quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Por que é tão difícil se relacionar?

Porque você ainda não é.
Há um vazio interior e o medo de que ao se relacionar com alguém, mais cedo ou mais tarde, você será exposto como sendo vazio. Por isso parece mais seguro manter distância das pessoas, pelo menos você pode fingir que é.
Você não é.
Você ainda não nasceu, é apenas uma potencialidade.
Você ainda não esta preenchido e só duas pessoas preenchidas podem se relacionar. Relacionar-se é uma das melhores coisas da vida: relacionar-se significa compartilhar. Mas antes de poder compartilhar, você tem que ter. E antes de poder amar, você deve estar cheio de amor, transbordando de amor.
Duas sementes não podem se relacionar, elas estão fechadas. Duas flores podem se relacionar, elas estão abertas, podem mandar suas fragrâncias uma à outra, podem dançar no mesmo sol e no mesmo vento, podem dialogar, podem sussurrar. Mas isso não é possível para duas sementes. As sementes são totalmente fechadas, sem janelas - como podem se relacionar? E esta é a situação. O homem nasceu como uma semente. Ele pode se tornar flor, ou não.


Tudo depende de você, do que faz consigo mesmo; tudo depende de você, crescer ou não.
A escolha é sua - e ela tem que ser encarada a cada momento; você está na encruzilhada a cada momento. Milhões de pessoas decidem não crescer.
Elas permanecem sementes, permanecem potencialidades, nunca se tornam realidade.
Elas não sabem o que é auto-realização, não sabem o que é auto-concretização, não sabem nada do ser. Vazias elas vivem e totalmente vazias elas morrem. Como podem se relacionar?

Isso será expor a si mesmo - sua nudez, sua feiúra, seu vazio. Parece mais seguro manter uma distância. Até mesmo amantes mantém distância; eles só vão até um ponto e permanecem atentos de onde voltar. Eles têm limites, nunca atravessam os limites, permanecem confinados em seus limites.
Sim, há um tipo de relacionamento, mas não o de se relacionar, é o de possuir: o marido possui a esposa, a esposa possui o marido, os pais possuem os filhos, e assim por diante.
Mas possuir não é se relacionar. Na verdade, possuir é destruir todas as possibilidades de se relacionar.
Se você se relaciona, você respeita, você não pode possuir. Se você se relaciona, há uma grande reverência. Se você se relaciona, chega perto, muito perto, em profunda intimidade, se sobrepõe.

Contudo, a liberdade do outro não é invadida, o outro permanece um indivíduo independente. O relacionamento é o do eu-você e não do eu-isso - se sobrepondo, interpenetrando, todavia num sentido independente.
Khalil Gibram diz: "Sejam como dois pilares que sustentam o mesmo teto, mas não comece a possuir o outro. Deixe o outro independente. Sustentem o mesmo teto: esse teto é o amor".

Dois amante sustentam algo invisível e algo imensamente valioso: uma certa poesia dor ser, uma certa música ouvida nos mais profundos recantos da sua existência. Eles se apóiam, apóiam uma certa harmonia, mas mesmo assim permanecem independentes. Eles podem se expor ao outro, porque não há medo algum. Eles sabem quem são.

Eles conhecem sua beleza interior, conhecem seu perfume interior, não há medo nenhum. Mas normalmente o medo existe, porque você não tem nenhum perfume.
Se você se expor, simplesmente federá. Você federá ciúmes, raivas, ódios, cobiças.
Você não terá o perfume do amor, da oração, da compaixão.

Milhões de pessoas decidiram permanecer sementes. Por que?
Se elas podem se tornar flores e podem também dançar ao vento, sob o sol e sob a lua, por que decidiram permanecer sementes? Há algo em suas decisões. A semente esta mais segura do que a flor. A flor é frágil; a semente não é frágil, a semente parece mais forte.
A flor pode ser destruída muito facilmente; apenas um vento forte, e as pétalas murcham. A semente não pode ser destruída tão facilmente pelo vento; a semente está muito protegida, segura. A flor exposta, uma coisa tão delicada e exposta a tantos perigos. O vento pode vir forte, pode chover a cântaros, o sol pode ser forte demais, algum tolo pode colher a flor. Qualquer coisa pode acontecer à flor, tudo pode acontecer à flor; a flor está constantemente em perigo. Mas a semente está segura!

