Insegurança é o convite pra cabeça se fazer presente quando a gente está feliz; lá na festa do boicote. Porque é na felicidade que a gente precisa menos da mente e mais do coração e, quando cabe mais sentir do que pensar, a insegurança aparece como uma bela desculpa pra nem tudo sair como queremos, por nossa própria conta.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Hóspede...
Amor é hóspede que nos faz jogar a chave de casa fora pra nos trancarmos dentro juntos, esquecidos do mundo.
Respostas...
As perguntas, muitas vezes, levam-nos ao final do arco-íris como às ruas sem saída. As respostas também.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Costume...
A gente costuma se preocupar por coisas que na maioria das vezes não acontecerão, e chorar por coisas que já não existem mais.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Ironias...
Ao longo do tempo deixamos em brasa na pele os nossos apegos e sombras, contradições e mágoas; marcas profundas do nosso tamanho que dóem com sopro qualquer que nos balance. Pois são os contornos das nossas dores que nos devoram e nos derrubam, porque ainda sangram. E só Deus sabe quando alma cicatrizará as chagas, e o passado. E só Deus sabe quando cicatriz não vai mais doer, e o amargo sairá da boca, sairá da pele e do coração; sairá da memória. Deus nunca nos disse que a vida seria justa, e nem que seria fácil. Acreditar nisso é apenas mais uma ilusão marcada na pele; muleta de frágeis esperanças; um falso descanso entre as perturbações. Atente ao fato de que a vida é feita de alternâncias. Que nos convida ao céu azul e logo depois ao precipício. Que nos pede por semente e nos deixa chorar flor esmagada. Que nos ensina e nos reprova nos velhos novos amores que buscamos. Que nos distrai das dores com outras maiores ainda. Que nos mata a sede com inundações. Que nos rasga inteiro quando também nos costura. E entre as ironias e doçuras que nos cortam e nos acolhem, que ardem mas também nos fortalecem, as cicatrizes passam a contar aquilo pelo qual não se deve mais sofrer; quando dor educa quando deixou de doer; quando levantar depois da queda nos faz escolher outros caminhos. Cicatriz é a renúncia da ferida; e o acerto só aparece quando erro já saiu da festa, depois de tanto aproveitar. Não sofre aquele que já morreu de tanto sofrer e hoje renasce no céu de dentro.
“Tomarei contra minha alma o partido da desesperança e me tornarei o inimigo de mim mesmo”. (Emil Cioran)
“Tomarei contra minha alma o partido da desesperança e me tornarei o inimigo de mim mesmo”. (Emil Cioran)
sábado, 15 de outubro de 2011
Futuro do pretérito...
Eu queria saber o que escrever enquanto você se ocupa com a vida que pede tua presença e nem desconfia das minhas vontades. Eu queria saber o que dizer a você que transbordasse carinho e gratidão; saber dizer alguma coisa e qualquer coisa que pudesse te acolher e te embalar, e que esse querer pudesse olhar nos teus olhos com sorriso de fazer o céu mais azul. Eu queria saber você, saber mais perto, pra poder me fazer todo presença, com tudo o que sou, fazer poesia com a boca, fazer silêncio com os olhos e com as mãos dizer qualquer coisa de cafuné. Saber você sorrindo, tomando café-da-manhã comigo, conversando sobre qualquer coisa que seja bom pra nós. Eu queria ser promessa, ser canção, paixão, mel, biscoito, tinta, papel. Ser todo entregue à tua vida seria o único jeito em que poderia agradecer. Queria ser qualquer palavra que se ache no dicionário de bom e bonito que pudesse combinar com teu nome. Apesar dos pesares e da distância, das saudades, tristezas e do desânimo que às vezes se assomam e nos assombram como se pudessem ser hóspedes da nossa casa, queria dizer que você pode descansar em mim e se acolher; e se derramar; que serei ouvido, olhos, colo, paisagem, cheirinho, massagem e que também quero envolver você em bolinhas azuis de tranquilidade. Eu queria saber confessar minha história, minhas doçuras e amargos, enlaçar você pra mais perto e não te fazer correr nem se assustar com espinhos de flor que só querem perfumar. Porque eu quero te fazer mais leve, mais suave, mais plena; levar teu coração pra passear, segurar tuas mãos, fazer graça e sonhar acordado, fazendo você respirar macio. Eu queria ser mais do que sou, porque contigo ser menos não dá. E você me merece por inteiro. Porque nós merecemos o inteiro. Eu queria poder contar aquilo que sua Alma bem conhece mas que por hoje esqueceu; contar aquilo que não cabe no poema mas que se lê nas conchas do mar, nas cestas de flores, na cadeira de balanço, no perdão e no abraço. Qualquer coisa que te fizesse entender o meu Amor.
