sábado, 17 de novembro de 2007

Sermão..

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita.
Ele concordou.
Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:

"Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?"

"Não, não sabemos!" .. responderam em uníssono.

"Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja..", disse o Mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.
Desceu do púlpito e foi para casa.
Um tanto tristes e envergonhados, seguiram em comissão para mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.
Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:

"Sim, sabemos."

"Neste caso" disse o Mullá, "não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora."
E voltou para casa.
Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.

"Sabem ou não sabem?"
A congregação estava preparada.
"Alguns sabem, outros não."
"Excelente!!!", disse Nasrudin, "então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem."
E foi para casa.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Estratégia...

Um velho homem vivia sozinho em Reykjavík.

Ele queria arar a terra de seu jardim para plantar flores, mas era um trabalho muito pesado.

Seu único filho, que o ajudava nesta tarefa, estava na prisão. O homem então escreveu a seguinte carta ao filho: "Querido filho, estou triste pois não vou poder plantar meu jardim neste ano. Triste estou por não poder fazê-lo.. sua mãe sempre adorava as flores e esta é a época do plantio. Mas estou velho demais para cavar esta terra. Se estivesse aqui, eu não teria esse problema.. mas sei que não pode me ajudar. Com amor, seu pai."

Pouco depois o pai recebeu a seguinte carta: "PELO AMOR DE DEUS PAI! NÃO ESCAVE O JARDIM! Foi lá que escondi os corpos.."

Como as correspondências eram monitoradas na prisão; às 4 da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes e peritos apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo.

Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera. Esta foi a resposta:
"Pode plantar seu jardim agora pai. Isso é o máximo que eu posso fazer no momento."

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Doente, graças a Deus..

Nasrudin, sentado na sala de espera do consultório médico, repetia em voz alta:

"Espero que eu esteja muito doente", o que intrigava os outros pacientes.

Quando o médico apareceu, Nasrudin repetia quase gritando:

"Espero que eu esteja muito doente".

"Por que você diz isso?", perguntou o médico.

"Detestaria pensar em alguém que se sinta tão mal como eu não tenha nada!".

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O charlatão...

Havia um rei que todas as noites costumava dar uma volta pela cidade para ver como estavam as coisas - é claro que ele ia disfarçado. Ele estava bastante intrigado com um homem, um belo jovem que estava sempre sentado debaixo de uma árvore próxima à rua, debaixo da mesma árvore todas as noites.

Por fim, a curiosidade tomou conta do rei, ele fez seu cavalo parar e perguntou ao jovem: "Por que você não vai para sua casa dormir?"
E o jovem respondeu: "As pessoas vão para suas casas dormir porque elas nada tem para guardar. Eu tenho tesouros tão grandes que não posso dormir; preciso guardá-los."

O rei disse: "Que estranho, não vejo nenhum tesouro por aqui."
O jovem explicou: "Esses tesouros estão dentro de mim, o senhor não os pode ver."

Parar todos os dias passou a fazer parte da rotina do rei, porque o jovem era belo e tudo o que ele dizia fazia o rei pensar durante horas. O rei se afeiçoou tanto ao jovem e ficou tão interessado nele que começou a achar que ele era um verdadeiro santo - pois a percepção, o amor, a paz, o silêncio, a meditação, a iluminação, esses eram os tesouros que o jovem guardava; ele não podia dormir, não se podia dar ao luxo de dormir. Só os mendigos podem se dar esse luxo...

A história só começou por causa da curiosidade, mas lentamente o rei passou a respeitar e honrar o jovem, quase como a um guia espiritual.
Certo dia, o rei lhe disse: "Eu sei que você não irá comigo ao palácio, mas penso em você todos os dias. São tantas as vezes que você vem à minha mente que eu adoraria que você fosse hóspede no meu palácio."

O rei pensava que ele não ia concordar - tinha a velha idéia de que os santos renunciam ao mundo -, mas o jovem disse: "Se o senhor sente tanto a minha falta, por que não disse antes? Traga outro cavalo e eu irei com o senhor."

O rei ficou em dúvida: "Que espécie de santo é este, tão acessível?" Mas agora era muito tarde, ele já o convidara. Deu-lhe o melhor quarto do palácio, aquele que era reservado apenas aos hóspedes raros, aos outros reis. Pensou que o jovem ia recusar o quarto, dizendo: "Eu sou um santo; não posso viver neste luxo."
Mas o que ele disse não foi nada parecido com isso. Disse: "Muito bom."

O rei não conseguiu dormir naquela noite, pensando: "Parece que esse sujeito me enganou; ele não é um santo nem nada parecido." Duas, três vezes ele foi olhar pela janela - o santo dormia. E nunca antes ele tinha dormido; ficava sempre sentado debaixo da árvore. Agora ele não guardava o seu tesouro. O rei pensou: "Fui enganado. Este homem é um verdadeiro charlatão."

