quarta-feira, 4 de março de 2009

Pessoa...

"Se à vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios".

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Vinicius...

"Para viver um grande amor,
primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro
e ser de sua dama por inteiro
— seja lá como for".

domingo, 1 de março de 2009

Way of life...

"Quando você vive de um determinado modo, a pessoa não gosta que alguém descreva como é estúpido esse seu modo de viver. Ninguém quer ser chamado de estúpido. Não é sobre a questão daquilo que dizem que vocês se sentem incomodados - é sobre suas vidas; se as suas vidas são estúpidas e vocês a estão vivendo, então vocês são estúpidos. Isso ofende. Mas isso é questão do ego! Se nós compreendessemos o que é o processo do ego ao olharmos melhor para nós mesmos e não tivéssemos nenhum ego, não importaria se alguém nos dissesse se somos idiotas ou se alguém nos dissesse que somos gênios! Não importa! São opiniões dos outros. Você sabe quem você é - você não depende da opinião dos outros. Seu ego depende. Seu ego o mantém um escravo da sociedade dentro da qual você vive. Comumente as pessoas pensam que o ego é uma coisa preciosa. Ele não é nada mais do que a escravidão delas".
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"Permaneça sempre aberto e experimentador, sempre disposto a caminhar em uma trilha que você nunca percorreu antes. Quem sabe? Mesmo se ela provar ser inútil, terá sido uma experiência..." (Osho)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O melhor...

"O melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário". (Manoel de Barros)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Mulher...

"Só gosto de dois tipos de mulher
brasileira e estrangeira
verde ou amarela
gorda ou magricela
A que ninguém ama
A que todo mundo quer
A nobre e a plebéia
A crente e a atéia
A estagiária e a gerente
a mulher fria, a envolvente
Só gosto de dois tipos
Mulher que se arruma depressa
Mulher que perde a hora
A que ri à toa e a que chora
A que não me tem, mas me namora
Mulher que leva na brincadeira
Ou leva tudo a sério, pistoleira
Verdadeira ou mentirosa
Horrorosa, porém gostosa
Mulher que rala muito
Mulher que vive à toa
Só gosto de dois tipos
A boa e a muito boa
Gosto da bem amada
E da mal falada
Daquela que ninguém viu
Da prostituta mais vil
Carinho tipo guerra civil
Gosto da mulher casada
Da mais fogosa tarada
Da que respeita o marido
Da que faz o dono ficar moído
Só gosto de dois tipos de mulher
Da que aparenta ser honesta
e da que me dá o benefício da dúvida
Gosto da mulher de rabo de cavalo
E da que ostenta o rabo largo
Da mulher do beijo doce
Mulher do beijo mais amargo
Da que cai dentro porque é bamba
E daquela que nem gosta do samba
Gosto da mulher que dança bolero
Da mariposa que voa, quero-quero
Mulher que nada fala
mas não se cala
Da aflita que não grita
Ou da calma que se esgoela
Da que tem ciúme dele
Da que tem ciúme dela
Da que me ama antes de me ter
Da que só me ama depois de meter
Gosto da ex e da futura
Da mocréia e da formosura
Mulher do tipo leveza
Beleza do tipo grossura
Só gosto mesmo de dois tipos:
meu bem e amém
Gosto da mulher mais pobre
Gosto da mulher mais rica
Daquela que nunca vem
Da que o tempo todo fica
Seja a mais esbelta
seja a mais atarracada
Qual bola de bilharcada uma, uma tacada
É um eterno rala e rola que embola
dias frios e quentes, infernais
A regra é clara: respeitar os rivais
Mas nunca temer a concorrência
Entre a viadagem e a abstinência
Se o prazer é uma loucura
Pego fogo com a ternura
Se o gozo, uma vertigem
Tomo banho de fuligem
Posso dizer que curto uma vida amena
Rimando loura com morena
italiana azeda com pretinha
pela felicidade da vizinha
Qual a mais carnívora flor
que encontra um dia quem a devore
o desejo guarda traços de fragilidade
mesmo se a paixão furiosa não for maldade
Nesta busca para saciar a fome de prazer
Existe um tempo de irritabilidade
Pois antes que este tempo me derrube
digo claro e profundo o que penso da dor:
Só gosto de dois tipos de mulher
A que tem prisão de ventre e a que faz cocô
Sou fã de toda zoeira
Bate-papo, bobagem ou besteira
Só gosto de dois tipos de mulher
A que só como você se declara
E a que jamais se declara
Gosto sim da mulher que jura gostar
Nada tenho contra quem
não me faz mal no meu harém
As diversas formas do bem-querer
são mais misteriosas que o Além
E quanto mais eu me chafurdo
mais eu morro de saudade
É sim, só gosto de dois tipos
buscando amor nesta cidade
Mulher inteligente que empacou
Mulher que deu mais do que Pelé fez gol
Gosto daquela que dá duro
E que faz sexo seguro no escuro
E daquela que dá sempre mole
E apesar de tanto bole-bole
Não sou de galinhagem
É uma de cada vez
O taxímetro tem milhagem
A verdade não tem talvez
Gosto que me enrosco
no céu, na terra, avião no ar
Peixe na praia, sereia no mar
Mas é uma de cada vez
pra batata não assar
Admiro quem se admira
Joana, Maria, Clara e Mira
Depois de tanta mentira
só me resta dizer uma verdade
Eu só gosto de você
porque só você me deixa à vontade"
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(Alfredo Herkenhoff)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O caso Moshê...

