terça-feira, 21 de outubro de 2008

Espiritualidade...

"Quero fazer os poemas das coisas materiais,
pois imagino que esses hão de ser
os poemas mais espirituais.
E farei os poemas do meu corpo
E do que há de mortal.
Pois acredito que eles me trarão
Os poemas da alma e da imortalidade."
E à raça humana eu digo:
-Não seja curiosa a respeito de Deus,
pois eu sou curioso sobre todas as coisas
e não sou curioso a respeito de Deus.
Não há palavra capaz de dizer
Quanto eu me sinto em paz
Perante Deus e a morte.
Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
Embora de Deus mesmo eu não entenda
Nem um pouquinho...
Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres...
Cada momento de luz ou de treva
É para mim um milagre,
Milagre cada polegada cúbica de espaço,
Cada metro quadrado de superfície
Da terra está cheio de milagres
E cada pedaço do seu interior
Está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
Os peixes nadando, as pedras,
O movimento das ondas,
Os navios que vão com homens dentro
- existirão milagres mais estranhos?" (Walt Whitmann)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Semelhante atrai semelhante...

Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa; pode encontrar o parceiro certo.

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Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas. Está perfeitamente bem.
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Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.
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Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se este surgiu da infelicidade. Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.
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Não peça por um relacionamento a partir da solitude, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio.Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.
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Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém. Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.
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Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida. Ela é somente uma possibilidade. A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.
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Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém. A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade. E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.
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"É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra"? Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo. Como você pode ser bom para outra pessoa?Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.
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Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo. Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado. Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo. Assim você irá florescer.
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Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele. Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino.
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Osho, Extraído de: Ecstasy: The Forgotten Language

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O perfeito amor...

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.


Mário Quintana

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Redação...

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um
substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.


E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.


O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.


Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido
tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o
verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente.

Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.

Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do
substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar
pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sentença...

Num inquérito pela contravenção de vadiagem, que ocorreu na 5a Vara Criminal de Porto Alegre, o juiz Moacir Danilo Rodrigues proferiu a sentença que transcrevo a seguir:
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"Marco Antônio Dornelles de Araújo, com 29 anos, brasileiro, solteiro, operário, foi indiciado pelo inquérito policial pela contravenção de vadiagem, prevista no artigo 59 da Lei das Contravenções Penais. Requer o Ministério Público a expedição de Portaria contravencional.
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O que é vadiagem? A resposta é dada pelo artigo supramencionado: "entregar-se habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho..." Trata-se de uma norma legal draconiana, injusta e parcial. Destina-se apenas ao pobre, ao miserável, ao farrapo humano, curtido vencido pela vida. O pau-de-arara do Nordeste, o bóia-fria do Sul. O filho do pobre que pobre é, sujeito está à penalização. O filho do rico, que rico é, não precisa trabalhar, porque tem renda paterna para lhe assegurar os meios de subsistência. Depois se diz que a lei é igual para todos!
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Máxima sonora na boca de um orador, frase mística para apaixonados e sonhadores acadêmicos de direito. Realidade dura e crua para quem enfrenta, diariamente, filas e mais filas na busca de um emprego. Constatação cruel para quem, diplomado, incursiona pelos caminhos da justiça e sente que os pratos da balança não têm o mesmo peso.
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Marco Antônio mora na Ilha das Flores (?) no estuário do Guaíba. Carrega sacos. Trabalha "em nome" de um irmão. Seu mal foi estar em um bar na Voluntários da Pátria, às 22 horas. Mas se haveria de querer que estivesse numa uisqueria ou choperia do centro, ou num restaurante de Petrópolis, ou ainda numa boate de ipanema? Na escala de valores utilizada para valorar as pessoas, quem toma um trago de cana, num bolicho da Volunta, às 22 horas e não tem do escocês numa boate da Zona Sul e ao sair, na madrugada, dirige (?) um belo carro, com a carteira recheada de "cheques especiais", é um burguês. Este, se é pego ao cometer uma infração de trânsito, constatada a embriaguez, paga a fiança e se livra solto. Aquele, se não tem emprego é preso por vadiagem. Não tem fiança (e mesmo que houvesse, não teria dinheiro para pacumento, nem um cartão de crédito, é vadio. Quem se encharca de uísque gá-la) e fica preso. De outro lado, na luta para encontrar um lugar ao sol, ficará sempre de fora o mais fraco. É sabido que existe desemprego flagrante.
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O zé-ninguém (já está dito), não tem amigos influentes. Não há apresentação, não há padrinho. Não tem referências, não tem nome, nem tradição. É sempre preterido. É o Nico Bondade, já imortalizado no humorismo(mais tragédia que humor) do Chico Anísio. As mãos que produzem força, que carregam sacos, que produzem argamassa, que se agarram na picareta, nos andaimes, que trazem calos, unhas arrancadas, não podem se dar bem com a caneta (veja-se a assinatura do indiciado à fls. 5v.) nem com a vida.
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E hoje, para qualquer emprego, exige-se no mínimo o primeiro grau. Aliás, grau acena para graúdo. E deles é o reino da terra. Marco Antônio, apesar da imponência do nome, é miúdo. E sempre será. Sua esperança? Talvez o Reino do Céu. A lei é injusta. Claro que é. Mas a Justiça não é cega? Sim, mas o juiz não é. Por isso: Determino o arquivamento do processo deste inquérito. Porto Alegre, 27 de setembro de 1979. 1.. Moacir Danilo Rodrigues. Juiz de Direito - 5a VaraCriminal."
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(Transcrito do Suplemento Jurídico: DER/SP no 108 de 1982)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O romance não consegue ser duradouro...