Por isso milhões de pessoas decidem permanecer sementes, mas permanecer semente é permanecer morto, permanecer semente é não viver de modo algum. Certamente ela está segura, mas não tem vida.

A morte é segura, a vida é insegura. A pessoa que realmente quer viver, tem que viver em perigo, em constante perigo. Aquele que quer escalar os mais alto picos tem que correr o risco de cair de algum lugar, de escorregar.
Quanto maior o desejo de crescer, mais e mais perigo tem de ser aceito. O homem verdadeiro aceita o perigo como seu próprio estilo de vida, como seu próprio clima de crescimento.

Você me pergunta: "Por que é tão difícil se relacionar?"
É difícil porque você ainda não é. Primeiro seja.
Tudo mais é possível só depois disso: primeiro seja.
Jesus disse isso em sua própria maneira: "Primeiro busque o reino de Deus, então tudo o mais será dado a você". Essa é simplesmente uma velha expressão para a mesma coisa que eu estou dizendo: primeiro seja, então tudo o mais será dado à você. Mas ser é o requisito básico. Se você é, a coragem vem como consequência. Se você é, um grande desejo de se aventurar, de descobrir, surge. E quando você está pronto para descobrir, você pode se relacionar.

Relacionar é descobrir - descobrir a consciência do outro, descobrir o território do outro. Mas quando você descobre o território do outro, tem que permitir e dar as boas vindas para o outro descobrir você. Não pode ser um caminho de mão única. E você pode permitir que o outro o descubra somente quando tiver algum tesouro dentro de si. Então não há medo. Na verdade você convida a pessoa, abraça o convidado, o chama para dentro, quer que ele entre.
Você quer que ele veja o que você descobriu em si mesmo, quer compartilhar.
Se você é, um grande desejo de se aventurar, de descobrir, surge. Primeiro seja, então você pode se relacionar. E lembre-se, relacionar é lindo. Relacionamento é um fenômeno totalmente diferente; relacionamento é algo morto, fixo, um ponto final chegou. Agora as coisa apenas declinarão. Você chegou ao limite, nada mais está crescendo. O rio parou se tornando um reservatório.

Relacionamento é uma coisa completa. Relacionar é um processo.

Evite relacionamentos e vá cada vez mais fundo no relacionar. A minha ênfase está em verbos, não em substantivos. Evite substantivos o máximo possível. Na linguagem você não pode evitar, eu sei, mas na vida, evite - Porque a vida é um verbo. A vida não é um substantivo; é na verdade "viver" e não "vida". Não é "amor", é "amar". Não é relacionamento é relacionar. Não é uma canção, é cantar. Não é uma dança, é dançar.

Veja a diferença, saboreie a diferença. Uma dança é algo completo; os últimos toques foram feitos, agora não há mais nada a fazer. Algo completo é algo morto. A vida não conhece nenhum ponto final; virgulas sim, mas pontos finais não. Lugares de descanso sim, mas chegada não.
Em vez de pensar em como se relacionar, preencha o primeiro requisito: medite, seja.
Então o relacionar surgirá por si próprio. A pessoa que se torna silenciosa, em benção, que começa a ter energias transbordantes, que se torna uma flor, tem que se relacionar. Não é algo que ela tenha que aprender como fazer; é algo que começa a acontecer. Ela se relaciona com as pessoas, se relaciona com animais, se relaciona com arvores, se relaciona até mesmo com rochas.

Na verdade ela se relaciona vinte e quatro horas por dia. Se ela esta caminhando na terra, está se relacionado com a terra - seus pés tocando a terra, isso é um relacionar-se.
Se ela está nadando no rio, esta se relacionando com o rio, e se está olhando para as estrelas, está se relacionando com as estrelas. Não é uma questão de relacionamento com alguém em particular.A questão básica é, se você é, a sua vida se torna um relacionar-se.

É uma constante canção, uma constante dança, é um continuum, um fluir como o rio. Medite, encontre o seu próprio centro primeiro. Antes que você possa se relacionar com outra pessoa, relacionar-se consigo mesmo: esse é o requisito básico a ser preenchido. Sem ele nada é possível. Com ele, nada é impossível.
(Osho)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Os sensatos e os perigosos...

