quarta-feira, 9 de março de 2011

Proximidade dentro...

"Que haja entre os casais mais reticências que pontos finais. Pela intimidade, pela cumplicidade os diálogos sejam curtos, abreviados pela fala de concordância do outro. Que ele faça parte da vida dela, não apenas seja uma parte separada da vida. Mas que sejam sujeitos complementares do verbo amar. Que haja comunicação, risos, bilhetes, emails, sms´s. Que haja acima de tudo, proximidade dentro".
.
.
.
(Luana Gabriela)

terça-feira, 8 de março de 2011

Livrai-me...

"Meu Senhor, livrai-me do ciúme! É um monstro de olhos verdes, que escarnece do próprio pasto que o alimenta. Felizardo é o enganado que cônscio, não ama a sua infiel! Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora".
.
.
(Shakespeare)

domingo, 6 de março de 2011

Incertas...

"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. (...) As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois 'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma. (...)"
.
.
.
-Fernando Pessoa-

sexta-feira, 4 de março de 2011

I Ching...

"Aquele que conhece a sua alma está imune ao temor e ao medo causado pelas coisas exteriores. Ele sabe que tudo é ilusório e por isto não se abala com a manifestação de força do mundo em sua volta, firme como uma rocha, seguro de seu poder, ele se mantém no caminho correto, pois não teme por sua segurança."

(I Ching - O Livro das transmutações)

Vivem dentro...

"Pegou a minha mão quando eu já não mais sentia. Segurou os pensamentos, o burbulhar das lágrimas ardendo no coração. Aquela ânsia esquisita, ele acalmou. Apalpava meu sonhos, me trazia o ar, trouxe o chão de volta para os meus pés. O dono daquele dia vazio, daquela noite tristonha, me fez crer que as coisas que vivem dentro de nós, não são ilusão. Apenas moram em outro lugar. Obrigada por me amar. Repetia o tempo todo, só pra acarinhar aquele amor paciente que me aceitou de roupas cinzas e sorriso sem brilho algum. Não é só gratidão o que tenho. É respeito e o amor mais puro e benigno. Teu sorriso devolve o colorido dos dias. Ainda que cansada eu fique de tanto acreditar em coisas que não chegam nem perto, tua presença em meu peito insiste em me dizer o contrário. Que não importa o tamanho da distância entre os braços, não importa a solidão dos nossos olhos, tenho a certeza que estaremos sempre juntos".
.
.
.
(Camila Heloise)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ato falho...

Por vê-la todos os dias passando frente à sua mesa, apaixonou-se. Assim, o trabalho se tornou prazer; suas metas, seus sorrisos; e seus projetos, sonhos a dois. Correspondido, todos os carinhos a ligá-los: por debaixo dos panos, longe das vistas de sua superior. "Onde se ganha o pão, não se come a carne", versava ela. Sabiam que os laços iam além dos sentidos. Sorriam de soslaio, olhavam-se em silêncio a cruzar recados, suspiros e vontades, desviando atenção. Ao final do expediente, à presença de todos, deixou ele de lhe contar o que contava o óbvio e, por mensagem de celular, confessou seus pecados e ternuras após a despedida. À noite, campainha a sobressaltar o coração e a lhe faltar o ar. Era resposta às suas investidas. De sua chefe, correspondendo. Errara o nome na agenda.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A casa dos infernos...

"A casa dos infernos tem espada de São Jorge num pote de margarina em cima da geladeira, uma planta comigo-ninguém-pode torta na sala e uma samambaia adornando a varanda. Lá fora, vemos duas garrafas pet cheias d’água no contador de luz. E um muro coberto de cacos de vidro. Na sala, uma foto de Jesus emoldurada que te segue com o olhar. Miçangas barulhentas penduradas dividem um cômodo do outro. No banheiro, a Playboy amarelada da Vera Fischer e outra grudada da Cristina Mortágua, denunciando outros tempos em que quem batia era o adolescente. Não o contrário. Na garagem temos um Chevette com o adesivo “A inveja é uma merda”. Num canto um pogobol. Relógio de parede da Ótica Diniz. Uma plaquinha na porta avisa: “Aqui mora uma família feliz”. Camisas de candidatos são usadas de pano de chão. Papel de presente forra as gavetas. Copo de requeijão? Muitos. O filho já plantou feijão no algodão. Na estante livros da Seicho-no-ie, uma Bíblia empoeirada onde a mãe católica esconde dinheiro e um elefante com a bunda virada pra porta. Jarra de plástico em formato de abacaxi, centenas de ímãs de geladeira temáticos e calendário de farmácia, açougue ou padaria. Um cachorro barulhento desconhece banho. Tem chinelo Rider e bolas de plástico presas no telhado. Quadros de copo-de-leite, pôster da Madonna e fitas da formatura do colegial em vários cantos da residência. Uma enciclopédia é escoro de porta. Tem uma tia velha que dá a previsão do tempo conforme seu reumatismo se pronuncia. Joelho doendo é chuva; Braço formigando é geada; E dor de barriga é tormenta mesmo. No quarto dos pais tem um cofre. E dentro do cofre, claro, a escritura". (Dino Cantelli.)

terça-feira, 1 de março de 2011

Saudades...

"(...) A saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais (...)
.
.
- Chico Buarque -

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conclusão...

"No curso dos anos ambos chegaram por caminhos diferentes à conclusão sábia de que não era possível morar juntos de outro modo, nem se amarem de outro modo: nada neste mundo era mais difícil do que o amor”.
.
.
.
(Gabriel Garcia Marquez)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Espelho...

"A morte é um espelho que reflete as vãs gesticulações da vida. Toda essa colorida confusão de atos, omissões, arrependimentos e tentativas -- obras e sobras -- que é cada vida, encontram na morte, senão sentido e explicação, um fim. Diante dela, nossa vida se desenha e se imobiliza. Antes de desmoronar-se e fundir-se no nada, ela se esculpe em forma imutável: mudaremos, para então desaparecer. Nossa morte ilumina nossa vida. Se nossa morte carece de sentido, então nossa vida também não tem sentido algum. Por isso, quando alguém morre de morte violenta, as pessoas dizem "ele procurou por isso". E é verdade, cada um tem a morte que busca, a morte que constrói para si mesmo. Morte de cristão ou morte de pagão são jeitos de morrer que refletem jeitos de viver. Se a morte nos trai e morremos da morte errada, que lástima: é preciso morrer como se vive. A morte é instranferível, como a vida. Se não morremos como vivemos é porque realmente não vivemos a nossa própria vida: não nos pertencia, como não nos pertence a má-sorte que nos mata. Diga-me como morreste e te direi quem és." (Octavio Paz)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vigia...

"O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence."

(Cecilia Meireles)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Você também...

"Eu te escolhi. Outros me olhavam, outros pareciam talvez até um pouco mais interessantes, mas eu escolhi você. Que esquisito, eu já havia escolhido outros outras vezes. Dessa vez tudo foi diferente, dessa vez não era tão simples assim, dessa vez havia um diferencial tão complexo: você me escolheu também".
.
.
.
(Maria Clara Machado)