domingo, 4 de dezembro de 2011

Relâmpago...

Quando na escuridão de nós mesmos confundimos pedras velhas com as preciosas que pensamos guardar dentro, enganos com acertos que ousamos saber quais, plenitude com prazer que sentimos ser ambos iguais, basta que o Amor se aproxime tal como o relâmpago; apenas uma fração, um encontro, uma esquina certa, uma entrega, um breve mergulho para alumiar todo o caminho, no tempo de nos apercebermos o que de verdade carregamos nas mãos, e no próprio peito.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sobre a experiência...

Experiência é saber o sabor do que antes não se sabia; provar do agora com a Alma inteira, acolhendo o amanhã com os sentidos. Experiência são planos e sonhos vividos; imprevistos e acasos sabidos, pelo sujeito que confessa o verbo que sente. Experiência é porta aberta, joelho ralado, livros de cabeceira, voos e mergulhos, pousos e decolagens, sobras e faltas que se vestem com a verdade de muito mais cores do que as próprias palavras que as descrevem, pois faltam em si o pulsar do real. As palavras são apenas as confissões pelo espírito, daquilo que já se sentiu e atravessou, hoje se fazendo sempre na nossa memória. E cada experiência carrega ocultos os símbolos que não veem os olhos, pois apenas o coração os enxerga e deles também se alimenta. São eles as entrelinhas do mistério que costuram os encontros e coincidências, laços e sorrisos em todos os nossos dias. O Amor é a experiência sublime como se dentro soubéssemos romance entre céus e terra em que o horizonte os eleva ao infinito. Eu sou o que sou e o que quero experienciar. Eu sou um mundaréu de escolhas que levam meu nome como ponte a me trazer pra mais perto de mim, do outro e da própria Vida, que aguarda nossos passos e o tempo de florescer nossas cores, deitarmos na rede, secar nossas dores, matarmos a sede, vencer os temores, semear nossas flores, acolhendo com gratidão os erros e acertos da caminhada, por sermos nós as muitas ondas que desenham a imensidão do eterno.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Presença...

Eu não imponho limites pra
perteza, querência, amância,
luzeira, vivência,
nem pra gramática.
Eu verso, ela valsa.
Eu voo, ela via.
Eu soo, ela ria.
Eu sou, ela é...
num amanhã perfumado e um depois sorridente;
uma ponte e um laço,
um beijo e um abraço,
um amor, um amém. 
De mim pra você,
e no espelho também.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Amante...

Amar se ama quando se abraça, quando se escuta, quando se entende, quando se perdoa, quando se espera, quando se alivia, quando se aflige, quando se carece, quando se é amado, e quando não. Amar se ama quando se acolhe, quando se envaidece, quando se admira, quando se elogia, quando se cala, quando se fala, quando se tem, e quando falta, quando se merece, e quando não. Amor é a semente na mãe, o cuidado do pai, o crescer na amizade, viva cor no sexo, perfume na gratidão, fruto na caridade, florescer no amante, comunhão em Deus. E só Ele sabe do meu suor e dos meus avessos que levo no caminho para tornar plena cada uma destas palavras, em verbo vivo na Alma, enfeitando-me nos sorrisos e lágrimas, chegadas e partidas, noites e dias que me contam com a voz de dentro que diz que amar se aprende amando.

domingo, 27 de novembro de 2011

Requintes...

O bom da saudade é que a gente pode aniquilá-la juntos, com requintes de crueldade e beijos deliciosos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eternamente...

Eternamente..
.. é ter na mente
o infinito.
Eternamente,
na mente mente o impossível.
Eternamente,
e ternamente
o Amor sabido.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A dança...

(...) e eu acho tudo isso muito engraçado, do avesso, colorido. Por tantas vezes tentei entender mas não entendi. Por tantas vezes eu queria ficar, mas aí eu parti. Então desisti. Passei somente a sentir. Sentir a vida se fingindo de vento pra soprar doçura no rosto. Sentir a esperança se fantasiando de sol pra tocar minha janela. Sentir o tempo se vestindo de noite pra tornar mais doce o nosso encontro. Sentir o que não entendo, mas celebro. Convidando a vida pra dançar comigo, colada ao meu corpo... e à minha Alma.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Girar...

(...) eu já me agarrei às ilusões como se pudesse descansar no horizonte; converter mentiras em verdades, ou pesadelos em sonho bom. Fui de me encantar com tantos reflexos e esquecer de mim; ocupando-me com quadros sem querer saber de artista; esquecendo da vida ignorando o tempo. Consumindo a Alma por caminhar sofrendo. E agora, abro mão da lembrança em troca de qualquer novidade, e do mistério no lugar de qualquer segredo que me distraia. Troco o aconchego de um abraço pelo calor do sol; o beijo na boca pelo caminhar no pasto; um elogio pelo cantar dos pássaros. Esqueci do teu perfume ao me embriagar com as flores; esqueci das tuas cores ao me enamorar com a escuridão; esqueci de entender saudades quando me deixei apenas sentir. E qualquer leve sintoma de emoção hoje me comove e me renova e surpreende com as mesmas esquinas e ruas que levam o teu nome. Por isso deixei cidade pra me encontrar no céu, onde confesso estrelas e tempestades, nuvens e barulhos que o vento carrega à espera de saber qualquer silêncio que me abrigue. E então me encanto com qualquer poesia nos olhos, uma atenção dispensada ou um sorriso nos lábios a me convencer buscar-me inteiro, ainda que eu parta, minta e desminta o meu querer. Ainda que acabe todo comigo. Sou tão medroso que me satisfaço com um amor inventado; mas também sou destemido por viver só no amanhã, onde me enfeito com alguma cor que eu goste ou um acaso onde eu possa escolher as falas, mesmo que eu repita o mesmo roteiro e os mesmos erros. Evito sofrimentos no carrossel dos dias que passam sem me levar a lugar nenhum; mesmo que o mundo não pare de girar.

