Quando levar o vento todas as minhas vestes, de cores e detalhes a me distrair e adoçar meus sentidos, verei então o preto no branco e o cerne cru das coisas que, pelos seus contrários, escureceram o coração minha vida inteira. Quando vier o tempo a me cobrar semeadura neste jardim de delícias e aflições, trarei à mesa da Justiça o pão que reparti, mas também o vinho que só eu bebi, a me embriagar de exigências desmedidas e a reclamar falsos prestígios. Dos pecados que carreguei e do perdão a quem neguei, sopro aos ouvidos da morte, pedido de recomeço nas vinhas do Pai, a me fazer mais lúcido diante da Vida próxima. Assim, tomarei meu refúgio na luz que mora dentro e que por hoje se esqueceu de ser, revelando o mais além e atemporal, onde calam os símbolos e as palavras a entoar doce canto e magno plano que se realiza em nós e que só a Alma vê: O amor como quintal a me deixar ser criança pela inocência no esquecer; como bom jardineiro quando me cortar no espinho da rosa bonita e também como bom ouvinte, a contemplar tantas versões da Sua história contada pelo Sol, pela Lua e por todos nós que por aqui passeiam.
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Sobre meninos e meninas...
"E eu que não sou Deus, que nem sou poeta, tão pouco sou destino ou uma destas coisas sobrenaturais, eu que não vento pra sussurrar palpites e arrepios, eu que só escrevo um menino nestas linhas retas, te digo menino: que nuvem linda e alta esta que tu voa, que menina mais bela esta que tu ama, que nos cantos dos olhos tem lâminas, que te deixam menino, aos pedaços, que menina mais graça esta menino, que tu traz nas pontas dos dedos em carinhos marotos, que eu trago nas pontas dos dedos a cada letrinha que eu cato neste teclado falante. E eu que nem sei de nada, que nem sou vivido nas coisas do amor, eu que nem fogo, paixão eu nem vi, te digo menina: que sonho doce e real é este que tu mora!deste menino sonhador, menina poesia, deste menino criador, menina criatura, o meu menino te ama menina, te ama, e eu que só escrevo e leio e tento frases e penso textos, não sei bem quando te deixei sair dos meus texto pra virar possibilidade. E eu que não sou pretensioso, que nem tenho todos os sorrisos que este menino e esta menina merecem, que não sei nada de profecias, tão pouco de ser incondicional, eu que nem sei ser óbvio, e nem sei ser utópico, eu que nunca andei em círculos, eu, só te digo menina: o impossível não existe pra quem sonha, mesmo pro menino que suspira tentando imaginar o gosto do beijo, mesmo pra mim que suspiro tentado escrever pra vocês dois, um final feliz." (Rafa Feck)
domingo, 27 de março de 2011
Primavera...
"Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa num rochedo inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter lançado punhados de silêncio e monossílabos de desprezo a meus amores; depois de ter esquecido meu nome e o nome da minha terra natal; depois de me ter condenado a perpétua espera e a solidão perpétua, ouvi contra as pedras de meu calabouço de silogismos a investida húmida, terna, insistente, da Primavera."
.
.
(Octavio Paz)
sexta-feira, 25 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Cantinho...
"Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dela são iguais." (Emily Brontë)
Delicadeza...
"Delicadeza é aquilo que nos alcança sem nos tocar. É a melodia que nos embala mesmo em silêncio. É quando a boca empresta um sorriso aos olhos sem que nenhuma cobrança seja feita e os sentidos se misturam sem que ninguém dispute o melhor espaço. Delicadeza é ter pensamentos e atitudes em harmonia. É atingir o outro sem que ninguém saia machucado. É quando você é seduzido por algo que vem de dentro e dividir ajuda a somar!"
.
.
(Fernanda Gaona)
sexta-feira, 18 de março de 2011
Paradoxo...
