quinta-feira, 9 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A vida é dukkha...

Gostaria de começar falando sobre alguns enganos que temos a respeito do Dharma do Buda, os quais são muito comuns em todo o mundo ocidental, e mesmo no Oriente. A causa desses enganos tem a ver com palavras e com aquilo que elas significam.
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Hoje, no café da manhã, eu comi bolo. E ontem eu aprendi que existe uma expressão em português: Quando você vai se encontrar com uma pessoa e ela não comparece, diz-se que você "ganhou um bolo". Imaginem que daqui a 500 anos, um arqueólogo encontre um diário de anotações de um brasileiro. Lá é dito: "Eu fui encontrar com Paulo e ganhei um bolo". O tradutor diria que eles comeram um bolo juntos! Esta é a armadilha das palavras, as quais têm um significado para uma época e cultura em particular. O mesmo se dá com alguns dos ensinamentos do Buda.
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Consideremos as Quatro Nobres Verdades, as quais estão no centro do ensinamento do Buda. A tradução usual das Quatro Nobres Verdades é: "A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é o Caminho Óctuplo".
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Isto está correto? De modo algum! Isto não é o que o Buda falou. Este é o problema! Vamos começar com a Primeira Nobre Verdade, que é sempre traduzida como "A vida é sofrimento". Mas que coisa horrível! Veja a vida! É uma força excitante e de grande diversidade, de inacreditável deleite. Por que, então, é traduzido como a vida é sofrimento?
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Vamos examinar a língua em que o Buda falava. O Buda disse, de fato, que a vida é dukkha. Esta palavra sempre é traduzida como sofrimento, mas isso não é de modo algum o que significa. A raiz de dukkha é duk, e significa "eixo". Veja a época do Buda: A forma mais complexa de transporte era uma carroça; era uma carroça de madeira, como é na Índia ainda hoje, com um eixo de madeira unindo duas rodas também de madeira, e puxada por búfalos.
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A palavra dukkha significava o eixo que está fora do prumo, que está fora de alinhamento. Imaginem o sofrimento de uma pessoa sentada nessa carroça, a força que os búfalos devem fazer e, ao invés da carroça seguir suavemente, ela está fora do eixo, desalinhada.
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Então, Buda fala sobre a vida - a vida de todos nós - usando o exemplo da carroça que tem seu eixo fora de alinhamento. Ele diz que nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento. Ele nunca disse que a vida é sofrimento. Este é um ponto muito importante. Nossas vidas estão fora de equilíbrio, ou, como os chineses falariam, não está fluindo junto com o Tao. Ambas as expressões significam a mesma coisa. Esta é a Primeira Nobre Verdade.
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A Segunda Nobre Verdade se refere à razão da vida ser assim, e isso é geralmente traduzido como desejo. Mas nós teríamos uma vida muito estranha se não tivéssemos desejos. Não é o que o Buda falou. A palavra que o Buda usou foi trishna e significa "sede". Nas palavras do próprio Buda isso foi descrito: "É como um homem vagando no deserto por muitos dias, sedento por água". Isso também é a sede do "eu quero" e do "eu não quero", e é por isto que todos nós sofremos.
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O que é este "eu quero" e "eu não quero"? O que isso indica? Significa que não estamos satisfeitos com este momento, "agora". Porque se estivéssemos "aqui" (Rodney bate no chão), não haveria "querer" nem "não querer". Simplesmente haveria este momento, agora. O Buda, utilizando-se deste exemplo, estava dizendo: "Esteja com este momento". O momento em que você quer ou não quer é o momento em que você deixa o agora, o momento presente, e aí, então, isso leva ao sofrimento.
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Então, esse desequilíbrio que temos faz com que nunca estejamos no momento e, não estando no momento, isso leva ao sofrimento. É muito simples. Agora você pode examinar a sua própria vida a partir dessas palavras.
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Mas o Buda não parou por aí. Ele nos deu uma cura para este "não estar no momento", este sofrimento. Esta cura é a Terceira Nobre Verdade, que é a verdade mais mal entendida de todas.