“Esse momento chega para todo relacionamento. Faz parte da vida. Mais cedo ou mais tarde, o romance começa a desaparecer, e romance é um tipo de coisa que não consegue ser muito duradouro. Ele é muito excitante, quando existe, mas quando ele se vai, a pessoa se sente completamente fechada. Porque a abertura não era sua – ela era decorrente do toque romântico inicial, da emoção que sempre vem quando um relacionamento começa. Sempre que começa um relacionamento, você está cheio de esperanças. Todas essas esperanças são falsas. Mas isso não interessa naquela hora. Todos aqueles sonhos serão desfeitos, mas quem se importa? Aqueles sonhos são belos e dourados.
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E quando se está num sonho, ninguém quer ser acordado, porque acha que está sendo arrancado de seu belo mundo. Porém, mais cedo ou mais tarde, o sonho terá que terminar, ele não consegue continuar para sempre. Sonho algum jamais continua – é por isso que ele é chamado de sonho.
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Na Índia nós definimos verdade como aquilo que permanece para sempre, para sempre e para sempre. A eternidade dela é a sua essência. Aquilo que começa e termina é ‘maya’, um sonho, uma ilusão.
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Assim, todo relacionamento quando começa é belo e poético. Depois, pouco a pouco, a poesia é perdida porque você se torna familiarizado com a outra pessoa, e ela se torna familiarizada com você, de modo que a novidade já não mais existe; a sensação já não está mais ali. Nada mais existe para ser explorado; a exploração acabou. Então, você começa a viajar pelo mesmo caminho de novo, de novo e de novo. E isso cria tédio. Isso cria uma espécie de meditação transcendental. Você repete um mesmo mantra de novo, de novo e de novo.
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Nada mantém você acordado, de modo que começa a ficar sonolento, começa a se fechar. Nada existe para ver, então por que manter os olhos abertos? Nada mais existe para experienciar, então por que estar aberto? A emoção já se foi... A lua-de-mel acabou. Porém, somente assim alguma coisa significativa é possível.
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Duas possibilidades se abrem quando um relacionamento morre, quando se esfria. Uma possibilidade é você trocar de parceiro. Então você poderá viver novamente um sonho por uns poucos dias. Mas o problema surgirá de novo, de modo que essa possibilidade é apenas uma maneira de transferir o problema para depois, empurrando-o para mais adiante. Ele não será resolvido desse jeito. E isso é o que está acontecendo no ocidente.
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Escolha a parte emocionante, o início, somente a lua-de-mel. Mas isso se torna uma flutuação. Muitas pessoas entrarão em sua vida e você flutuará e sonhará. E aos poucos você verá que aqueles sonhos ocuparam toda a sua vida e nada aconteceu. Um dia se sentirá tremendamente frustrado... Essa é a abordagem mais fácil.
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No oriente nós pensamos de uma outra maneira. Nós pensamos que quando um relacionamento se esfria, este é o momento para um verdadeiro relacionamento começar. Mas então o relacionamento será uma prosa, não uma poesia. Ele será da terra, e não abstrato e do céu..
É preciso ter coragem para seguir adiante nesse processo. Assim como a primeira fase passa, a segunda também passará, lembre-se. Porque tudo o que acontece aqui é apenas uma fase passageira. Se eu lhe tivesse dito no começo que esse sonho iria terminar, você não me escutaria. Você diria, ‘Como?’ Nenhum amante escuta. E fica parecendo que a pessoa que lhe diz isso é seu inimigo. Mas agora eu lhe digo que ele passou. O segundo estágio também passará se você persistir no relacionamento.
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Se dois amantes forem impedidos de se encontrar, a primeira fase nunca terminará. Assim os amantes mais afortunados são aqueles aos quais não se permite encontrar, de maneira alguma. A primeira fase deles continua porque nada existe para desfazer o sonho de suas vidas, e assim eles podem continuar fantasiando. Uma vez que você se encontra com a pessoa, tem que caminhar sobre a terra.
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Um dia você terá que voltar para a terra. Os sonhos não podem ser o seu alimento; um alimento verdadeiro é necessário. A segunda fase também é passageira porque é muito difícil passar por ela. É muito fácil passar pela primeira porque nada lhe é exigido; não é um desafio. Na verdade você gostaria de ficar agarrado a ela. Agora, a segunda fase vai ser um grande desafio para você. Ela irá repelir, ela irá forçá-lo de todas as maneiras a abandonar o relacionamento, a mudar de parceiro e cair de novo no sonho. Essa é toda a armadilha da mente. Mas eu gostaria que você continuasse com o relacionamento.
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Lembre-se sempre que a dor é um grande estimulante e o prazer é um tranquilizante. O sofrimento ajuda mais que toda felicidade junta.
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Um simples momento de sofrimento é mais valioso do que toda uma vida de satisfação de prazeres, conforto e conveniências. Por que? Porque você quer se agarrar ao prazer. Já o sofrimento você quer jogar fora. Você gostaria de correr para longe de toda aquela coisa, de escapar para algum lugar. Mas se você der prosseguimento, uma certa integração acontecerá para você.
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E exatamente continuando com ele, permanecendo ali e não escapando nem correndo para longe, mas encarando-o, você se tornará forte. Pela primeira vez a alma surgirá em você. Você sentirá que alguma coisa se ajustou. Você não é mais simplesmente partes soltas. Todas as partes chegaram no lugar e formaram um padrão.
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Gurdjieff costumava chamar isso de o verdadeiro nascimento do ego. Antes você tinha muitos egos, muitos “Eus”. Sempre que uma pessoa está pronta para encarar um sofrimento, depois de um sonho desfeito, então esse sofrimento será tremendamente valioso. Mas você não consegue ver isso neste exato momento.
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Se você passar pelo sofrimento, você o aceitará como uma parte. Você vivia no sonho, e agora, quem vai viver, quando o sonho foi quebrado? Você vivia no palácio, agora vive nas ruinas – porque todo palácio, mais cedo ou mais tarde, torna-se uma ruina. E, quando mais cedo acontecer, melhor, porque então o desafio surge. Assim, este é o grande desafio para você.
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Passe por ele. Aceite ele também. Algumas vezes o terreno é muito áspero, algumas vezes a montanha é muito perigosa para ser escalada, algumas vezes existem momentos tristes e infelizes, e puro tédio, mas tudo isso é a vida. E a pessoa tem que vivê-la em todas as dimensões.
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Assim, a maneira mais fácil é sair do relacionamento. E logo você começa a sonhar com um outro alguém.
"Eu não quero sair do relacionamento. Ele é a melhor parte de minha vida!"
Então fique nele, deixe que esta fase passe também. Ela também passará; nada há para ser feito.
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."Sob certo sentido, o que você está dizendo é certo. Eu quero dizer, o meu caso amoroso com o Naresh é bom, mas o meu amor por você e pelas meditações... Eu sinto como se eu estivesse sofrendo há muito tempo e estivesse tentando observar isso e manter uma distância. Nenhum de nós sente que isso é por causa do outro. Nós temos tentado ajudar um ao outro e nós nos sentimos muito próximos."
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Eu não sei – talvez você consiga ver...
Não, não. Você está tentando enganar. Você pode não saber... Mas como é possível que você não saiba? No fundo você deve saber.