(...) antes, perdia mais do seu precioso tempo nesta terra tentando consertar as coisas do que chutando o balde. Daí aprendeu que, ao chutar o pau da barraca não lhe doía o pé, tampouco a consciência. Visto por aí como incoerente, deslocado, tresloucado e paradoxal, tecia ele no silêncio reflexo do lento progresso interior, tênue linha a juntar dentro de si, a síntese entre saber, ser e agir. Seus erros e escolhas equivocadas eram parte do inevitável: o caminho como educador a conduzir sua própria Alma à liberdade. Vícios dizia não os ter: somente bebia e fumava ao jogar. Vinha perguntar em tom irônico se ressaca moral dava enjoos ou se havia garrafada que lhe curasse. Hoje, sai pra comemorar sua vida até no dia do índio, do bombeiro e do motorista de trio elético. Deixou de comer toda sorte de porcarias, inclusive pessoas. Saiu, dançou, pecou, salvou, ascendeu e apagou rastros de passado aflitante; tomou, deu, fez, omitiu e confessou, passando o rapa e o rodo, até então a secar as lágrimas das menininhas, com pretexto claro; depois para as suas próprias quando se via preso em sua prisão, ainda que apontasse aos outros a culpa pelo cárcere interior. Assim, após o cansaço da luta, sua verdade o libertou. Pra azia, antiácido. Pra dores de cabeça, foda-se; em alto e bom som a lhe botar novamente nas rédeas da própria vida, como lembrança do que vale realmente a pena despender energia e atenção, e do que não. Escreveu a alforria de seus vãos compromissos, na alma. Passava assim, a comer apenas o recheio do bolo, do mesmo jeito que extraia apenas o doce da vida. Celebrando, então, ambos, ao invés de um só: o sagrado e o profano, ao semear sorrisos e prazeres, incitar ideias nobres e desejos sujos, limpando-os todos, com bastante álcool e boemia. Conseguiu por isto, convite em todas as festas, inclusive pras do inferno, destino certo a lhe esperar, segundo alguns. Não se preocupava, gostava do verão.
Ruínas...
"Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias".
.
.
.
(Sophia de Mello B. Andresen)
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias".
.
.
.
(Sophia de Mello B. Andresen)
quarta-feira, 16 de março de 2011
Objetivo...
Com aquilo que conquistando, trouxera ao longo de sinuoso traçado de muitas vidas, passou a respirar mais fundo e a resistir diante das muitas batalhas a ele apresentadas. Colecionou pequenas e infindáveis vitórias ao derrotar suas sombras e seus inimigos. Sabia que era caminho sem volta a avançar, entre cenários e lutas, a enfrentar desafios e a desenvolver suas habilidades. Começava, então, a entender a trama que lhe era imposta. E com as mãos cansadas pelo trabalho do tempo dedicado, colhia suas glórias; a não lhe faltar contentamento. Chegara assim, ao chefão. A última sensação do vídeo-game. Sem usar nenhum continue.
terça-feira, 15 de março de 2011
Outra vez...
"É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu…
É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir,
e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem.
Sempre."
.
.
.
José Saramago
sábado, 12 de março de 2011
Prece de Cáritas...
"Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai forca àquele que passa pela provação; dai luz àquele que procura a verdade, pondo no coração do homem a compaixão e a caridade. Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito a consolação; ao doente o repouso. Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, a criança o guia, ao órfão o pai. Senhor, que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes. Piedade Senhor, para aqueles que não vos conhecem, esperança para aqueles que sofrem. Que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé. Deus, um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a terra. Deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e amor. Como Moisés sobre a montanha, nos Vós esperamos com os braços abertos, oh! Poder... oh! Bondade... oh! Beleza... oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte alcançar a Vossa misericórdia. Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós. Dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas, o espelho onde deve refletir a Vossa Santa e Misericordiosa imagem".
(Mme. W. Krill., ditado pelo espírito Cáritas)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Sereno...
Ainda que corresse contra o tempo, não mais se preocupava, pois, aprendera a se acalmar diante do inevitável e, também, a sentir a dor do outro ao invés, antes, da sua própria aflição. Através dos erros alheios, aprendeu assim a ser prudente, tornando-se sereno de ofício diante das tragédias e dos pequenos milagres do cotidiano revelados frente aos seus olhos. Por não haver tempo a se lamentar, abriu caminhos ao cultivar o bem. E sempre chamado diante das intempéries, não se julgava importante, embora entre incontáveis manhãs de chuva e noites de luar cor de prata, trouxera a vida, como também levara a morte. Era motorista de ambulância. Ganhava pouco.
Assinar:
Postagens (Atom)





