Os olhos piscavam rápido. Respiração era atropelo. Ansiedade era cúmplice de procura qualquer por alívio que a fizesse encontrar, ou simplesmente esquecer. E entre palavras e enganos, suspiros, desencantos, sonhos e tortos planos, percebeu ela que havia algo além das longas conversas de adocicados nadas, copos meio cheios, intenções todas vazias e convites para festas de fim de semana. A vida acontecia além do amanhã, no aqui, que cobrava sua atenção, e no agora, que gritava intensidade decifrando-a nos encontros e momentos que lhe brindavam olhos fechados; e no silêncio a sussurrar suas verdades e denunciar seus sentimentos. Eram instantes de vontades, mergulhos e desejos que traçavam seus caminhos e seu próprio rosto. Sentiu que aconchego não era questão de quando e nem de sonhos. Desenhou o seu presente se tornando parte dele. Cuidou bem das sementes sem esperar por flor. O desapego das suas respostas calavam suas perguntas e esperas; era então chave da sua liberdade a ecoar pela sua vida inteira.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sabida...
Você é linda; muito linda. Por dentro. O que me cabe é te lembrar disso. E por fora, bem... por fora você já sabe.
domingo, 30 de outubro de 2011
Refletir...
Quando insegurança pula a janela, a gente acha que vê, mas a gente só vê os reflexos do outro, e não o outro. E não se sabe se o que vemos é mesmo o outro ou o nosso próprio refletir.
sábado, 29 de outubro de 2011
Fé...
A fé será meu suave manto;
Que forte deixará a caminhada;
em que não me alcançará portanto,
o desânimo a me deixar em pranto,
e um amanhã a me brindar com nada.
Que forte deixará a caminhada;
em que não me alcançará portanto,
o desânimo a me deixar em pranto,
e um amanhã a me brindar com nada.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
As 3 coisas...
Existem 3 coisas que sufocam a nossa Alma. A vergonha, a culpa e o medo. E o curioso é que são as três visitas que nunca aparecem lá em casa quando o Amor se faz de hóspede.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Escritora...
Seus olhos desnudam meus contornos da Alma que eu mesmo não vejo, e os teus passos, decifram caminhos da vida que eu mesmo não sigo. Você nem me conhece e me virou todo do avesso. Você sabe de mim mais do que me conta o espelho. Porque teus erros falam dos meus. Teu sofrer expõe o meu sofrimento. É você quem se corta e quem sangra sou eu. É você quem confessa e sou eu quem grito aquilo que de mim tanto escondo. Saiba: tuas entrelinhas são as verdades escancaradas da minha vida, pois teu perfume lembra o meu sorriso; teu canto lembra a minha voz; tua lágrima, meu pedido de perdão. Intérprete dos meus silêncios, és raridade quando tua vida traduz a minha inteira nas palavras escritas. E você me sabe, como se houvesse me lido, com ênfase nas notas de rodapé, meus rituais e contradições, minhas cores e desacertos. É você quem me põe na parede quando desvendas minhas crenças que ninguém mais percebe, inclusive eu. Quando me diz que sou antagonista de mim mesmo. Quando me diz que coração é nau que carrega todos os meus amores. E você, você é oceano. Em que encontro meus tesouros e meus abismos. E assim você costura meus capítulos, seja eu mocinho, bandido, santo, pecador, galã, feioso, herói sem caráter e todos os outros detalhes que só fazem parte do meu show. Ainda que eu seja o ator das minhas escolhas, parece ser tu autora das minhas falas. Quando me jogas na frente do público de improviso. Quando me convida pra peça que a vida me prega. Eu leio minha Alma com tuas palavras; pois sabes tu meus monstros e cores, todos pelos nomes. E eu nem ao menos sei quem você é. O que sei é teu ofício ser poesia. Tua vida, escritora. É o que faz para (sobre)viver.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Inesperado...
Quando a gente menos espera amadurecer, e cansados desistimos do plano, aí então crescemos. A Vida não faz força para ser, o sol não faz força pra nascer, a grama não faz força pra crescer, o peixe não se esforça pra nadar. E raiz não se esforça em se firmar e permitir que árvore bonita alcance as alturas merecidas. Quando deixamos de olhar pra trás, percebemos o quanto já caminhamos. E no céu chegamos sem esperar subir.
Maçã do amor...
