quarta-feira, 6 de julho de 2011

Faxina...

Um dia desses, peguei meus medos e histórias; minhas culpas e memórias, espalhadas todas no velho chão de minha casa. Um dia, descolei hipocrisias e invejas, raivas e egoísmos, perdas e ocas vitórias, todas presas nos cantos e frestas do meu coração enferrujado. Poli máscaras que colecionei ao longo dos anos para doar ao antiquário. E aquelas rachadas que descobriam parte do meu rosto, valeram mais ao novo dono do que outras inteiras e não entendi razão. Um dia juntei minhas intrigas e novelas, meus desdéns e desatinos e joguei todos na fogueira que fiz no quintal-de-mim. Um dia, recolhi minhas vergonhas e receios, crises e aflições, ciúmes e tristezas, todas elas amarrotadas atrás dos meus (in)cômodos antigos. Quebrei minhas correntes como quem desamarra laços de um presente esquecido. Um dia separei joio do trigo, vícios de virtudes e me livrei das traças de emoções baratas a corroer minha sanidade e devorar minhas doçuras. Troquei meus falsos tesouros, gaiolas vazias e velhas crenças por espaços livres entre os suspiros. Arranquei pela raiz minhas mágoas e ressentimentos no jardim de aflições que a contragosto cultivei. Lavei meus sonhos e planos com bastante água e sabão. Passei um pano nas lembranças a me dar gastura e a me prender no passado doído. Doei carapuça que me servia pra brechó do nunca. Esvaziei os porões da consciência de tralhas e traumas, desculpas e truques. Troquei as velhas fechaduras da solidão e abri as janelas para a leveza irradiada. E assim, mudei a folha do calendário do meu ano velho; a decorar quarto de hóspedes para o Amor descansar sereno. Um dia, fiz faxina aqui dentro e tudo ficou mais bonito lá fora. 


"Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja". (Chico Xavier)

terça-feira, 5 de julho de 2011

E o mar...

A última gota no copo, é onda. 
E o mar.. .. 
o mar é encontro!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sobre a sintonia...

Sintonia acontece quando a gente põe coração um na frente do outro fantasiados de espelho. Quando primavera e outono se apaixonam. Quando impressão é certeza. Quando se sabe dois; ou quando se sabe o mesmo. Sincronia, sorte, dois patinhos na lagoa. Insight, dejà vu, andorinhas que juntas fazem verão. Acontece nos olhos que falam o mesmo silêncio, nos sorrisos que confessam os mesmos desejos, nas vidas que costuram o mesmo momento. Sintonia é mergulho e vôo que se abraçam. Verdade em par daqueles que se arrepiam juntos, sentem o mesmo e bebem do mesmo poço. Sudito e rei como amantes; reino e nobreza como amados; ressoando amores em qualquer direção, e que se encontram em qualquer lugar. Sintonia é também doer junto, amar junto, ser inteiros, ser um: são. Comunhão. Sintonia é canção que canto mas que só teu coração escuta. Identidade dos suspiros, harmonia das almas, afinidade dos passos. É o jeito manso que a vida dá para aproximar bocas que se aguardam. Sintonia é Amor confesso nas entrelinhas do óbvio. E o óbvio se torna bem mais claro quando olhos e coração afinados se sintonizam.

domingo, 3 de julho de 2011

Além das palavras...