"O profundo mistério do meu ser freqüentemente me é oculto pelo conceito que faço de mim mesmo."
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"Um dos fatos mais perturbadores no julgamento de [Adolf] Eichmann é que um psiquiatra o examinou e o considerou perfeitamente são. Não duvido, de forma alguma, e é precisamente por isso que acho o fato perturbador. A sanidade de Eichmann é perturbadora. Associamos sanidade com senso de justiça, humanidade, prudência, capacidade de amar e entender as pessoas.

Dependemos das pessoas sãs do mundo para preservá-lo da barbárie, da loucura, da destruição.
E agora começamos a nos dar conta de que os sensatos é que são os mais perigosos. São os sensatos, os bem adaptados que, sem receios e sem escrúpulos, apontam os projéteis e apertam os botões que iniciarão o grande festival de destruição que eles, os sadios, prepararam. O que nos dá tanta certeza de que, afinal, o perigo provem de um psicótico em condições de disparar o primeiro tiro numa guerra nuclear?

Os psicóticos serão suspeitos. Os sadios os manterão afastados dos botões. Ninguém suspeita dos sadios, que terão sempre boas razões, lógicas e plausíveis, para disparar. Estarão obedecendo ordens sadias que terão vindo de forma sensata pela cadeia de comando. E, por causa de sua sanidade, jamais terão escrúpulos. Quando os mísseis forem disparados, não terá sido por engano." (Thomas Merton)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Piada cósmica...

Conheci, ao longo da minha vida, alguns seres especiais (espaciais, infelizmente, jamais) e posso inferir: o homem perfeito é uma grande bobagem. O que existe são seres que aprenderam como atenuar o sofrimento e suas causas e, evidentemente, estão mais próximos do sentimento mais cobiçado pela humanidade, a felicidade.
É claro que existem os iluminados. Mas estes não costumam aparecer por aqui com frequencia.

Os budistas dizem que estamos aprisionados no samsara (o contínuo círculo vicioso de confirmação da existência). Trata-se de uma magnífica explicação sobre o funcionamento da mente humana e todos os estilos de aprisionamento a que estamos submetidos.
O estado de nirvana ou de iluminação se dá quando rompemos o samsara e as causas do sofrimento são, finalmente, controladas, conhecidas e dizimadas.

Crêem os sagrados leitores que o samsara é o contrário de nirvana, como são o paraíso e o inferno para os cristãos? Não.
Na absoluta ausência de dualidade que caracteriza o budismo, samsara é o mesmo que nirvana.

Uma das causas mais comuns de sofrimento advém da nossa insana batalha para provarmos nossa existência. Em geral atribuímos esse papel a outro. Mendigamos por um elogio, uma crítica, algo que nos confirme enquanto seres humanos. As relações conjugais, familiares e sociais são exemplos claros desse tipo de afirmação do ego.

Mas até que ponto existe solidez neste eu e neste outro?
Segundo o tibetado Chogyam Trungpa, em seu genial e definitivo livro O Mito da Liberdade (Ed. Cultrix), "no começo existe apenas o espaço aberto, o zero, aquilo que se autocontém sem relacionamento. Mas, a fim de confirmar este estado zero, somos compelidos a criar o um para provar que o zero existe..."

Ou seja, passamos a vida construindo algo "sólido", um nome, um eu, nos protegendo da morte, e acreditamos que estaremos seguros sobre esse piso. Mas, de repente, escorregamos para fora dele. "Na verdade", conclui Trungpa, "nosso trabalho de prolongar o piso a fim de garantir nosso chão não passa de uma grande piada, a maior de todas, uma piada cósmica."

Samsara e Nirvana
Mas há de me perguntar o sagrado leitor: e o que devemos fazer para escapar dessa e de outras armadilhas do samsara? Pois bem, quase todas as chaves da porta do corredor que liga o samsara ao nirvana estão inseridas nas práticas (a leitura, com certeza, não nos leva a muita coisa), como a da meditação.

Ali, dentro de você, com aquela gritaria que são os seus pensamentos, com a sua respiração ritmada, sentado, a coluna ereta, você estará vivenciando o espaço aberto. O "zero" a que Trungpa se refere. O nada ligado ao nada. Os pensamentos, querendo atribuir nomes às coisas, passando como nuvens. (Alguns insistem em ficar...)

Sobrepostos, Coloridos. Amarfanhados. Passados. Ansiosos. Otimistas. Ilusórios.
Com certeza, depois de alguma vida meditativa, o sagrado leitor há de achar graça, na piada cósmica contada por Chogyam Trungpa.