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Ele fala do Nirvana ou Nibbana, que é uma palavra que é usada em todas as línguas nos dias de hoje, mas ninguém sabe o que significa. A palavra é muito simples. Significa expirar, apagar - como apagar uma vela. Muito simples! O Buda apenas usava palavras simples, mas mesmo assim elas foram totalmente mal compreendidas, porque geralmente ela é traduzida como extinção do desejo. Correto? Não significa de modo algum isto.
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No tempo do Buda, a palavra nirvana, apagar, significava simplesmente isto: apagar. Mas havia uma grande diferença. De acordo com a ciência e a filosofia do Vedanta, quando você apaga uma chama, como em uma vela ou em uma lâmpada de óleo, você diz que a chama ficou livre. Quando você acende uma vela, você captura a chama, como se a colocasse numa gaiola. Então, em "nossa" idéia de apagar uma vela nós dizemos "extinguir" ou "matar"; mas, na época do Buda, apagar uma chama significava libertá-la. Da mesma forma como seu "bolo"; coisas completamente diferentes!
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Então, o Buda nunca disse algo como matar os seus desejos; ele falava da libertação ou liberdade deste apego ao "eu quero" ou "eu não quero". Quando você abandona isso, então a sua vida entra num equilíbrio. Aí, então, você está completamente livre. Este é um ensinamento maravilhoso, porque ele é prático e você pode vê-lo em sua própria vida.
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Se você sempre está no momento, você não pode sofrer, você está livre para ir para o próximo momento, livre para seguir para o próximo momento, sempre totalmente livre, sem estar preso no "eu quero" ou "eu não quero". E é isso que o Buda ensinava. Ele, então, nos deu o Caminho Óctuplo como uma forma de alcançar isso. Da mesma forma como as pessoas dizem hoje: "Como eu posso levar esta prática para a minha vida?", o Buda nos deu a resposta. É o Caminho Óctuplo: A Compreensão Correta, o Pensamento Correto, a Linguagem Correta, a Ação Correta, os Meios de Vida Correto, o Esforço Correto, a Vigilância Correta, a Concentração Correta. Mas cuidado com a palavra "correto", porque "correto" implica que há um "errado", e o Buda não usava a palavra desta forma; o Buda não falava desde um ponto de vista dualista.
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Uma palavra melhor do que "correto" é "apropriado". Linguagem Apropriada, Pensamento Apropriado, Compreensão Apropriada, etc. Vamos, então, apenas examinar um desses fatores, utilizando a palavra "apropriada" ao invés de "correta". Linguagem Apropriada significa não falar mal de uma outra pessoa, não utilizar palavras para se mostrar, não utilizar palavras para sugerir algo que não é correto. Há muitos exemplos em suas vidas. Simplesmente falar demais é uma linguagem inapropriada. Podemos falar que ler demais também é uma linguagem inapropriada, ou ver televisão demais também seria linguagem inapropriada.
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O que o Buda quis fazer ao ensinar sobre essas várias ações não apropriadas foi nos dar um instrumento para examinarmos as nossas próprias vidas. O que significa "apropriado" em termos de nossa vida? Significa Linguagem, Ação e Pensamento que nos ajudam a nos livrarmos de nosso desequilíbrio, de nosso dukkha.
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O Caminho Óctuplo usado apropriadamente irá nos ajudar a colocar a nossa vida em equilíbrio. Isso não é algum ensinamento esotérico, nem aquilo que freqüentemente acontece no ensinamento mal compreendido sobre o que o Buda ensinou.
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As Quatro Nobres Verdades são muito práticas, baseadas na vida real. É um ensinamento sobre como viver a sua vida. E posso assegurar a vocês, que se lerem qualquer ensinamento do Buda que parecer muito distante de sua vida agora, isso é uma tradução ruim. Porque o Buda era um homem prático e inteligente, que olhava profundamente para o que fazemos conosco. A partir daí, ele nos ofereceu um modo de sair disso. Espero que isso que falei sobre as Quatro Nobres Verdades tenha lançado um pouco de luz. Muito obrigado!"

