Como despertaria cheio de vontades e sonhos? Ocuparia o lugar inteiro do mundo, justificando-se quando até agora um rascunho, um improviso. Qual dor não traria esta lucidez? Era um homem absurdo. Por deixar-se vítima; ser vítima dos outros era lucrar com algo que não era, permitindo tristeza à paisana, a raiva pronta para o ataque, a sorte a buscar sempre o erro, o coração sempre burro descalço à beira dos abismos. Sem responsabilidades para ser reflexo, preferia-se assim a saber-se. Encontrar-se é resolver-se e isto é dar o que se tem. Todos damos o que não temos, e no prejuízo saímos fingindo que estamos todos a ganhar, com a vida e os sorrisos em dia. Resolver-se é enxergar aquilo que se poder enxergar; tornando o óbvio, óbvio. E por que se atreveria a isso? Era um homem absurdo, como todos os outros homens. Um homem inseguro e covarde é capaz de tudo, menos de enxergar para buscar-se em paz. Esta, entre todas e tantas, não era a sua maior ambição.
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