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Quando o caso amoroso das pessoas está indo bem, elas ficam muito abertas também para mim. Mas elas não estão abertas para mim – elas simplesmente estão abertas para o amor e para o sonho. Em tal sonho, elas sonham que estão abertas para mim. Quando o caso amoroso delas termina, elas também se sentem fechadas para mim, porque elas nunca estiveram abertas.
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Mas, medite sobre isso. Se você pensa que não existe problema algum entre você e o Naresh, e se você se sente próxima de mim, então isso não será difícil; algo pode ser feito. Mas primeiro você tem que decidir se isso é entre você e eu... Porque eu não vejo dessa maneira.
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Você está projetando algo como sendo entre você e eu, de modo que você possa salvar o Naresh e o relacionamento. Você está tentando desviar a sua mente. Assim, ao invés de você ficar com raiva dos seus sonhos, você fica com raiva das meditações. Você está jogando todo o peso em cima delas, o que não é verdade; isso é apenas uma desculpa.
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E isso acontece por toda a vida. Nós nunca definimos exatamente a causa. É dessa maneira que a miséria continua crescendo. Uma vez corretamente diagnosticado, noventa e nove por cento dos problemas desaparecem. (...)
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Pense a respeito disso por sete dias e depois me conte. Mas se você pensa que o que está causando algum problema para o seu relacionamento amoroso é este ashram e o fato de viver aqui, então eu sou sempre a favor do amor. Esqueça este ashram completamente e esteja em qualquer lugar que você goste. Mm? Pense sobre isso de novo."
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OSHO – Beloved of my Heart - 22 de maio de 1976