(...) e ele vive por aí, preenchendo-se de vazios com seu charme peculiar. Reúne em sua agenda, telefones, aventuras e romances, bem como lágrimas e solidão sentidas ao final de cada noite; mas elegante que só ele. Alimenta o desejo e o imaginário de cada uma delas com os capítulos mais interessantes de toda uma história que gostaria mesmo é de esconder. E com sua irresistível presença, sentia-se um zé ninguém. E com todo o seu carisma, sentia-se um miserável. E com todo seu encanto, sentia-se amaldiçoado. Desmentia o espelho o seu sofrer antes de cada festa; lembrava-se dele no árido silêncio da sua casa. Altivo e garboso, era ele uma armadilha; a colecionar sorrisos, cinturas, perfumes e nomes em seu coração empoeirado, por dentro. Por fora era a mais bonita maçã do amor.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Lógica...
(...) e na lógica da sedução, enfeitou o corpo de encontro e a pele como linguagem. A língua como convite. Tomou do vinho e do desejo; o gemido a voz da alma; no sexo, o seu diálogo. O lençol era descanso na madrugada que amanheceu silêncio. Amante mercador de promessas; carregou consigo todos os seus amores. Desnudou o corpo mas não se revelou inteiro. Olhos que amam porque fechados; encontros marcados porque carentes. Não soube o coração escolher os seus caminhos; prazer era seu único mapa; álcool era o seu único desapego. Armou o descaso, amava o passado, retribuia vazios, sofria calado, sorria mentindo a semear ilusões por cada porta que cruzava. E na lógica avessa do esquecer, trilhou a ponte entre as saudades e o amanhã; sem jamais chegar. Sabia incensos, velas, seda, perfumes, pegadas, ritmos e cor das cortinas. Só não sabia mais de si.
"Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa no silêncio dos últimos ramos. Isto era o destino: chegar à margem e ter medo da quietude da água". (Antonio Gamoneda)
"Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa no silêncio dos últimos ramos. Isto era o destino: chegar à margem e ter medo da quietude da água". (Antonio Gamoneda)
Dispensa...
O Amor é tanto e tudo que dispensa qualquer palavra, mas dá um cadinho de vontade de dizer qualquer coisa, só pra agradecer.
domingo, 23 de outubro de 2011
Ensinamento...
Dizem os místicos que uma árvore só é árvore porque os olhos do homem a veem. Não havendo nenhum homem, nem seus olhos para dar realidade à árvore, ela nada seria. A vida só é vida porque a vivemos. O Amor só é Amor porque o sentimos. Assim, você é porque eu sou. E eu sou porque me sabes; não sabendo de mim, eu também nada seria.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Sobre o poeta...
O poeta é místico e palhaço, que carrega nas cores a própria sombra. Que se faz verbo e se faz vento; amante do saber que na beleza se veste de palavra e a ressalta nas entrelinhas. O poeta é o sábio pecador, que nas paixões se entrega, aos seus excessos e intensos em que nelas busca o seu sagrado; santidade que apenas as palavras conferem. O poeta se faz além dos sentidos para que os olhos possam saber. O poeta é hábil em raios de sol e laços, silêncios e dores. O poeta é terapeuta que a si espera receber alta, mas que nunca se cura. O poeta é o algoz distraído de suas prisões que aos outros convida visitar. O poeta é o pássaro mestre que ao céu leva os outros a conhecer. O poeta é árvore que carrega muitos frutos, e neles suas sementes. O poeta é o mais sincero mentiroso e o mais ardiloso dos videntes; pois ensina com jardins, belas virtudes. Que demonstra com o Amor, suas verdades. Que aponta no infinito, a nossa Alma. Serve-se do poeta a poesia, que nos deságua a saber o que não se sente e de sentir o que se busca. Fala o poeta sobre o possível a se refletir no real, a lua que se espelha no oceano. Não posso tocar a lua no silêncio de suas águas, mas através dela entendo o firmamento. O poeta expressa suas impressões assim como o vento dá jeito e forma aos desertos. O poeta é pai e também o filho de suas obras; e aquele que nelas mergulha, gratidão compartilha. Seu lírico vive todos os amores do mundo e morre por todos eles; e em si renasce porque poesia é verbo caminhante. Poesia germina e floresce. O poeta é gênero; e poesia, o seu princípio.
"O poeta é uma mentira que sempre diz a verdade". (Jean Cocteau)
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