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Por Rodney Downey (Budismo Zen coreano)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Eu sei...

Não vou mais tentar me convencer do que os outros querem que eu me convença ou do que os outros julgam que seja o melhor, o mais adequado, o recomendável. Eu não me convenço de nada; eu sei e sinto. E mudo de idéia quando me der na telha, a propósito.
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Tem coisas que eu quero muito e não sei bem como elas se materializariam se acontecessem. Não consigo nem de longe prever a logística. Também tô pouco me importando. Se é algo que eu quero muito, se acontecer, eu dou um jeito (nem que seja reorganizando todo o resto). O nome disso é estar vivo e manter a capacidade de viver, com todas as suas melhores e mais drásticas conseqüências.
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É bem verdade que tentar é arriscar a dar tudo errado. Em compensação, tentar também é arriscar a dar tudo muito mais certo do que já deu até aqui. Entre a tentativa e a resignação, há o que se construiu de si mesmo e a confiança que se tem de que se pode fazer ainda melhor (e que se merece mais). É precisamente o caso.
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Não vou desistir. Nem hoje, nem amanhã, nem depois de depois de amanhã. Porque eu sei. Dentro da cabeça, em cada neuroninho, em cada célula, em cada terminação nervosa. Eu sei até o osso. Eu soube desde o instante zero e por mais que eu tenha pensado e repensado e meditado e sopesado, eu nunca tive dúvida. Eu sei que é isso. E que isso é o começo do que eu posso fazer. Não vou desistir.
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(Patricia Antoniete)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O segredo...

"O segredo do céu é que cada vida afeta a outra, e a outra afeta a seguinte, e que o mundo está cheio de histórias, mas todas as histórias são na verdade, uma só."

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A fada e o palhaço...

"Gostaria muito que ela estivesse aqui

Aqui, bem aqui do meu lado

Bem do lado, um anjo em verso

Resquicios de sentimentos dispersos

Inquietos, não saudáveis…

Enfim, um sentimento ao avesso

Laços que são complicados de se compreender

Assim, um tanto dispersa, as vezes desaparece…

Seja o que for, seja como for

Já te falei por diversas vezes

O tempo vai fazer a diferença

Mas não há como negar que voce me traz calma

E essa historia está sendo escrita, dia-a-dia

Nesse grande circo chamado sentimentos

O palhaço é aquele que esta do lado de cá

Tentando colocar sorriso no rosto da menina-fada

Que só de vez em quando abre aquele sorriso tao iluminado

Sei que fada precisa de tempo

Tempo para se metamorfozear

E se transformar denovo na grande fada que é

Olhares perdidos no preterito-imperfeito

Fadamava, Palhaçava, Entristecia…

E a chuva é testemunha de tudo, assim como o tempo

Que perfeito ou não, sempre será o tempo

Pregando peças, shows, sorrisos e choros

Certo ou errado, estamos aqui, ali e lá

Fazendo e refazendo

Inventando, construindo a nossa parte

Antes do homem o medo, o amor, a duvida

O que diabos prevalece no palhaço ? E na fada ?

E no fim… enfim… em fim… recomeço."

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Você é uma farsa...