"Dentro deste mundo há um outro mundo impermeável às palavras. Nele, nem a vida teme a morte, nem a primavera dá lugar ao outono. Histórias e lendas surgem dos tetos e paredes, até mesmo as rochas e árvores exalam poesia. Aqui, a coruja transforma-se em pavão; o lobo, em belo pastor. Para mudar a paisagem, basta mudar o que sentes; E se queres passear por esses lugares, basta expressar o desejo. Fixa o olhar no deserto de espinhos. - Já é agora um jardim florido! Vês aquele bloco de pedra no chão? - Já se move e dele surge a mina de rubis! Lava tuas mãos e teu rosto nas águas deste lugar, que aqui te preparam um fausto banquete. Aqui, todo ser gera um anjo; e quando me vêem subindo aos céus, os cadáveres retornam à vida. Decerto viste as árvores crescendo da terra, mas quem há de ter visto o nascimento do Paraíso? Viste também as águas dos mares e rios, mas quem há de ter visto nascer de uma única gota d'água uma centúria de guerreiros? Quem haveria de imaginar essa morada, esse céu, esse jardim do paraíso? Tu, que lês este poema, traduze-o. Diz a todos o que aprendeste sobre este lugar".
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(Jalal-ud-Din Rumi)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Sofrimento da flor...

O jardim era sua terra-natal. Suas lágrimas, orvalho. Perfumes, ofício. Suas cores, fantasia. Seus espinhos, proteção. Mal sabia Rosa o que a nutria por debaixo da terra, dos panos e dos seus próprios olhos. Mal sabia Jasmim que por suas raízes alcançarem terra abafada, podia ela se erguer alta e livre a tocar o céu. Tinha medo Margarida de perder suas pétalas arrancadas pelo vento forte, pela mesma razão de também poder dançar inteira sob o sol ou sob a chuva. Sua nudez não era pecado, mas sim entrega. Não sabiam então que, quanto mais elevadas se faziam, mais frágeis também se tornavam. Antes, sofria a flor que se via pedra, chorava limo e que não se reconhecia Rosa, Jasmim ou Margarida. Quando  aí souberam que suas fragrâncias e cores seriam as mesmas em qualquer paisagem; quando descobriram que seriam plenas ainda que os olhos do homem não as contemplasse ou borboleta elegante ali não repousasse. Quando visita não foi mais espera; e quando as estrelas no céu lhes foram suficientes, o inverno por elas passou e aí sim, souberam que sementes eram sonhos; fragilidade era força. Primavera, recomeço. E suas dores, florescimento.


"A abelha traz o mel, como a alma traz a luz". (Victor Hugo)

Vertigem...

"Reduzistes o meu universo a pedaços que navegam no espaço sem sentido, vertiginosamente, enquanto eu guardo beijos no céu da boca para encher a tua noite de estrelas..."
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(Albino Santos)

Corrigir-se...

"Uma pessoa pode e deve corrigir-se, mas não de acordo com uma norma que seja externa a si mesma, mesmo que seja a mais perfeita das normas. Ela deve corrigir-se somente em sintonia com a maneira que ela é em si mesma".
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(P. Florensky)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pessoas...

"Algumas pessoas nasceram para ficar sentadas junto ao rio. Algumas são atingidas por raios. Algumas têm ouvido para a música. Algumas são artistas. Algumas nadam. Algumas conhecer botões. Algumas conhecem Shakespeare. Algumas são mães. E algumas pessoas dançam".

(Do filme, O curioso caso de Benjamin Button.)

Esforço...

"É a consciência que traz a mudança, não o esforço feito por você. Por que isso acontece por meio da consciência? Porque a consciência muda você, e quando você é diferente o mundo todo é diferente. Não é uma questão de criar um mundo diferente, é apenas uma questão de criar um você diferente. Você é o seu mundo, então se você muda, o mundo muda".  

(Osho)

Assim como...

"A gente batalha tanto pra perder a inocência e finalmente enxergar as coisas com clareza, que nos permitimos endurecer durante o caminho para finalmente alcançarmos este estado. Nem tudo que a gente conserva de puro merece ser abandonado. Assim como os anos não anulam o que já foi vivido, a maturidade não anula o que já foi sonhado!"
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(Fernanda Gaona)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não te rendas...

"Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos".

(Mario Benedetti)

Visões...

"Entrava no local dos sonhos por um caminho muitas vezes percorrido, e regressava com grandes precauções para que as tênues visões não se despedaçassem contra a luz áspera da consciência."
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(Isabel Allende)