quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Coisas invisíveis...
"E, como meu próprio senhor total e absoluto, caminharei para onde eu quiser,
Ouvindo os outros, considerando bem o que eles dizem,
Parando, investigando, recebendo, contemplando,
Gentilmente, porém com irrecusável vontade,
Despindo-me dos embaraços que me poderiam entravar.
Sorvo grandes tragos de espaço,
(...)
Daqui para frente, já não peço boa sorte, pois eu mesmo sou a boa sorte,
Daqui para frente, não mais me queixarei, não mais adiarei, nada mais necessitarei,
Porei fim às lamentações interiores, bibliotecas, críticas lamurientas,
Forte e contente, sigo em direção da estrada aberta.
A terra é suficiente para mim,
Não desejo que as constelações estejam próximas,
Sei que elas estão muito bem onde se situam,
Sei que elas bastam aos que lhes pertencem.
(...)
Até aqui transporto os meus antigos e deliciosos fardos, transporto-os - homens e mulheres - transporto-os para onde quer que eu vá.
Juro ser para mim impossível libertar-me deles,
Estou deles saturado, e em troca, eu os saturo.
(...)
Tu, estrada por onde entro e olho em redor, creio que não sejas tu quando aqui está,
Creio que existem muitas coisas invisíveis.
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(Walt Whitman)
Ouvindo os outros, considerando bem o que eles dizem,
Parando, investigando, recebendo, contemplando,
Gentilmente, porém com irrecusável vontade,
Despindo-me dos embaraços que me poderiam entravar.
Sorvo grandes tragos de espaço,
(...)
Daqui para frente, já não peço boa sorte, pois eu mesmo sou a boa sorte,
Daqui para frente, não mais me queixarei, não mais adiarei, nada mais necessitarei,
Porei fim às lamentações interiores, bibliotecas, críticas lamurientas,
Forte e contente, sigo em direção da estrada aberta.
A terra é suficiente para mim,
Não desejo que as constelações estejam próximas,
Sei que elas estão muito bem onde se situam,
Sei que elas bastam aos que lhes pertencem.
(...)
Até aqui transporto os meus antigos e deliciosos fardos, transporto-os - homens e mulheres - transporto-os para onde quer que eu vá.
Juro ser para mim impossível libertar-me deles,
Estou deles saturado, e em troca, eu os saturo.
(...)
Tu, estrada por onde entro e olho em redor, creio que não sejas tu quando aqui está,
Creio que existem muitas coisas invisíveis.
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(Walt Whitman)
sábado, 24 de janeiro de 2009
Fases...
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vem
(Lua Adversa - Cecília Meireles)
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vem
(Lua Adversa - Cecília Meireles)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Onde estou...
Assim que morreu, Juan se encontrou num belíssimo lugar, rodeado pelo conforto e pela beleza que sonhava.
Um sujeito, vestido de branco se aproximou: "Você tem direito ao que quiser: qualquer coisa, alimento, diversão, prazer..." disse.
Encantado, Juan fez e desejou tudo o que sonhou fazer durante a vida. Depois de muitos anos, depois de satisfazer plenamente todos, absolutamente todos, os seus desejos, procurou o sujeito de branco: "Já experimentei o que tinha vontade", disse. "Preciso agora de um trabalho, pra me sentir útil".
"Sinto muito", disse o sujeito de branco. "Mas esta é a única coisa que não posso conseguir. Aqui não há trabalho".
"Passar a eternidade morrendo de tédio? Preferia mil vezes, então, estar no Inferno!"
O homem de branco se aproximou e disse em voz baixa: "E onde o senhor pensa que está?"
sábado, 17 de janeiro de 2009
O discípulo embriagado...
"Um mestre zen tinha centenas de discípulos. Todos rezavam na hora certa - exceto um, que vivia bêbado. O mestre foi envelhecendo.
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Alguns dos alunos mais virtuosos começaram a discutir quem seria o novo líder do grupo, aquele que receberia os importantes segredos da Tradição.
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Na véspera de sua morte, porém, o mestre chamou o discípulo bêbado e lhe transmitiu os segredos ocultos. Uma verdadeira revolta tomou conta dos outros. "Que vergonha!", gritavam pelas ruas. "Nos sacrificamos por um mestre errado, que não sabe ver nossas qualidades".
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Escutando a confusão do lado de fora, o mestre agonizante comentou: "Eu precisava passar estes segredos para um homem que e conhecesse bem. Todos os meus alunos eram muito virtuosos e mostravam apenas suas qualidades. Isso é perigoso; a virtude muitas vezes serve para esconder a vaidade, o orgulho, a intolerância. Por isso escolhi o único discípulo que eu conhecia realmente bem, já que podia ver seu defeito: a bebedeira!"
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O momento novo...
Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar.
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O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega.
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(Ana Jácomo)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
O Amor...
O amor floresce somente quando a necessidade desaparece. Um amor acontece somente entre um rei e uma rainha – em nenhum existe qualquer necessidade.