Eu também. No fundo todos somos. Não há nada de errado nisso.
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A sensação provavelmente não lhe é estranha: por mais que você faça bem o seu trabalho e seja reconhecido pelo talento que tem, não é incomum a insegurança bater à porta. Ela costuma ser tão freqüente que você chega a estranhar se não vier. Nessa hora você inveja aqueles caras focados, firmes, que sempre sabem o que querem…peraí. Será? Ou será que esses caras são praticamente os mesmos que você despreza por serem recheados de clichês, chavões, frases feitas e soluções prontas?
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Uma característica do processo criativo que você dificilmente ouvirá da boca de “profissionais de sucesso” é que a insegurança é parte do processo. Uma das mais importantes, aliás. O motivo para isso é de uma lógica cristalina: se você está inseguro é porque não tem certezas. Se não tem certezas é porque o caminho proposto não foi trilhado por muita gente. Se não o foi é porque é novo. Simples assim. Em outras palavras, é impossível ter certeza que uma idéia criativa faça sucesso. Muitas vezes, aliás, elas nos surpreendem.
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Uma das características mais difíceis de se lidar em profissões ligadas ao hemisfério direito do cérebro é que elas são baseadas em padrões e conexões, não em regras. Não existe, nem creio que algum dia existirá, a fotografia ou ilustração que sejam absolutamente “certas”. Elas podem ter a técnica correta, mas qualquer peça de comunicação ou arte demanda mais do que isso. A própria idéia que possa existir o absolutamente certo para formas de expressão soa bastante ridícula – além de ser uma baita coisa de Nerd.
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Quando se trata de comunicação e expressão, a técnica não costuma ser difícil. Muito pelo contrário, é comum ela ser o primeiro passo em busca de algo maior. A gramática é fundamental para a compreensão da estrutura de uma língua, mas seu conhecimento não é o suficiente para transformar professores de Português em poetas. Da mesma forma, os aplicativos de design são bastante importantes, mas não fundamentais. A técnica e a criação são processos completamente diferentes. A primeira garante certezas, a segunda é responsável pelas variações.
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Um bom exemplo das diferenças entre esses tipos de processos está nas relações humanas. Quantas vezes você não viu casais “perfeitos” se desfazerem ou pessoas que tiveram a educação “correta” desandarem? Só quem acredita na eficácia de livros de cantadas que pode duvidar disso. E esses são os mais ridículos.
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Em outras palavras, a incerteza é parte fundamental do raciocínio criativo. É ela que promove o desequilíbrio e o questionamento fundamentais para que se fazer coisas novas. Por mais que nossa civilização ocidental tenha uma quedinha por absolutos sólidos, vale lembrar que o desequilíbrio é muito mais natural. Graças à relação dinâmica entre estados estáveis e instáveis que é possível andar, dançar, patinar ou esquiar. São as diferenças de contraste visual que tornam os objetos visíveis, diferenças de tom que fazem a música e transmitem emoção em cada discurso. Quem não é capaz de notar essas nuances costuma ter um problema sério (e bastante incômodo) de percepção.
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Da mesma forma, o excesso de opções, sem regras, não é sinal de liberdade, mas de descontrole. Todas as atividades humanas – ou pelo menos todas as que podemos considerar criativas ou artísticas – dependem de uma boa negociação entre regra e exceção. Grandes artistas costumam conhecer muito bem a técnica antes de pensar como (ou se) vão quebrar regras, e o que pretendem com isso.
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Um bom designer deve, portanto, conhecer a fundo as ferramentas que usa. Mas também deve, antes mesmo de chegar perto delas, pensar bastante no que pretende conseguir com elas. Sem uma boa pergunta, a maioria das respostas tende a ser fraca. Nesse processo, saber dosar a insegurança é fundamental.
Sem ela, não se evolui. Se ela for excessiva, também não.
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(Luli Radfahrer)

terça-feira, 31 de março de 2009

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sem meio-termo...

Não se vive aos cadinhos. Não se esmola vida. Não se pede licença para existir. Não se existe de favor. Viver é apoderar-se dos instantes, copular com os dias, apossar-se do estar sendo, emprenhar-se do mundo, dos sentidos, do agora. Viver é rasgar-se por dentro, deixar-se arranhar pelos cílios do medo, vibrar na alta freqüência do desmedido, enfiar a língua entre os dentes da insanidade, parir-se ao contrário todas as manhãs. Viver não é um exercício de preservação, mas de flagelo. Não há resguardo possível àqueles que estão vivos, nem prudência, nem moderação. Vida é o caminho que se faz todos os dias entre a loucura e a sanidade. Estar vivo é não ter medo de se perder nesse percurso.
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(Patricia Antoniete)

sábado, 28 de março de 2009

Inferno...

Pergunta feita por Professor da matéria Termodinâmica, no curso de Engenharia química da UFBA em sua prova final. Esse Professor é conhecido por fazer perguntas do tipo “Por que os aviões voam?” em suas provas finais.
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Sua única questão, nessa prova, foi:
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“O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta.”
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Vários alunos justificaram suas opiniões baseadas na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:
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“Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas. Agora postulamos que as almas existem, assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno?
Podemos assumir seguramente que, uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso não há almas saindo.
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Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia.
Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno… Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus você vai para o inferno.
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Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas
não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. A experiência mostra que pouca gente respeita os 10 mandamentos. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno.
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Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz
que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções:
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1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO.
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2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de
almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.
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Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da UFBA me disse, no primeiro
ano: “Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar”, e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não deve ser verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.”
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O aluno tirou 10 na prova...
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“A imaginação é muito mais importante que o conhecimento” (Albert Einstein)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Parábola do existir...

