quinta-feira, 9 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A vida é dukkha...
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Hoje, no café da manhã, eu comi bolo. E ontem eu aprendi que existe uma expressão em português: Quando você vai se encontrar com uma pessoa e ela não comparece, diz-se que você "ganhou um bolo". Imaginem que daqui a 500 anos, um arqueólogo encontre um diário de anotações de um brasileiro. Lá é dito: "Eu fui encontrar com Paulo e ganhei um bolo". O tradutor diria que eles comeram um bolo juntos! Esta é a armadilha das palavras, as quais têm um significado para uma época e cultura em particular. O mesmo se dá com alguns dos ensinamentos do Buda.
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Consideremos as Quatro Nobres Verdades, as quais estão no centro do ensinamento do Buda. A tradução usual das Quatro Nobres Verdades é: "A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é o Caminho Óctuplo".
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Isto está correto? De modo algum! Isto não é o que o Buda falou. Este é o problema! Vamos começar com a Primeira Nobre Verdade, que é sempre traduzida como "A vida é sofrimento". Mas que coisa horrível! Veja a vida! É uma força excitante e de grande diversidade, de inacreditável deleite. Por que, então, é traduzido como a vida é sofrimento?
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Vamos examinar a língua em que o Buda falava. O Buda disse, de fato, que a vida é dukkha. Esta palavra sempre é traduzida como sofrimento, mas isso não é de modo algum o que significa. A raiz de dukkha é duk, e significa "eixo". Veja a época do Buda: A forma mais complexa de transporte era uma carroça; era uma carroça de madeira, como é na Índia ainda hoje, com um eixo de madeira unindo duas rodas também de madeira, e puxada por búfalos.
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A palavra dukkha significava o eixo que está fora do prumo, que está fora de alinhamento. Imaginem o sofrimento de uma pessoa sentada nessa carroça, a força que os búfalos devem fazer e, ao invés da carroça seguir suavemente, ela está fora do eixo, desalinhada.
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Então, Buda fala sobre a vida - a vida de todos nós - usando o exemplo da carroça que tem seu eixo fora de alinhamento. Ele diz que nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento. Ele nunca disse que a vida é sofrimento. Este é um ponto muito importante. Nossas vidas estão fora de equilíbrio, ou, como os chineses falariam, não está fluindo junto com o Tao. Ambas as expressões significam a mesma coisa. Esta é a Primeira Nobre Verdade.
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A Segunda Nobre Verdade se refere à razão da vida ser assim, e isso é geralmente traduzido como desejo. Mas nós teríamos uma vida muito estranha se não tivéssemos desejos. Não é o que o Buda falou. A palavra que o Buda usou foi trishna e significa "sede". Nas palavras do próprio Buda isso foi descrito: "É como um homem vagando no deserto por muitos dias, sedento por água". Isso também é a sede do "eu quero" e do "eu não quero", e é por isto que todos nós sofremos.
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O que é este "eu quero" e "eu não quero"? O que isso indica? Significa que não estamos satisfeitos com este momento, "agora". Porque se estivéssemos "aqui" (Rodney bate no chão), não haveria "querer" nem "não querer". Simplesmente haveria este momento, agora. O Buda, utilizando-se deste exemplo, estava dizendo: "Esteja com este momento". O momento em que você quer ou não quer é o momento em que você deixa o agora, o momento presente, e aí, então, isso leva ao sofrimento.
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Então, esse desequilíbrio que temos faz com que nunca estejamos no momento e, não estando no momento, isso leva ao sofrimento. É muito simples. Agora você pode examinar a sua própria vida a partir dessas palavras.
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Mas o Buda não parou por aí. Ele nos deu uma cura para este "não estar no momento", este sofrimento. Esta cura é a Terceira Nobre Verdade, que é a verdade mais mal entendida de todas.
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Ele fala do Nirvana ou Nibbana, que é uma palavra que é usada em todas as línguas nos dias de hoje, mas ninguém sabe o que significa. A palavra é muito simples. Significa expirar, apagar - como apagar uma vela. Muito simples! O Buda apenas usava palavras simples, mas mesmo assim elas foram totalmente mal compreendidas, porque geralmente ela é traduzida como extinção do desejo. Correto? Não significa de modo algum isto.
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No tempo do Buda, a palavra nirvana, apagar, significava simplesmente isto: apagar. Mas havia uma grande diferença. De acordo com a ciência e a filosofia do Vedanta, quando você apaga uma chama, como em uma vela ou em uma lâmpada de óleo, você diz que a chama ficou livre. Quando você acende uma vela, você captura a chama, como se a colocasse numa gaiola. Então, em "nossa" idéia de apagar uma vela nós dizemos "extinguir" ou "matar"; mas, na época do Buda, apagar uma chama significava libertá-la. Da mesma forma como seu "bolo"; coisas completamente diferentes!