(Tenzin Chopel)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A Cobradora...

Um dia aparece, apareceu ou aparecerá na sua vida A Cobradora.
Loira, ruiva ou morena. Gorda, magra ou com o peso exato.
Jovem, de meia-idade ou velha. Todas as cores. Todos os tamanhos.
Você encontra A Cobradora ou ela encontra você, em todos os modelos.

A Cobradora, como diz o nome, é mestra na arte de cobrar.
E com seu faro majestoso ela descobre sua presa com rapidez avassaladora: homens sujeitos a cobranças.

A Cobradora vai cobrar você porque:

Você acende o abajur para ler à noite;
Não acende o abajur para ler à noite;
Você dá muita atenção a seus amigos;
Não dá atenção a seus amigos;
Você olha demais para as amigas dela;
Mal põe os olhos nas amigas dela;
Você pronuncia errado nomes de atores e atrizes em inglês;
Soa esnobe ao pronunciar corretamente os nomes de atores e atrizes em inglês;
Você é rápido demais na cama;
É lentoooooooo;
Você é muito ambicioso no trabalho;
O seu problema é a falta de ambição profissional;
Você é romântico demais;
Falta romantismo em você;
Você gosta de futebol;
Você é o único homem do mundo que não gosta de futebol;
Você gosta de cerveja;
Nem por cerveja você parece ainda se interessar;
Você está parecendo um monge budista com essas roupas despojadas;
Você é o próprio mauricinho com esse estoque de gravatas ridículas;
Seu cabelo está curto demais;
Você parece ter esquecido que existem barbeiros;
Você leva trabalho para casa;
Não leva trabalho para casa, ao contrário dos bem-sucedidos maridos de todas as amigas;
Fala demais;
Fala pouco;
Não lhe dá flores;
Continua a dar flores como se fossem ainda adolescentes;
Não a leva ao cinema;
Só pensa em ir ao cinema;
É mole demais;
É um durão intragável;
É um troglodita ao volante;
É uma mocinha quando dirige, se deixando ultrapassar por todos;
Ainda ouve rock;
Deixou de ouvir rock;
Você vê novela;
Não lhe faz companhia quando ela vê novela;
Não diz que está bonita;
Repete, como um monomaníaco que ela está bonita;
É muito agressivo com a sogra;
Não sabe se colocar perante a sogra;
É agressivo demais nas preliminares sexuais;
É pouco agressivo;
Dorme virado para ela;
Dorme de costas;
Cita demais pensadores, cineastas, artistas ou o que for europeus;
Não cita ninguém;
Gosta de filme americano;
Não suporta Hollywood;
Pensa que é o rei do mundo;
Age como um zé-ninguém;
Faz barulho quando come pipoca;
Não lhe oferece pipoca;

A lista é infindável. Um dia uns acordam. (Outros, não.) Ao acordar, despedem A Cobradora. E descobrem que a felicidade não está tão longe assim.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Conhecimento e Silêncio.. Oração...

"Oprimido por palavras, pela falsidade e desnecessidade da maioria das coisas que digo aos outros. O que espero encontrar nas palavras que lhes dirijo?
O que, não encontrando, ressinto?
Não tenho nada a dizer!
Como eu seria feliz se admitisse isso na prática! Mas creio que todos os homens, em todas as épocas, esperam que se diga alguma coisa.
Que tolo fiz de mim mesmo ao me tomar por sábio.
E agora não ouso ficar quieto, embora não tenha nada a dizer"



"O Buda perguntou a Sariputra: 'Acreditas em mim?' Sariputra respondeu: 'Não'.
Mas o Buda o elogiou por isso. Foi o discípulo favorito porque não acreditava em Buda, apenas o respeitava como a outro homem qualquer, mas que tinha sido iluminado.
Que é o 'conhecimento da libertação?' - eu perguntei. - 'Quando você está em Bancoc, você sabe que está ali. Antes disso você só sabia a respeito de Bancoc.
A pessoa tem que subir todos os degraus e, depois, quando não há mais degraus, terá que dar um salto. O conhecimento da libertação é o conhecimento, a experiência desse salto'."
(Thomas Merton, Diário da Ásia, p. 10)



