
Saiu para buscar sua paz e nunca mais voltou; não porque a encontrou, e sim porque ainda não a viu, nem sentiu, nem sorriu. Só chorou. E depois de tanto matar, de tanto chorar e de tanto sofrer, decidiu ele morrer. Morrer sem paz. Morrer aflito, sem saber como morrer. Sem saber como salvar; sem saber como nascer. Culpou semente que não vingou; sol que não nasceu; coração que não bateu; má sorte que escolheu; palavra sua que amargou. Não soube ele viver; logo, não soube também morrer. Sem saber como amar, sem saber como nascer. Só soube ele doer, não soube ele doar. Saiu para buscar seu Amor e nunca mais voltou; não porque (não) o encontrou, mas porque correu, partiu, sentiu, mordeu, espantou. Só chorou. E depois de tanto somar, de tanto apanhar, de tanto bater e de tanto sofrer, decidiu diminuir. Seu brilho, seus dons, o seu perdão. Escolhas todas em vão. Escolheu sem paz. Escolheu aflito. Escolheu aflição, medos, feiúra, frustração. Não soube amar; logo, não soube ele viver. Conseguiu um pouquinho agradecer. Pelas pontes, pelos laços, carinho, entrega, ternura, abraços. E por não saber como renascer, escreveu seu epitáfio. Porque ele parte, porque ele foge; porque ele morre e você continua; a florescer, a encontrar o que ele ainda não encontrou. Por isso escreve ele todo o dia seu epitáfio; todos os dias uma nova morte, por planejar ainda renascer, amar, viver. Passou a escrever para fugir, e para se encontrar. Para sofrer, e para se curar. Para Amar, e também morrer. E depois de demais sofrer, um dia quiçá, em paz poder descansar. Saber viver, saber amar; e florescer, ao semear. Reinventar, o amanhecer. E no Amor, ressuscitar.