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Então, o Buda nunca disse algo como matar os seus desejos; ele falava da libertação ou liberdade deste apego ao "eu quero" ou "eu não quero". Quando você abandona isso, então a sua vida entra num equilíbrio. Aí, então, você está completamente livre. Este é um ensinamento maravilhoso, porque ele é prático e você pode vê-lo em sua própria vida.
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Se você sempre está no momento, você não pode sofrer, você está livre para ir para o próximo momento, livre para seguir para o próximo momento, sempre totalmente livre, sem estar preso no "eu quero" ou "eu não quero". E é isso que o Buda ensinava. Ele, então, nos deu o Caminho Óctuplo como uma forma de alcançar isso. Da mesma forma como as pessoas dizem hoje: "Como eu posso levar esta prática para a minha vida?", o Buda nos deu a resposta. É o Caminho Óctuplo: A Compreensão Correta, o Pensamento Correto, a Linguagem Correta, a Ação Correta, os Meios de Vida Correto, o Esforço Correto, a Vigilância Correta, a Concentração Correta. Mas cuidado com a palavra "correto", porque "correto" implica que há um "errado", e o Buda não usava a palavra desta forma; o Buda não falava desde um ponto de vista dualista.
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Uma palavra melhor do que "correto" é "apropriado". Linguagem Apropriada, Pensamento Apropriado, Compreensão Apropriada, etc. Vamos, então, apenas examinar um desses fatores, utilizando a palavra "apropriada" ao invés de "correta". Linguagem Apropriada significa não falar mal de uma outra pessoa, não utilizar palavras para se mostrar, não utilizar palavras para sugerir algo que não é correto. Há muitos exemplos em suas vidas. Simplesmente falar demais é uma linguagem inapropriada. Podemos falar que ler demais também é uma linguagem inapropriada, ou ver televisão demais também seria linguagem inapropriada.
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O que o Buda quis fazer ao ensinar sobre essas várias ações não apropriadas foi nos dar um instrumento para examinarmos as nossas próprias vidas. O que significa "apropriado" em termos de nossa vida? Significa Linguagem, Ação e Pensamento que nos ajudam a nos livrarmos de nosso desequilíbrio, de nosso dukkha.
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O Caminho Óctuplo usado apropriadamente irá nos ajudar a colocar a nossa vida em equilíbrio. Isso não é algum ensinamento esotérico, nem aquilo que freqüentemente acontece no ensinamento mal compreendido sobre o que o Buda ensinou.
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As Quatro Nobres Verdades são muito práticas, baseadas na vida real. É um ensinamento sobre como viver a sua vida. E posso assegurar a vocês, que se lerem qualquer ensinamento do Buda que parecer muito distante de sua vida agora, isso é uma tradução ruim. Porque o Buda era um homem prático e inteligente, que olhava profundamente para o que fazemos conosco. A partir daí, ele nos ofereceu um modo de sair disso. Espero que isso que falei sobre as Quatro Nobres Verdades tenha lançado um pouco de luz. Muito obrigado!"
Por Rodney Downey (Budismo Zen coreano)
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Eu sei...
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(Patricia Antoniete)
sexta-feira, 3 de abril de 2009
O segredo...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A fada e o palhaço...
"Gostaria muito que ela estivesse aqui
Aqui, bem aqui do meu lado
Bem do lado, um anjo em verso
Resquicios de sentimentos dispersos
Inquietos, não saudáveis…
Enfim, um sentimento ao avesso
Laços que são complicados de se compreender
Assim, um tanto dispersa, as vezes desaparece…
Seja o que for, seja como for
Já te falei por diversas vezes
O tempo vai fazer a diferença
Mas não há como negar que voce me traz calma
E essa historia está sendo escrita, dia-a-dia
Nesse grande circo chamado sentimentos
O palhaço é aquele que esta do lado de cá
Tentando colocar sorriso no rosto da menina-fada
Que só de vez em quando abre aquele sorriso tao iluminado
Sei que fada precisa de tempo
Tempo para se metamorfozear
E se transformar denovo na grande fada que é
Olhares perdidos no preterito-imperfeito
Fadamava, Palhaçava, Entristecia…
E a chuva é testemunha de tudo, assim como o tempo
Que perfeito ou não, sempre será o tempo
Pregando peças, shows, sorrisos e choros
Certo ou errado, estamos aqui, ali e lá
Fazendo e refazendo
Inventando, construindo a nossa parte
Antes do homem o medo, o amor, a duvida
O que diabos prevalece no palhaço ? E na fada ?