Oração
Senhor meu Deus, não sei para onde vou.
Não vejo o caminho em frente, nem sei ao certo onde ele findará.
Na verdade nem me conheço e o fato de pensar que estou a seguir a Tua vontade não quer dizer que eu esteja a ser-lhe fiel.
Mas creio que o desejo de Te agradar Te agrada realmente.
E espero manter este desejo em tudo quanto fizer.
Espero jamais fazer qualquer coisa alheia a esse desejo.
Sei que, se agir assim, Tu me conduzirás pelo caminho certo, embora eu nada possa saber sobre ele.
Por isso, sempre confiarei em Ti, mesmo que me sinta perdido ou às portas da morte, nada recearei, pois Tu estás sempre comigo e nunca me deixarás sozinho. (Thomas Merton)
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"É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém."

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Caminhar...

Que o velho morra para dar lugar ao novo...
Pois toda morte é um renascimento;
Que eu possa ir fundo, dentro de mim, para poder tocar o céu...
Que eu possa alcançar o horizonte...
Que eu possa ter tempo para tudo aquilo que deixei de realizar, e que poderia fazer a qualquer momento...
Que as horas passem devagar quando precisem... os dias menos depressa...
E que eu possa conquistar o atemporal. Não pelo que eu faço, mas por quem eu sou.
Além do sucesso, minha integridade. Além dos objetivos, minha inteireza.
Que eu possa perceber que sou eu quem carrego a chave das próprias prisões que crio..
E que eu me liberte, livre do medo, da angústia, da aflição...
E neste vôo, possa lançar as sementes do Amor.
Amor que todos devemos cultivar.
Além da bela silhueta, além dos preciosos amigos, além de qualquer explicação ou teoria lógica e lapidada.
Além de belos títulos de livros ou filmes. De boas marcas. De comentados lugares.
Eu possa me encontrar. Em tudo aquilo e mais um pouco. Ou menos.
E que eu possa refletir, como um espelho, todos a minha volta.
Que o porvir possa acalmar a ansiedade do dever-ser e do vir-a-ser
Porque eu ainda não sou, nada além, do que eu já sou.
E em mim, tudo basta. Mesmo quando me sinto vazio..
E que, diante do vazio, eu não me preencha com mais dele.
Mas possa decorar minha mente e minha alma de boas conversas, de poesia, de paisagens, de comida frugal e música.. daquelas que tocam o ser.
Que eu aprenda a perdoar, primeiro a mim, por não saber perdoar.
Que eu lembre do melhor e esqueça o necessário..
..O desnecessário para crescer. Pois crescer é inevitável.
E que o inevitável venha. E assim, eu aprenda a aceitar.
Que eu possa criar. Que eu volte a ser quem eu nunca fui, e quem um dia eu deixei de ser.
Sorrisos e lágrimas. Criador e criatura. Céu e terra.
Que os monstros se tornem disciplina e Compaixão.

Tenho equilíbrio. Procuro por mais.
Equilibrei-me por desequilibrar-me.
Além das palavras, o agradecimento contido em cada uma delas.
Pois é a experiência que me brinda com a realidade que me envolve.
Escada de degraus infinitos.
Um recomeço de um caminhar eterno.
Abençoado, próspero, tranquilo. Para mim e para você.
Só para você.
Só para mim.
2008. (Guilherme)



"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente". (Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Servisso á lingua portugueza...

Você sabe o que é tautologia?

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.

O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir: Portanto, tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes.

Em filosofia e outras áreas das ciências humanas, diz-se que um argumento é tautológico quando se explica por ele próprio, às vezes redundantemente ou falaciosamente. Por exemplo, dizer que "o mar é azul porque reflete a cor do céu e o céu é azul por causa do mar" é uma afirmativa tautológica. Da mesma forma, um sistema é caracterizado como tautológico quando não apresenta saídas à sua própria lógica interna ? em outro exemplo, exige-se de um trabalhador que tenha curso universitário para ser empregado, mas ele precisa ter um emprego para receber salário e assim custear as despesas do curso universitário.

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito

... note que todas essas repetições são dispensáveis.

Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não.

E mais.. 30 dicas para escrever bem:

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamenterebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??... então
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita osoutros não tem idéias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formasdiferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, nãorepita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente principalmente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-Ias-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-Ias compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando oconteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza quevocê vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Prece...