No segundo dia, o jovem comeu ao lado do rei - todos os tipos de pratos deliciosos, sem austeridade - e gostou da comida. O rei lhe ofereceu roupas novas, dignas de um imperador, ele adorou as roupas. O rei pensou: "Agora, como vou me livrar desse sujeito?" Depois de sete dias, o rei estava cansado e pensando: "Este homem é um completo charlatão, ele está trapaceando."

No sétimo dia, ele disse para esse estranho sujeito: "Eu quero lhe fazer uma pergunta."

E o estranho disse: "Eu sei qual é a sua pergunta. O senhor queria fazê-la há sete dias, mas por cortesia e boas maneiras a segurou - eu estava observando. Mas não lhe vou responder aqui. O senhor pode fazer a pergunta, depois nós sairemos para uma longa cavalgada matinal e então eu vou escolher o lugar certo para dar-lhe a resposta."

O rei disse: "Está bem. A minha primeira pergunta é: Qual é agora a diferença entre você e eu? Você está vivendo como um imperador, mas costumava ser um santo. Agora você não é mais um santo."

O jovem disse: "Apronte os cavalos!" Eles saíram e muitas vezes o rei lembrou-lhe: "Até onde iremos? Você já pode responder."

Finalmente chegaram a um rio que formava uma das fronteiras do reino. O rei disse: "Chegamos agora à minha fronteira. No outro lado do rio é outro reino. Este é um bom lugar para responder."

O jovem disse: "Sim, eu estou indo. O senhor pode ficar com os dois cavalos ou, se quiser, pode vir comigo."
O rei perguntou: "Aonde você vai?"

Ele disse: "Os meus tesouros estão comigo. Aonde quer que eu vá, os meus tesouros estão comigo. O senhor vem comigo ou não?"

O rei disse: "Como posso ir com você? O meu reino, o meu palácio, o trabalho de toda a minha vida estão atrás de mim."

O estranho riu e disse: "Agora o senhor vê a diferença? Eu posso me sentar nu debaixo de uma árvore ou viver num palácio como um imperador porque os meus tesouros estão dentro de mim. Se é debaixo de uma árvore ou se é dentro de um palácio, não faz a mínima diferença. O senhor pode voltar; eu estou indo para o outro reino. Agora não vale mais a pena permanecer no seu reino."

O rei se arrependeu. Tocou os pés do estranho e disse: "Perdoe-me. Eu pensei coisas erradas sobre você. Na verdade, você é um grande santo. Não se vá deixando-me assim; senão, esta mágoa vai doer por toda a minha vida."

O estranho disse: "Para mim, não há dificuldade alguma; eu posso voltar com o senhor. Mas quero alertá-lo. No momento em que nós chegarmos ao palácio, a pergunta sugirá de novo na sua mente. É melhor assim - deixe-me ir embora.

"Eu posso lhe dar um tempo para pensar. Eu posso voltar. Para mim, isso não faz diferença. Mas, para o senhor, é melhor eu deixar o seu reino; é bem melhor. Desse modo, pelo menos o senhor pensará em mim como um santo. Se eu voltar ao palácio, o senhor começará de novo a duvidar. Deixo novamente o palácio depois de sete dias, quando a pergunta se tornar muito penosa para o senhor."

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Com o coração...

"Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blábláblá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o diz-que-me-diz-que, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a freqüência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria agüentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.

Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.

Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.

Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras." (Ana Jácomo)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O velho tema do eu e do outro..

O outro nunca sabe direito o que é e representa para gente.
E a vida vai nos ensinando a sermos cada vez mais sozinhos, pelo acúmulo da não correspondência daqueles que nos significam algo, mas nunca souberam ou perceberam na exata medida. Ou preocupados em excesso com seus próprios problemas, nunca atenderam ao potencial de afeto que por eles ou para eles havia em nós, e foi se desgastando por desuso ou dispersão, já que não o souberam receber.
Às vezes a gente é esse outro. Aí o outro fica com seu gesto de amor à espera da gente.
Às vezes esse outro é mesmo o outro.Aí é a gente que fica com o próprio gesto de amor solto no ar à espera de aceitação, entendimento e correspondência.
Em ambos os casos, dói.
Mas isso já é outra crônica...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Coisas que ainda farão por você...

Muitos de nós vivemos nossas vidas como se o propósito secreto delas fosse, de alguma maneira, cumprir com todas as tarefas. Ficamos acordados até tarde, acordamos cedo, corremos de um lado ao outro se preocupando demais com o relógio, convencendo-se de que nossa obsessão com aquilo que "temos que fazer" é temporária, uma vez que tenhamos chegado ao fim de tudo, ficaremos calmos, tranquilos e felizes.
Mas isso raramente ocorre..
Você nunca terá a sensação de bem-estar se for obcecado por todas as coisas a serem feitas, pois outras irão substituir aquelas que você já as fez. Sempre haverá telefonemas a serem dados e trabalho a ser feito. Poucas coisas em nossa vida se encaixam na categoria de "emergência".
Levamos nossos objetivos tão a sério que esquecemos de aproveitar e se poupar de aborrecimentos, transformando pequenas coisas em complicações.
Pegamos meras preferências e as transformamos em condições para nossa felicidade ou, nos punimos se não conseguimos cumprir o que nos impusemos, porque a única pressão que recebemos é a nossa mesma.
O propósito do dia-a-dia não é fazer tudo, mas aproveitar cada passo que se dá. Afinal, quando você morrer, haverá coisas por completar e... alguém as fará por você.
Não desperdice os momentos da vida lamentando o inevitável; ela continuará se as coisas não saírem conforme o planejado...
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"Pai, perdoa-me porque, o que é certo eu nunca faço. E o que é errado, eu sempre faço." (São Paulo)