Há uma história sobre Buda, onde uma manhã um homem perguntou a ele: "Existe um Deus?"
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Buda olhou para o homem, olhou dentro e seus olhos e disse: "Sim, existe um Deus."
Neste mesmo dia, à tarde, outro homem perguntou: "O que você acha de Deus? Existe um Deus?"
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Novamente ele olhou para o homem e para dentro de seus olhos disse: "Não, não existe nenhum Deus."
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Ananda, que estava com ele nas duas ocasiões, ficou muito confuso, mas ele sempre era muito cuidadoso para não interferir em nada. Ele tinha o seu tempo quando todo mundo partia à noite e Buda estava indo dormir; se ele tinha que perguntar alguma coisa, ele poderia perguntar neste momento. Mas, à noite, enquanto o sol estava se pondo, um terceiro homem veio com quase a mesma questão, formulada diferentemente. Ele disse: "Você pode dizer algo sobre Deus?"
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Ananda estava agora escutando muito concentradamente o que Buda diria. Ele deu duas respostas absolutamente contraditórias no mesmo dia e agora uma terceira oportunidade surgiu - e não existe uma terceira resposta. Mas Buda deu uma terceira resposta.
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Ele não falou, ele fechou os seus olhos. Era uma linda noite. Os pássaros tinham se acomodado em suas árvores - Buda estava em baixo de uma mangueira - o sol se pôs, uma brisa fresca estava começando a soprar. O homem, vendo Buda sentando com os olhos fechados, pensou que talvez esta é a resposta, assim ele também se sentou com os olhos fechados.
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Uma hora se passou, o homem abriu os olhos, tocou os pés de Buda e disse: "Obrigado pela resposta." E foi embora.
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Ananda não podia acreditar, porque Buda não falou uma simples palavra. E quando o homem foi embora, perfeitamente satisfeito e contente, Ananda perguntou a Buda: "Isto é demais!
Você poderia pensar em mim - você me deixa louco. Eu estou à beira de um colapso nervoso. Para um homem você diz que existe Deus, para outro homem você diz que não existe Deus e para um terceiro você não responde. E este estranho seguidor diz que ele recebeu a resposta e, grato, ainda toca os seus pés! O que está acontecendo?"
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Buda disse: "Ananda, a primeira coisa que você tem que se lembrar é que estas perguntas não eram as suas, e aquelas respostas não foram dadas para você. Por que você deveria se preocupar com elas? Elas não são da sua conta, mas algo entre mim e aquelas três pessoas".
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Ananda disse: "Isto é verdade, estas não eram minhas perguntas e as respostas não foram dadas para mim. Mas o que eu posso fazer? Eu tenho ouvidos e escuto e eu escutei e vi e agora todo o meu ser está confuso - o que é certo?"
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Buda disse: "Você pensa na vida em termos absolutos, é esse o seu problema. A vida é relativa. Para o primeiro homem a resposta foi sim e era relativa a ele, estava relacionada com as implicações de sua questão, de seu ser, de sua vida. O homem a quem eu disse sim era um ateu; ele não acredita em Deus e não quero dar suporte a seu ateísmo estúpido; ele fica a proclamar que Deus não existe. Mesmo se um pequeno espaço for deixado inexplorado... talvez Deus exista naquele espaço.
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Só quando você investigou toda a existência pode dizer com absoluta certeza que Deus não existe. Isso é possível somente no final, e aquele homem estava simplesmente acreditando que Deus não existe, mas não tinha experiência existencial de que Deus não existe. Precisei estilhaçá-lo, precisei trazê-lo de volta à terra, precisei bater duro em sua cabeça. Meu sim foi relativo àquela pessoa, a toda a sua personalidade. Sua pergunta não era apenas palavras. A mesma palavra vinda de outra pessoa poderia ter recebido uma outra resposta.
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E foi isso que aconteceu quando respondi "não" ao outro homem. Ele era um idiota tal qual o primeiro, mas no pólo oposto. Ele queria o meu apoio - ele já acreditava em Deus. Ele veio com a resposta pronta, apenas para solicitar o meu apoio de modo que ele pudesse ir e dizer: ‘Eu estou certo, o próprio Buda pensa assim’. Eu tinha que dizer não para ele, apenas para perturbar a sua crença, porque crença não é sabedoria.
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E o terceiro homem veio sem crenças. Ele não me perguntou se Deus existe. Não, ele veio com o coração aberto, sem a mente, sem crenças, sem ideologias. Ele era realmente uma pessoa sã e inteligente. Ele me pediu: 'Você pode dizer algo sobre Deus?'
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Pude perceber que aquele homem não tinha crença dessa ou daquela natureza; ele é inocente. Com uma pessoa tão inocente, a linguagem não tem sentido. Não posso dizer sim nem não; apenas o silêncio é a resposta. Então fechei os olhos e permaneci em silêncio.
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E minha impressão sobre o homem provou ser correta. Ele fechou os olhos também. Ele entendeu minha resposta: fique em silêncio, vá para dentro. Ele então recebeu a resposta de que Deus não é uma teoria, uma crença que você deve estar contra ou a favor. Foi por isso que ele agradeceu pela resposta.
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Deus não é uma coisa muito distante de você; ou você é uma mente ou você é um deus. Em silêncio e consciência a mente desaparece e revela a sua divindade para você. Apesar de eu não ter falado nada para ele, ele recebeu a resposta e recebeu-a da maneira correta."
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(Osho)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Curta é a vida, longa é a paixão...