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando estou mansidão e ternura. Quando estou contemplação e respeito. Quando as palavras fluem, sem esforço algum, sem ensaio algum, articuladas e belas, do lugar em mim onde eu e ele nos encontramos e brincamos de roda. Quando nelas incluo as pessoas que têm nome e aquelas que desconheço existirem. E os meus amores. E os meus desafetos. E os bichos. E as plantas. E os mares. E as estrelas.
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Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando o medo me acompanha sem que a coragem se ausente. Quando as coisas seguem o seu rumo sem que eu me preocupe em demasia com o destino desse movimento. Quando eu me sinto conectada com o amor e reverente à vida. Quando as lágrimas nascem apenas de um alegre e comovido sentimento de gratidão. Quando caminho com a rara confiança que só as crianças que ainda não doem costumam experimentar, já que, infelizmente, algumas começam a doer muito cedo.
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Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando sou capaz de pressentir o sol mesmo atravessando uma longa noite escura. Quando posso cruzar desertos com a clara convicção de que a vida não é feita somente deles. Quando consigo olhar para todas as experiências, sem que aquelas que me desconcertam me impeçam de valorizar as que me encantam. Quando as tristezas que repentinamente me encontram não atrapalham a certeza da sua impermanência.
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Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando amanheço revigorada e anoiteço tranqüila. Quando consigo manter uma relação mais gentil com as lembranças difíceis que, às vezes, ainda me assombram. Quando posso desfrutar do contentamento mesmo sabendo que existem problemas que aguardam eu me entender com eles. Quando não peço nada além de força para prosseguir, por acreditar que, fortalecida, eu posso o que quiser, em Deus.
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Mas eu desejo, profundamente, que Deus também ouça as preces que lhe dirijo quando eu não consigo elaborar prece alguma. Quando a dor é tão grande que minha fala não passa de um emaranhado de palavras confusas e desconexas que desenham um troço que nem eu entendo. Quando o medo me paralisa e perturba de tal forma que eu me encolho diante da vida feito um bicho acuado. Quando me enredo nas minhas emoções com tanta confusão que parece que aquele tempo não vai mais passar.
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Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando só consigo chorar e, mesmo depois de já ter chorado muito, tenho a sensação de ainda não ter chorado tudo. Quando me sinto exaurida e me entrego a esse cansaço completamente esquecida dos meus recursos. Há momentos em que a gente parece ignorar tudo o que pode nos ajudar a lidar melhor com os desafios. Há momentos, ainda, em que a gente se confunde sobre o local onde, de verdade, os desafios começam.
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Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando me parece que eu não acredito em mais nada. Quando sou incapaz de ver qualquer coisa além do foco onde coloco a minha dor. Quando não consigo articular meus pensamentos nem entrar em contato com alguma doçura que me faça lembrar das coisas que realmente nos movem. Quando não lhe dirijo nenhuma prece. Nem com palavras. Nem com um sorriso enternecido quando dou de cara com uma flor. Com um pôr-de-sol. Com uma criança. Com uma lua cheia. Com o cheiro do mar. Com o riso bom de um amigo. Que ele me ouça com o seu ouvido amoroso e me acolha no seu coração, porque é exatamente nesses momentos que eu não consigo ouvi-lo em mim. (Ana Jácomo)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

No Oceano do Grande Anônimo...

"Quando você está confuso, mil escrituras não são o suficiente. Quando você está perceptivo, uma palavra é demais." (Fen-Yang)