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Guia do (pseudo) inteligente...


Este pequeno guia tentará dar algumas táticas simples para fingir erudição, cultura, etc.

Pintura
Lembre-se dessa regra simples: Toda pintura clássica é a relação do homem com Deus. Toda a pintura moderna é a relação do homem com o homem em um mundo sem Deus.

Se você está parado na frente de um quadro cheio de respingos, manchas e qualquer outra coisa que uma criança no pré faria, finja estar concentrado e se perdendo na “narrativa emocional tão presente nas pinceladas”. Diga que você quase pode sentir a pulsação do autor e sua frustração com o mundo moderno. Note que o pintor abandonou qualquer tentativa de mudar o mundo com sua arte e se concentra em mudar nós, o seu público.

E emende: “E atinge de forma exemplar seu objetivo”.

Pintores que você DEVE gostar: Van Gogh, Magritte, Pollock, Caravaggio, Goya, Da Vinci.

Nota: Pessoas realmente inteligentes como você por terem um intelecto tão grande são extremamente seletivos, logo esnobar algum pintor de renome não é apenas natural como desejado, já que expressa personalidade. Critique Degas, Frida e Picasso (não importa qual você escolha diga algo como “o maior atraso para a pintura nos últimos 100 anos!”).

Filmes
Blockbusters são acéfalos e entretenimento das massas. Pão e circo. Feito por uns fariseus que querem matar a sétima arte. Diga que nenhum diretor americano sequer chegou perto de “Morangos Silvestres” (você nem precisa saber nada, já que a maioria também não vai).

Diretores que você DEVE gostar: Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Robert Altman, Woody Allen, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni e qualquer cara francês.

Citações
Use citações sempre e sempre. Um indivíduo culto e instruído como você não precisa expressar seus próprios pensamentos e sua própria opinião sendo que você sabe que houve pessoas célebres muito mais inteligentes e cultas que qualquer um na sala que disse algo definitivo a respeito do assunto.

Nota: Se você encontrar alguém que esteja usando esta técnica o desafie. Pessoas cultas sempre têm duelos intelectuais onde seus neurônios são postos à prova. Em algum momento diga: Como Voltaire disse: “Uma boa citação não prova nada”. O que é, em si mesma, uma citação e que portanto não prova nada, mas que por causa desse viés irônico e metalinguístico fará muito sucesso por ser pós-moderno.

Pensadores que você DEVE gostar: Nietzsche, Voltaire, Oscar Wilde, Einstein, Gandhi, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinícios de Moraes e a unanimidade: Confúcio.

Aliás, Confúcio é meio que o Capitão Óbvio. Se não tem nada para dizer diga: “Como Confúcio disse, merda faz flores crescerem e isso é lindo”. Ou “Como Confúcio disse, virgindade é como bolhas. Basta cutucar e ela se vai” ou ainda “Como Confúcio disse, calcinhas não são a melhor coisa do mundo, mas ficam bem próximas disso”.