Tentei dizer quanto te amava, aquela vez,
baixinho mas havia um grande berreiro,
um enorme burburinho e, pensado bem,
o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado; você sem saber ouvir,
eu sem saber falar.
Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e depois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
"Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo"
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de ressaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba,
me enganei e disse tudo para uma almofada.
Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palpitações:
No mal-me-quer, bem-me-quer, dizimei jardins.
Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de
"Mata! Mata!" por conservacionistas, ecólogos e afins.
Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:
"Se não me segurarem faço um soneto"
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo.
Mas fui premiado num concurso em Minas.
Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco,
o asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.
Fui preso, aos socos, e fichado.
Dias e mais dias interrogado:
era PC, PC do B ou alguma dissidência?
Te escrevi com lágrimas , sangue, suor e mel
(você devia ver o estado do papel)
uma carta longa, linda e passional.
De resposta nem uma cartinha
nem um cartão, nem uma linha!
Vá se confiar no Correio Nacional.
Com uma serenata, sim, uma serenata
como nos tempos da Cabocla Ingrata me declararia,
respeitando a métrica.
Ardor, tenor, a calçada enluarada...
havia tudo sob a tua sacada
menos tomada pra guitarra elétrica.
Decidi, então, botar a maior banca no
céu escrever com fumaça branca:
"Te amo, assinado.." e meu nome bem legível.
Já tinha avião, coragem, brevê tudo para
impressionar você mas veio a crise, faltou o combustível.
Ontem você me emprestou seu ouvido e na discoteca,
em meio do alarido, despejei meu coração.
Falei da devoção ha anos entalada e você disse
Disse "eu não escuto nada".
Curta é a vida, longa é a paixão.
Na velhice, num asilo, lado a lado em meio a um silêncio
abençoado direi o que sinto, meu bem.
O meu único medo é que então empinando a orelha
com a mão você me responda só: "Heim?"
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(Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os primeiros 10%...