Em Jerusalém
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Em agosto de 2001, Moshê (nome fictício), um bem sucedido empresário judeu-americano, viajou para Israel a negócios.
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Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech George, centro de Jerusalém.
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O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha tanto tempo.
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Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.
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Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.
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Homem-bomba
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Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s…
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Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila. Certamente ele ainda estava na pizzaria.
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Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.
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Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.
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A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, dos quais seis eram crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em condições críticas.
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As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada. Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma. Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda. Um dispositivo explosivo adicional montado pelos terroristas já estava sendo desmontado pelo exército.
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Moshê procurou seu "salvador" entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.
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Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.
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Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida.
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O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.
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Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.
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Finalmente encontrou o israelense num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida.
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Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.
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Em Nova Iorque
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Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.
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Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias. Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.
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Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila."
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Mas não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.
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Salvo pela segunda vez
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Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo - e deixou de ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001, Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center.
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(Matéria publicada originalmente pela Targum Press, em 2002.)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Homens...

“Mulher, Irmã, escuta-me: não ames,
Quando a teus pés um homem terno e curvo
jurar amor, chorar pranto de sangue,
Não creias, não, mulher: ele te engana!
As lágrimas são gotas da mentira
E o juramento manto da perfídia.”
(Joaquim Manoel de Macedo)
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“Teresa, se algum sujeito bancar o
sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um
bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredite não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA”
(Manuel Bandeira)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sonhe...

"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. Esperança suficiente para fazê-la feliz. E saudade para fazê-la se sentir amada!"
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(Clarice Lispector)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Revista feminina...

Por que homem não trabalha aconselhando em revista feminina?
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"Caro Roberto,
Espero que você possa me ajudar.
Outro dia, de manhã, eu peguei meu carro e saí para trabalhar, deixando meu marido em casa vendo televisão, como sempre. Eu rodei pouco mais de um quilômetro, quando o motor morreu e o carro parou. Então eu voltei para minha casa, para pedir ajuda ao meu marido.
Quando cheguei lá, nem pude acreditar naquilo que meus olhos estavam vendo.
Lá estava ele, no quarto, com a filha da vizinha!
Eu tenho 32 anos, meu marido 34, e a garota 22. Nós estamos casados há dez anos. Quando eu o interpelei, ele confessou que eles estavam tendo um caso há seis meses. Eu disse a ele para parar com isso, senão eu o deixaria.
Esclareço que ele foi demitido do seu emprego há seis meses e desde então tem estado muito deprimido. Eu o amo muito, mas desde que eu lhe dei aquele ultimato ele tem estado muito calado, ausente, distante. Ele não está se cuidando e eu temo não poder tê-lo de volta nunca mais. Estou desesperada. Você pode me ajudar? Antecipadamente grata.
Patrícia."
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"Cara Patrícia,
Quando um carro pára, depois de haver percorrido uma pequena distância, isso pode ter ocorrido devido a uma série de fatores. Começe por verificar se tem gasolina no tanque. Depois veja se o filtro de gasolina não está entupido. Verifique também se tem algum problema com a injeção eletrônica. Se nada disso resolver o problema, pode ser que a própria bomba de gasolina esteja com defeito, não proporcionando quantidade ou pressão suficiente nos injetores.
Espero ter ajudado!
Roberto."

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O pássaro encantado...

"Vocês se lembram? Já contei a estória do Pássaro Encantado de muitas cores, que amava a Menina...
Mas sempre chegava a hora em que ele dizia:
"É preciso partir, ficar longe por muito tempo, para que a saudade cresça, e dentro dela, o encanto."
E ele voava...
A menina ficava e chorava. Até que não mais aguentou a dor da saudade e prendeu o Pássaro numa gaiola de prata, para que nunca deixasse...
Ele ficou, mas murchou. Seus olhos se entristeceram e suas cores se apagaram.
Acabou também a saudade, e o encanto se foi.
A Menina entendeu, então, que é preferível a dor da saudade encantada à tristeza de uma presença encarcerada.
E abriu a porta da gaiola.
O pássaro voou para muito longe até que a saudade voltasse a crescer.
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(Rubem Alves)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A tristeza...

A tristeza

é uma mulher

que não se pinta demais

não se perfuma demais

e nem bebe demais

para nos esperar

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(Marcio Scheel)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Que bom que tenho consciência
Do ser que sou, fragmentado
Alguém sempre em construção
Imperfeito, incompleto, inacabado

Que bom que tenho consciência
Que o crescimento é parcelado
E que quanto mais eu aprendo
Nunca estou, por completo, "terminado"

Que bom que a mim é dado
A oportunidade de corrigir, de ser reciclado
De investir no que acho que está certo
E corrigir, tentar mudar o que está errado

Que bom que a mim é dado
A oportunidade de ser renovado!..."
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(Mena Moreira)