O amor é o maior luxo do mundo. Ele não é uma necessidade – é o ultimo luxo, o supremo entre os luxos. Se você estiver necessitado dele, ele será como outras necessidades; você precisa de comida, de abrigo, de roupas, disso e daquilo. Nesse caso, o amor também é parte desse mundo. Quando não há necessidade, você está simplesmente fluindo com a energia e gostaria de compartilhar com alguém, e alguém também está fluindo com a energia e gostaria de compartilhar com você, então vocês dois oferecem sua energia a um deus desconhecido do amor.
O amor é o maior luxo do mundo. Ele não é uma necessidade – é o ultimo luxo, o supremo entre os luxos. Se você estiver necessitado dele, ele será como outras necessidades; você precisa de comida, de abrigo, de roupas, disso e daquilo. Nesse caso, o amor também é parte desse mundo. Quando não há necessidade, você está simplesmente fluindo com a energia e gostaria de compartilhar com alguém, e alguém também está fluindo com a energia e gostaria de compartilhar com você, então vocês dois oferecem sua energia a um deus desconhecido do amor.
E esse é o luxo absoluto, porque ele não tem um propósito, não é um negócio. Ele é intrínseco, e não um meio para outra coisa.
É uma grande brincadeira.
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(Osho)
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Clarice...
"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdôo logo. Não esqueço nunca, mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sou paciente, mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes. As pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão. Gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo. Nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade. Mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrado? Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesma. Se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz. Quanto a minha paz superficial, ela é uma alusão à verdadeira paz. Outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim: a do mundo grande e aberto. Apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza."
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(Clarice Lispector)
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
Amor sem esforço...
Seria bacana se a gente pudesse dissolver a ilusão de que para sermos amados temos que ser outros que não nos habitam. Outros que não somos. Outros que, no fundo, não podemos ser, mas também não precisamos. Ter outras caras. Outros corpos. Outros gostos. Outros sonhos. Outros jeitos. É inútil qualquer esforço de tentar caber onde o nosso coração não está. Onde ele não pode nadar livremente, no tempo e no ritmo das próprias braçadas, aproveitando, feliz, o contato com a vida. Há um desperdício imenso de energia nessa história. É tenso demais viver para agradar, em troca de pertencimento, reconhecimento, alguma afeição. Maquiar as emoções, boicotar a própria essência, trocar a luz natural por luminárias artificiais, bolar planos fantásticos para chegar ao coração de quem quer que seja. Cansa, só de imaginar.
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Além de inútil, é perigoso. Perigoso porque dói, mesmo quando faz aumentar nossos índices de popularidade. Nosso catálogo de endereços eletrônicos. Nossas referências no caderno de telefones. Nossa lista de contatos do celular. Perigoso porque requer de nós muito malabarismo emocional para não trairmos as personagens que criamos para atender as demandas alheias. É trabalhoso demais tentar ser o que não se é. Exaustivo. Drenagem pura. E, no fim das contas, o que buscam essas pessoas que queremos que nos amem? Procuram por nós ou pelas pessoas que tentamos parecer? Por nós ou pelas pessoas que querem que sejamos? Se não for por nós, não tem importância alguma. A leveza escoa, assustada, ralo afora. Se não for por nós, não é de verdade.
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De vez em quando nós lembramos para, em geral, esquecer outra vez pouco depois: o amor não pede esforço. O amor acontece. Somos amados assim do nosso jeito. Assim do nosso tamanho. Assim do nosso lugar. Somos amados como somos, já preciosos. Isso é de uma liberdade que raramente sentimos ser capazes. As pessoas mais interessantes que conheço não fazem sacrifícios para ser amadas. São do jeito delas. Se são amadas, maravilha. Se não, vida que segue, mais a frente os encontros virão e é bem provável que tenham mais a ver com elas. A diferença que conta é que, à parte o amor que possam receber, elas são amadas por elas mesmas. Estão confortáveis por ser como dá pra ser a cada instante.
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De vez em quando nós lembramos para, em geral, esquecer outra vez pouco depois: o amor não pede esforço. O amor acontece. Somos amados assim do nosso jeito. Assim do nosso tamanho. Assim do nosso lugar. Somos amados como somos, já preciosos. Isso é de uma liberdade que raramente sentimos ser capazes. As pessoas mais interessantes que conheço não fazem sacrifícios para ser amadas. São do jeito delas. Se são amadas, maravilha. Se não, vida que segue, mais a frente os encontros virão e é bem provável que tenham mais a ver com elas. A diferença que conta é que, à parte o amor que possam receber, elas são amadas por elas mesmas. Estão confortáveis por ser como dá pra ser a cada instante.
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São pessoas que não querem mostrar nada além da espontaneidade que já conseguem. Não querem caber onde lhes falta espaço. Não têm a pretensão de ter montes de amigos: se tiverem um, capaz de amá-las, de verdade, já estão no lucro. Querem amar e ser amadas, sim, desde que cada pessoa tenha liberdade para ser. Nadam no ritmo delas, no tempo delas, nesse mar de águas tantas vezes turbulentas da vida. E consideram cada braçada uma vitória. Uma possibilidade de encontro. Se não acontecer, vez ou outra, continuam contando com o próprio pertencimento. O próprio reconhecimento. A própria afeição.
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(Ana Jácomo)
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