Filosofia
A Filosofia não é como a ciência, onde se você se concentrar em Newton, por exemplo, logo que você encontrar um sujeito obcecado com Einstein você será o bundão da sala. Em Filosofia, mesmo dizendo algo completamente diferente de todos, um filosofo dentro de seu sistema de pensamento está certo. Ao menos possui lógica interna. E, lembre-se dessas palavras: “após o mundo pós-moderno fragmentar e relativizar a noção de verdade e conhecimento, mostrou-se que nossos sistemas por mais refinados que sejam jamais poderão nos dar um conhecimento da coisa-em-si que nunca teremos contato. Resta que tudo é uma amálgama de conhecimento a priori e a posteriori que podem nos levar a lugar nenhum”.

O que isso quer dizer? Não estou certo, mas uma parte é que não há verdade.
Especialize-se em um filósofo, i.e, aprenda uma ou duas frases deles, período histórico e principal obra (veja na Wikipédia). Improvise no meio da conversae critique qualquer outro. Simples. Por exemplo, você acabou de ver Juno e tem uma discussão sobre aborto com seus amigos. Você é um especialista em Platão, improvise, cite o mundo das idéias, que a idéia do bebê existe antes dele e que portanto o aborto é anti-natural. Cruze os dedos e torça para ninguém lhe lembrar de que na Grécia o aborto não era nem mesmo discutido pois se nascia uma criança com defeitos eles simplesmente jogavam montanha abaixo.

Filósofos que você DEVE ter conhecimento: Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Hobbes, Rosseau, Hume, Sartre, Hegel e talvez Marx.
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E se tudo isso falhar, tente ser engraçado.

(Autor desconhecido)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Professores x Educadores

Em uma escola estava ocorrendo uma situação inusitada:
Uma turma de meninas de 12 anos que já usavam batom, todos os dias removiam o excesso beijando o espelho do banheiro.

O diretor da escola andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom…

Um dia o diretor juntou a turma de meninas e o zelador no banheiro, e lá explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam.

Depois de uma hora falando, pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.

Nunca mais apareceram marcas no espelho!

sábado, 27 de setembro de 2008

Eternidade...

"Milhares dos que anseiam pela eternidade não sabem o que fazer consigos mesmos numa tarde de domingo chuvosa..."

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Independência emocinal...

"No início da nossa vida e de novo, quando envelhecemos, precisamos da ajuda e a afeição dos outros. Infelizmente, entre estes dois períodos da nossa vida, quando somos fortes e capazes de cuidar de nós, negligenciamos o valor da afeição e da compaixão. Como a nossa própria vida começa e acaba com a necessidade da afeição, não seria melhor praticarmos a compaixão e o amor pelos outros enquanto somos fortes e capazes?"
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As palavras acima são do atual Dalai Lama. Realmente é muito curioso ver que nos orgulhamos de nossa independência emocional.
Claro, não é bem assim: continuamos precisando dos outros em nossa vida inteira, mas é uma vergonha demonstrar isso, então preferimos chorar escondidos. E quando alguém nos pede ajuda, esta pessoa é considerada fraca, incapaz de controlar seus sentimentos.
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Existe uma regra não escrita, afirmando que o mundo é dos fortes, e que sobrevive apenas o mais apto. Se assim fosse, os seres humanos jamais existiriam, porque fazem parte de uma espécie que precisa ser protegida por um largo período de tempo (especialistas dizem que somos apenas capazes de sobreviver por nós mesmos depois dos 9 anos de idade, enquanto uma girafa leva apenas de seis a oito meses, e uma abelha já é independente em menos de 5 minutos).
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Estamos neste mundo. Eu, de minha parte, continuo - e continuarei sempre - dependendo dos outros. (...)
Como qualquer pessoa sadia, necessito também de solidão, de momentos de reflexão.
Mas não posso me viciar nisso.
A independência emocional não leva a absolutamente lugar nenhum - exceto a uma pretensa fortaleza, cujo único e inútil objetivo é impressionar os outros.
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A independência emocional, por sua vez, é como uma fogueira que acendemos.
Da mesma maneira que o fogo, é necessário conformar-se com a fumaça desagradável - que torna a respiração difícil e arranca lágrimas do rosto. Entretanto, uma vez que o fogo aceso, a fumaça desaparece, e as chamas iluminam tudo ao redor - espalhando calor, calma e eventualmente fazendo saltar uma brasa que nos queima, mas é isso que torna uma relação interessante, não é verdade?
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Comecei esta coluna citando um Prêmio Nobel da Paz sobre a importância das relações humanas. Termino com o professor Albert Schweitzer, médico e missionário, que recebeu o mesmo Prêmio Nobel, 1952.
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"Todos nós conhecemos uma doença na África Central chamada de doença do sono. O que precisamos saber é que existe uma doença semelhante que ataca a alma - e que é muito perigosa, porque se instala sem ser percebida. Quando você notar o menor sinal de indiferença e de falta de entusiasmo com relação ao seu semelhante, fique alerta!
A única maneira de prevenir-se contra esta doença é entendendo que a alma sofre, e sofre muito, quando a obrigamos a viver superficialmente. A alma gosta de coisas belas e profundas."
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domingo, 14 de setembro de 2008