E no fim… enfim… em fim… recomeço."
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Você é uma farsa...
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Uma característica do processo criativo que você dificilmente ouvirá da boca de “profissionais de sucesso” é que a insegurança é parte do processo. Uma das mais importantes, aliás. O motivo para isso é de uma lógica cristalina: se você está inseguro é porque não tem certezas. Se não tem certezas é porque o caminho proposto não foi trilhado por muita gente. Se não o foi é porque é novo. Simples assim. Em outras palavras, é impossível ter certeza que uma idéia criativa faça sucesso. Muitas vezes, aliás, elas nos surpreendem.
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Uma das características mais difíceis de se lidar em profissões ligadas ao hemisfério direito do cérebro é que elas são baseadas em padrões e conexões, não em regras. Não existe, nem creio que algum dia existirá, a fotografia ou ilustração que sejam absolutamente “certas”. Elas podem ter a técnica correta, mas qualquer peça de comunicação ou arte demanda mais do que isso. A própria idéia que possa existir o absolutamente certo para formas de expressão soa bastante ridícula – além de ser uma baita coisa de Nerd.
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Quando se trata de comunicação e expressão, a técnica não costuma ser difícil. Muito pelo contrário, é comum ela ser o primeiro passo em busca de algo maior. A gramática é fundamental para a compreensão da estrutura de uma língua, mas seu conhecimento não é o suficiente para transformar professores de Português em poetas. Da mesma forma, os aplicativos de design são bastante importantes, mas não fundamentais. A técnica e a criação são processos completamente diferentes. A primeira garante certezas, a segunda é responsável pelas variações.
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Um bom exemplo das diferenças entre esses tipos de processos está nas relações humanas. Quantas vezes você não viu casais “perfeitos” se desfazerem ou pessoas que tiveram a educação “correta” desandarem? Só quem acredita na eficácia de livros de cantadas que pode duvidar disso. E esses são os mais ridículos.
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Em outras palavras, a incerteza é parte fundamental do raciocínio criativo. É ela que promove o desequilíbrio e o questionamento fundamentais para que se fazer coisas novas. Por mais que nossa civilização ocidental tenha uma quedinha por absolutos sólidos, vale lembrar que o desequilíbrio é muito mais natural. Graças à relação dinâmica entre estados estáveis e instáveis que é possível andar, dançar, patinar ou esquiar. São as diferenças de contraste visual que tornam os objetos visíveis, diferenças de tom que fazem a música e transmitem emoção em cada discurso. Quem não é capaz de notar essas nuances costuma ter um problema sério (e bastante incômodo) de percepção.
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Da mesma forma, o excesso de opções, sem regras, não é sinal de liberdade, mas de descontrole. Todas as atividades humanas – ou pelo menos todas as que podemos considerar criativas ou artísticas – dependem de uma boa negociação entre regra e exceção. Grandes artistas costumam conhecer muito bem a técnica antes de pensar como (ou se) vão quebrar regras, e o que pretendem com isso.
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Um bom designer deve, portanto, conhecer a fundo as ferramentas que usa. Mas também deve, antes mesmo de chegar perto delas, pensar bastante no que pretende conseguir com elas. Sem uma boa pergunta, a maioria das respostas tende a ser fraca. Nesse processo, saber dosar a insegurança é fundamental.
Sem ela, não se evolui. Se ela for excessiva, também não.
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(Luli Radfahrer)
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Sem meio-termo...
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(Patricia Antoniete)
sábado, 28 de março de 2009
Inferno...
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Sua única questão, nessa prova, foi:
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“O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta.”
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“Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas. Agora postulamos que as almas existem, assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno?
Podemos assumir seguramente que, uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso não há almas saindo.
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Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno… Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus você vai para o inferno.
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Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. A experiência mostra que pouca gente respeita os 10 mandamentos. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno.
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Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções:
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2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.
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Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da UFBA me disse, no primeiro ano: “Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar”, e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não deve ser verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.”
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O aluno tirou 10 na prova...
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“A imaginação é muito mais importante que o conhecimento” (Albert Einstein)
quinta-feira, 26 de março de 2009
Parábola do existir...
Neste mesmo dia, à tarde, outro homem perguntou: "O que você acha de Deus? Existe um Deus?"
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Ananda estava agora escutando muito concentradamente o que Buda diria. Ele deu duas respostas absolutamente contraditórias no mesmo dia e agora uma terceira oportunidade surgiu - e não existe uma terceira resposta. Mas Buda deu uma terceira resposta.
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