"Levai tudo: o brilho fácil das pratas, o acre toque das sedas. Deixai só a incomensurável memória das labaredas". (A.M. Pires Cabral)
"Levai tudo: o brilho fácil das pratas, o acre toque das sedas. Deixai só a incomensurável memória das labaredas". (A.M. Pires Cabral)
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Reprovação...
Se o Amor é aprendizagem, eu sou o verbo. Se o Amor é lição, sou eu os olhos. Porque amar me cabe, se és tu quem me ensina. Do meu sofrer eu não reprovo mais.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Sonhadora...
Dizia ela amar aquela menina sonhadora que por vezes encontrava no espelho do seu quarto. Amor era verbo vivo no reflexo e hoje preso no passado; porque menina odiava não mais conseguir sonhar. Ignorava que não mais sonhava por amor se encontrar dormindo. Havia ela se esquecido como seria novamente não precisar dormir para se sonhar. Sonhar sem medo. Porque o que lhe restava era pesadelo como enfeite no quarto que tanto a assustava e a deixava presa na cama, impedindo-a de caminhar serena no jardim de si. Acostumou-se com monstros e frustrações que a convenceram a ficar por ali, sem sal, sem gosto, sem vida, sem novos capítulos e voos mais altos. Mas quando faminta se alimentou de surpresas e novidades que colheu, lembrou que arriscar era mais vantajoso e prudente do que se encolher. E aí, menina voltou a sonhar.
Salvos...
Se os pensamentos combinassem sempre com os sentimentos e estes, com aqueles sempre se correspondessem, as pessoas estariam completamente perdidas, ou definitivamente salvas.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Sobre a poesia...
Poesia é caso de amor entre o espírito e as palavras; jeito do coração dizer ao outro a sua prece. Poesia é declaração nua da beleza que dela nem todos entendem. Pois são as pessoas, desavisadas dos olhos; não entendem por não se afinarem com as entrelinhas. Eu falo por elas e por elas me faço. As palavras são todas emprestadas do silêncio, que uso a confessar meus sopros vestidos de ideias, minhas alegrias e tempestades. E ainda que poesia não fale de mim, nela deixo meu perfume em cada verso; nela traço um mundo meu em cada letra. Poesia é tecelã habilidosa em costurar o sentido da doçura e da sutileza na vida nossa. Gosto de pensar que sou seu aprendiz. Poesia tem um papel de ponte, levando os olhos à Alma, as cores pra dentro e a vida pra fora. Poesia é igualmente o barro do artesão, a tela do pintor, o rasgar da semente, o parto de toda mãe, o prazer da criação, o êxtase do amor. Oficio sagrado este de traduzir a verdade e seu avesso que se escondem nas sílabas, a loucura e o saber que habitam as criaturas, o céu e a terra que se conversam em cada horizonte, a vida e a morte que se permeiam em cada um de nós. Abençoado ofício; nobre e inevitável destino. Afinal, existem os sãos, existem os vãos, os loucos e os normais. E existem os poetas.
"Eu fui poesia, antes de tudo". (Priscila Rôde)
Possibilidade...
As pessoas só podem dar aquilo que elas tem, e dão de acordo com o que compreendem.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Samsara...
O monge perguntou ao Mestre:
“Como posso sair do Samsara?.”
O Mestre respondeu:
“Quem te colocou nele?“
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(Conto Zen)
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(Conto Zen)
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