"Uma das características mais marcantes de quem está em começo de carreira é uma enorme pressa. Pressa em aprender todas as técnicas, pressa em montar um portfólio, pressa em arranjar um emprego, pressa em sair da faculdade, pressa em “acontecer”, pressa, pressa, pressa, pressa… mas pra que tanta pressa? Poucos sabem, mas mesmo assim continuam a ter pressa. Afinal de contas o Pelé, aos 17, já era campeão mundial. O Michael Phelps, aos 15, já tinha mais medalhas que o Brasil. Segundo essa linha apressada, se você não “virou” antes dos 25, já era.
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Essa lógica, além de perversa, não faz o menor sentido. Duvido que o designer de 25 anos quisesse ter sua casa projetada por um arquiteto da mesma idade. Ou sua causa defendida por um advogado sem um fio de cabelo branco. Por mais competente e seguro que fosse, não acredito que ele encararia tranqüilo ao ser operado por um médico recém-saído da residência. Acho até que mesmo um jovem gerente de banco não inspiraria a sua confiança. O medo faz sentido: por mais habilidoso que seja, o que me garante que um piloto com poucas horas de vôo seja capaz de enfrentar uma tempestade, se as únicas que viu foram em um simulador?
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Você pode até argumentar que em criação é diferente, mas está errado. Marcello Serpa, Alexandre Gama e Nizan Guanaes estão na faixa dos 50 anos, Washington Olivetto na dos 60 – junto com Chico, Caetano e Gil. Os fundadores da DPZ ainda estão ativos, com bem mais de 70. E o que dizer do Niemeyer, nosso highlander da arquitetura?
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A pressa, já dizia a sua avó, é inimiga da perfeição. Nunca se viveu tanto e nunca se trabalhou por tanto tempo. Quando eu era criança, “velho” era quem tinha 40 anos. Hoje é preciso ter umas duas décadas ou três a mais. Do jeito que a tecnologia avança, não é preciso ser otimista para acreditar que você certamente viverá mais de 100 anos – se não for fumante, claro. Também não é difícil acreditar que você dificilmente se aposentará antes de ter completado seus 80 e estiver com a cabeça bem cheia de cabelos brancos. Em uma vida tão longa, os primeiros vinte por cento são claramente desprezíveis: eles são o período de aprendizado, em que o profissional está se formando para encarar umas seis boas décadas de maratona. Aquele que largar desesperado dificilmente terá fôlego para chegar longe.
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Apesar das bobagens faladas pelos livros e revistas de auto-ajuda executiva, você não se aposentará antes dos quarenta. Nem que tenha ganho um, dez ou cem milhões de euros. O trabalho é a atividade intelectual que nos mantém vivos e ativos, por mais que não gostemos dele. Mesmo que você não precise do salário, trabalhará pelo prazer de ver idéias acontecerem, de interagir com pessoas, de criar coisas. Vestir o pijama é jogar a toalha, e é isso que tanto deprime os desempregados, muito mais do que a falta de dinheiro.
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Dê uma busca nos nomes que você ouviu terem ficado milionários antes do estouro da bolha das empresas pontocom e provavelmente descobrirá que todos estão trabalhando. Pesado. Os donos do Google batem ponto todos os dias, emesmo o Bill Gates chamou de “aposentadoria” o que muitos chamariam de mudança de emprego. Para um trabalho mais puxado, vale ressaltar. O que ele faz em sua ONG não tem expediente nem final de semana, muito pelo contrário. Mesmo aquele capitalista mais nojento, tipo Donald Trump, com todos seus aviões e banheiros com torneiras de ouro, não é visto de chinelos em praias tropicais, mas de terno em salas de reunião. Se é assim, em quem você se espelha com toda essa pressa? Se não vai parar de trabalhar, pra que a correria?
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Hoje em dia quem tem 26 anos acabou de completar os primeiros 10% de sua carreira. Aos 40, terá chegado a um terço dela. A metade só chegará quando ele chegar à meia-idade. Nem mesmo quando ele chegar aos setenta poderá dizer que o fim está próximo. A não ser que aconteça alguma guerra ou pandemia, a expectativa de vida no meio do século XXI pode ser bem maior do que se imagina hoje.
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A experiência faz bem. Quem arranja o primeiro emprego em uma empresa grande não tem tempo de treinar. Quando fizer uma besteira – e todos fazem besteiras o tempo todo, não se iluda – será mais visível e frágil. Quem vira chefe rápido, rapidamente será enganado por seus subordinados, trapaceado por seus colegas ou preterido em uma futura promoção. Quem ganha dinheiro fácil e rápido costuma gastá-lo ainda mais rápido e com mais facilidade, como se vê facilmente em muito jogador de futebol, pagodeiro, apresentador de TV, modelo/atriz, participante do Big Brother ou ganhador da MegaSena.
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Antes de sair correndo desembestadamente e gastar toda a sua energia, gaste alguns minutos para perceber aonde está e para onde pretende ir. Não se pode seguir vários caminhos ao mesmo tempo e são poucos os que realmente valem a pena. Estude o máximo que você puder, porque o mundo está cada vez menor e cada vez mais difícil de enganar.
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A vida não é fácil. Quem diz que é, mente ou está ainda mais perdido que você. Como diria um filósofo Zen, “ao caminhar, apenas ande”. Concentre-se no que pretende fazer, como pretende ser reconhecido, aonde pretende chegar daqui auns 20 anos. E leve 20 anos para chegar lá. Se conseguir o que quer em 18 anos, estará no lucro. Se chegar em 5, provavelmente definiu a meta errado. Ou chegou ao lugar errado.
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Ninguém duvida que o Jobs que criou o iPhone é muito melhor do que o Steve que fundou a Apple. O primeiro mudou o mercado, o segundo foi demitido. Por mais que você acredite estar com “vinte e tantos” anos, saiba que o prefixo “vinte” não admite o complemento “tantos”. Isso é coisa para quem tem trinta ou quarenta. Nessa idade, só se tem “vinte e qualquer coisa”.
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É a melhor época da vida para se experimentar e errar – pode ir tranqüilo, ninguém está de olho em você.
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(Luli Radfahrer)