sábado, 6 de setembro de 2008

Filosofando: A progressão continuada...

A ignorância em torno da progressão continuada começa pelo engano de confundi-la com sua contrafação: aquela que continua admitindo as reprovações nas passagens dos ciclos ou que usa esse sistema apenas para voltar à antiga divisão do ensino fundamental em dois níveis (agora chamados ciclos), de quatro séries cada um. Ora, a principal característica da progressão continuada é, precisamente, a eliminação da reprovação, o que constituiu o maior avanço pedagógico proposto pelas políticas públicas em educação no Século XX. Progressão continuada significa que se progride continuamente, sem o “regime estúpido das repetições de série”, como o chamava Anísio Teixeira. E a eliminação da reprovação é precisamente o principal foco de resistência daqueles que se opõem à progressão continuada, o que denota, no mínimo, a total ignorância dos fundamentos da ação educativa.
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A reprovação escolar não é estúpida apenas porque destrói a auto-estima do educando, num processo antieducativo que despreza o mais importante na relação pedagógica, ou seja, a condição de sujeito do aluno, a única que permite o êxito no aprendizado. Ela é estúpida também por motivos que poderiam estar à disposição mesmo de quem não tenha conhecimentos especializados em pedagogia. Isso porque a reprovação, a pretexto de pôr, no aluno, a culpa por um fracasso que é de todo o sistema escolar, revela-se a própria negação do mais comezinho processo avaliativo, necessário a qualquer prática humana, individual ou coletiva. Ao invés de um processo contínuo e permanente de avaliação de todos os elementos envolvidos, acompanhando o desenrolar da atividade, corrigindo-lhe os rumos e adequando os meios aos fins, opta-se por um processo irracional que espera um ano inteiro para, em vez de corrigir os erros, apenas condenar o aluno a repetir todo um ano do mesmo ensino medíocre.
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Um dos grandes problemas da ignorância com relação às questões pedagógicas é que ela funciona de modo perverso, invertendo causas e efeitos do mau ensino. Assim, em vez de se reconhecer, na não-retenção, a virtude de pôr à mostra o mau desempenho da escola atual — que, mesmo com a permanência do aluno por vários anos, proporcionada pela promoção compulsória, não consegue educá-lo —, passa-se a imputar a culpa à progressão continuada, como se a causa do não-aprendizado fosse a promoção e não a ausência de bom ensino. Até pessoas que se dizem progressistas se põem a dizer que estamos excluindo os alunos ao aprová-los, sem perceberem que o que os exclui não é a promoção, mas a falta de ensino de qualidade que costuma ser acobertada precisamente pela reprovação e inculpação das vítimas do ensino ruim.
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A resistência à progressão continuada alimenta-se da ignorância, pois não se aprende a reprovar pelo estudo e pelo conhecimento, mas pela falta deles. Da mesma forma, ninguém nasce reprovador, assim como ninguém nasce violento: assimilam-se essas condutas ao se experimentar a reprovação e a violência desde criança. A escola, ao reprovar e culpar o aluno pela incompetência que é dela, está “preparando” futuros adultos que se culpam, que reprovam e que se opõem à progressão continuada, todos eles ignorantes das verdadeiras causas do mau ensino de que eles também são vítimas.
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(Vitor Henrique Paro)