Charmoso insensível, sabia bem da arte de capturar corações; e ainda que partisse alguns, tudo bem, outras mais conquistava. Por vezes falava das coisas bonitas do mundo; não porque eram bonitas em si, mas sim porque bonitas eram as pernas de suas interlocutoras. Refinado nos predicados sutis da eloquência, permeava-se pelos corações o seu intento. Colecionar aventuras e romances como diplomas a se gabar na parede de sua sala. Queria marcar territórios, ser aplaudido em todos os seus encontros, conquistar sei lá o quê. Exercia deste modo, a ditadura do carisma sem se deixar perceber, envolvendo toda e qualquer uma em seu labirinto de elogios; em armadilha emocional de colo e carinho. Sua lábia era seu mel e, resistir era inútil. Queria mais, e muitas e todas. Não apenas para saciar sua lascívia, mas para alimentar sua vaidade desmedida. Aproveitou-se assim, de multidões. Impôs todas suas vontades. Canalhocracia era sua política. Devia renunciar em breve. Havia de pagar.
"Política é a arte de servir-se das pessoas dando-lhes a impressão de estar servindo a elas".