sábado, 19 de novembro de 2011

Sem lugar para você...

Você que adora apontar erros nos outros e, quando não os encontra, resolve inventar, despeça-se e não volte mais. Você que não consegue desprender-se da comparação com o outro e inveja tudo aquilo que o vizinho tem e você deseja, dê seu prefixo e saia do ar imediatamente. Você que só sabe ver maldade nos outros porque se nega a enxergar a sua própria, não precisamos mais dos seus serviços. Você que delira achando que o mundo inteiro está contra você e, justamente por isso, não consegue ser amigo de ninguém, siga seu rumo sem olhar para trás. Você que fura a fila da vida achando que pular etapas é uma baita vantagem, vá e não volte. Você que só enxerga o lado de fora e ainda teoriza sobre ele achando que isso faz de você um intelectual, risque-nos da sua listinha. Você que é incapaz de amar alguém e ainda machuca quem lhe oferece afeto, suma sem deixar telefone e endereço. Você que mente até acreditar e não se responsabiliza pela própria mentira quando ela dá errado, vá pregar em outra freguesia. Você que se faz de vítima para manipular quem lhe quer bem, nem perca seu latim. Xô, você que não consegue ser feliz e repudia a felicidade dos outros. Esqueça que existimos. Livre-nos do seu vodu, mau olhado, bad vibe, inveja, má influência. Aqui a coisa é diferente, aqui não alimentamos a doença de gente do seu tipo. Aqui não tem lugar para você.
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(Alex)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Inverno...

O Amor que você roubou quando fugiu pra longe sem me avisar, quando você pôs fogo em tudo sem daqui me salvar, transformou Deus no diabo, virtude em pecado, encanto em descaso e meu sossego em rancor. Corri do eterno a me entregar pra dor que restou pela teu partida; e nas veias hoje corre o veneno que me castiga a querer te castigar também e te cobrar pela despedida. Rasgo a pele com doçuras e me sufoco entre os tantos sonhos que colhi no teu abraço. Por ora escolhi coloridas ilusões a enfeitar a vida cinza que me alivia do desgosto; protegendo-me da luz que me aponta pra qualquer amanhã sereno. O céu infinito esmaga o peito com o peso das estrelas no árido deserto que chamo agora de sentir. E no caminhar sem rumo e sem jeito, nas lágrimas mato a minha sede. Teu abandono ainda me fere nas notas mais agudas e os teus erros, ecoam na minha memória nos mais vivos tons. Queria destronar o passado como página amarelada pelo tempo que desmentiu suas palavras, pois você arrancou da minha boca o sabor do sorrir e do meu corpo a leveza dos passos. Você despertou minhas sombras que no chão dormiam enquanto inocente eu confessava minha gratidão. Sou moribundo a ter querido morrer antes mesmo de você me matar; por isso, tornei-me a poesia da morte que sopram os lábios querendo calar tuas lembranças. Desconheces como a ausência tua arrancou meu coração do peito, e minha alma que por aqui restou, amor jamais poderá sentir novamente. Não há mais amargo que possa impedir o meu verão de chegar. Já é inverno.


"Por que o meu sofrimento não pode, pelo menos, ser dotado de alguma dignidade? Quando os outros autores sofrem, é uma coisa épica ou cósmica, ou então avant garde, mas quando eu sofro é palhaçada". (Erica Jong)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Morada...

É no céu em que nos encontramos quando saudade é sentida e pro alto levamos os olhos. É no céu em que sopramos os nossos mesmos sonhos. É no céu em que nos sabemos além daqui e os passarinhos namoram; em que as estrelas lá moram, a nos ensinar o infinito. É na terra em que meus pés descalços sentem o mesmo chão que o teu. É na terra em que espero tua mão encontrar com a minha. É na terra em que a espera em te encontrar caminha. É no horizonte onde liberdade faz morada. Na morada do Amor, encontro nós dois de laços e a vida de cama macia. Lá mora a minha cor, namoram os olhos que se conversam. Em que dois são um, todo o resto é nenhum porque nada além, só aqui. Fluído é o que forma foi e presente é, somos rio a desaguar no mesmo encontro em um só nome e verbo que confessa: há mar.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre a doação...

A mais importante esfera de dar, entretanto, não é a das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza — de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa, valoriza-lhe o sentimento de vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado à vida reflete-se de volta no doador; ao dar verdadeiramente, não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno. Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu.
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(Erich Fromm)