Quando o lótus do coração se abre, tudo muda.
Antigas dores são curadas na florescência do Ser na luz.
O pequeno eu se curva ao Grande Imanente que permeia a tudo.
Então, o Grande Amor faz a canção da alma acontecer, naquela inspiração que homem algum poderá perceber com os sentidos da carne.
A gota do pequeno eu da personalidade se funde no oceano do Grande Anônimo.
E aí, as pequenas coisas da vida se tornam eventos extraordinários, plenos de contentamento. Ver uma florzinha na beira da estrada se torna um momento maravilhoso.
Assistir um pôr-do-sol é um deleite...
Rir sem compromisso, igual criança arteira, é tornar-se uno com Krishna!
Ver o Supremo em tudo e amar a vida é tornar-se uno com Jesus! Pensar na paz e na fraternidade é tornar-se uno com o Buda!
Ah, o coração que se abre na luz do Grande Amor, jamais será o mesmo!
Ele escuta a canção do Grande Anônimo e se encanta com a pequena flor, o pôr-do-sol e o sorriso.
Ele compreende o sorriso de Krishna, o amor de Jesus, e a serenidade de Buda...
Ele sabe que o tempo das mágoas e das dores se foi...
Ele sente o abraço do Inefável!
Ele escuta as vozes dos espíritos no vento da vida, que sempre falam da imortalidade da consciência.
Ele não vê vácuo algum, em nada, mas a plenitude do Todo em tudo!
Não há vacuidade nem idéia de morte em seus caminhos...
Ele vê o mesmo Imanente Invisível em cada olhar e em cada flor.
Ele sabe que o Supremo vive em cada ser, moço ou velho, alto ou baixo, branco ou negro.
Isso porque ele escuta a canção em seu coração...
Isso porque o seu pequeno eu se curvou ao Grande Anônimo e mergulhou no oceano de estrelas. E quem poderá compreender tal coisa, a não ser alguém que também abriu o lótus do coração e diluiu suas mágoas e dores no abraço secreto do Supremo?
Talvez, alguém que também escute as vozes dos espíritos de luz no vento da vida, que sopra por onde quer...
Talvez, apenas alguém que ame a vida...
Ou, aquele que também se admira com o pôr-do-sol, o sorriso e a florzinha na beira da estrada...
Ou, simplesmente, alguém que consegue sentir, de coração, a luz secreta que viaja nas linhas de um texto. (Dedicado a Huberto Rohden e Sry Aurobindo)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mulher.. 99% perfeita!

Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro. Não sei se isso, hoje, ainda ocorre.

Sou anti-social a ponto de não freqüentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que me descredencia a emitir juízo. Mas era assim que a coisa rolava naqueles tempos.

Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto, observando a paisagem. Bom, rapidinho verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatômicas: a fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.

Explico: no córner masculino imperava o embate das comparações e disputas. Meu carro é mais potente, minha TV é mais moderna, meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, o meu time é mais forte, eu dou 3 por noite e outras cascatas típicas da macheza latina.

Já no córner oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimônia que me deliciava.

Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. Discordo. Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil.

Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no bê-a-bá da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.

Ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha que chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma idéia muito clara do que vem a ser isso. Em outras palavras, ela já chega sabendo. E o que não sabe, intui.

Já com os homens a história é outra. Você já viu um menino dessa idade brincando de executivo? Já ouviu falar de algum moleque fingindo ir ao banco pagar as contas? Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do Imposto de Renda?

Não, nunca viram e nem verão. Porque o homem nasce, vive e morre numa existência juvenil. O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos!

E aí reside a maior diferença: o que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia, é competição, fuga. Falo sem o menor pudor. Sou assim. Todo homem é assim.

Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. Sempre consegui enxergar a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia.

Porque toda mulher é linda. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe. É só saber olhar.

Todas têm sua graça. E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones do cafajestismo, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim. Incautas não por serem ingênuas, mas por acreditarem.

Porque toda mulher acredita firmemente na possibilidade do homem ideal. E esse é o seu único defeito! (Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mulher esperta e... Advogada..

Quando Daniel, um belo, promissor e jovem advogado, descobriu que herdaria uma fortuna quando seu pai morresse, decidiu que precisava de uma mulher para virar sua grande companheira.

Assim, numa noite ele foi para o bar da OAB, onde procurou a advogada mais bonita que já tinha visto. Sua beleza natural tirava seu fôlego.

- Eu posso parecer um advogado comum. - disse enquanto se aproximava da musa- Mas em cerca de um mês ou dois, meu pai vai morrer, e eu herdarei 20 milhões de dólares.

Impressionada, a mulher foi para casa com ele naquela noite e, três dias depois, se tornou sua madrasta...

sábado, 1 de dezembro de 2007

O monge Zen na TV..

O monge Zen foi convidado a um programa de TV.
Lá também estavam líderes de diversas religiões, a fim de ser entrevistados.

Cinco minutos após começar o show, já armou-se a maior briga no auditório: qual deus é melhor, qual doutrina é a melhor.

No meio daquela enorme confusão, onde mal se podia falar, o entrevistador perguntou: "E o Senhor, monge Zen, como vocês compreendem Deus e como é a doutrina de vocês ?"

"Ah, não temos nada disso não."

"Ué, não, por quê ?"

O monge apontou para a confusão atrás deles: "Por causa daquilo."