Sim, você é uma besta...

Alguma vez na sua vida, no âmago de seu ser, poderias suspeitar o quanto és uma besta?! Talvez você não saiba mas... SIM! VOCÊ É UMA BESTA!!!
Calma lá, você não é o único... você não está sozinho nesta incrível jornada da idiotice humana. Sim, porque a humanidade é o que é: um coletivo de bestas.

Não quero chegar ao ponto do exagero; de uma profunda análise da existência humana, suas relações, causas e consequências... dizendo sobre esta capacidade ímpar, a nossa de, sermos capazes de torturar, matar por prazer, poluir o ambiente.. longe disso!
Mas talvez, dizer tão somente que somos os únicos capazes de sentirmos pena de nós mesmos, neste coitadismo que nos paralisa, nesta dependência que criamos por qualquer coisa para nos satisfazer.. vivendo da atenção e da aceitação dos outros.. relacionamo-nos sendo inseguros, interesseiros, egoístas, na ansia por ter e manipular tudo e todos a nossa volta.. e ainda assim, somos escravos do tempo, dos vícios.. de nós mesmos. Ridículo, não?!
Seria ridículo se tudo isto não fosse tão profundo.
Você já viu algum animal na natureza, precisar acender um cigarrinho pra aliviar o ´stress´?!
Ou começar a se sentir ansioso por se comparar com algum outro animal?! O coelho se comparando com o cavalo?! A árvore com o pássaro?! Sabe de algum animal que precisou fazer regime?! Mesmo quando precisam, somos nós os culpados, que levamos o bichinho a precisar de uma.
Somos nós que sempre passamos dos limites... do bom senso! Precisamos nos preencher com o vazio, pois não costumamos estar satisfeitos com nós mesmos.
Quantas vezes você pensou que se estivesse "lá", estaria melhor do que "aqui"?! Quanta energia não foi desperdiçada na imaginação, na ansieadade, na frustração, ao invés de dedicá-la no presente, na única benção que você realmente possui! A felicidade está onde você está, e ainda fazemos dela uma eterna busca, pois queremos sempre mais e, não obstante, queremos aquilo que não é nosso, até ser. ´

É como se, depois de pagar as 5.396 parcelas daquele carro que você tanto sonhou, derreter-se e apaixonar-se por outro modelo (Tá certo, o exemplo não é muito bom, mas faça uma analogia..).
Sabe... TUDO pode perder seu valor, assim como ganhar proporções incalculáveis. É como trair a pessoa que você tanto gosta e que te adora, sem ao mesmo saber por quê, apenas beijar por beijar.. alimentando seu ego em sua vaidade.

É pensar e se desgastar no passado, fazendo disso um martírio, lamentando-se pelo acontecido. NÃO!!! Viva o agora, nada fará você voltar. Suas escolhas presentes lhe darão a direção do teu caminho. E nada, verdadeiramente volta, como a palavra dita e a pedra atirada.
Somos mestres em espalhar a bosta, depois de jogada no ventilador. Insistimos em ver o cisco no olho ao invés da paisagem. Êêê nossos dramalhões, viu?!
A humanidade ainda não se decidiu o que vai ser quando crescer. A gente só acaba aprendendo no tranco e no tronco mesmo, quando poderia ser bem diferente.

O problema não é cometer erros, pois aquele que nunca errou, não poderá crescer. Não poderá fazer novas escolhas e compreender seu caminho. O problema é cometer o mesmo erro duas vezes.
Uma vez me disseram: Nós só vemos nossos erros e nos mudamos num relacionamento quando acabado o namoro.
E é assim, com todo mundo e com muita coisa em nossa vida. Acho que está na hora de mudar isso. Não espere o leite entornar para só depois, desligar o fogão.
Deveríamos ser algo assim, como as formigas.. organizadas, cooperativas e determinadas por instintos.. ou pelo menos como os porcos.. inteligentes e com orgasmos de meia hora.

É, somos umas bestas!
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"O anseio interior se expressa numa centenade desejos que, pensam as pessoas, são suas necessidades reais. Mas a experiência mostra que não são estes seus desejos verdadeiros pois, ainda que atinjam tais objetivos, o anseio não diminui." (Jalaluddin Rumi)