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domingo, 3 de janeiro de 2010

Constipação espiritual...

Somente após brahmacharya, quando você alcançou a realização, você possui o mundo sem possui-lo. Mas aos poucos você precisa treinar a si mesmo para a não-possessão.

Não seja possessivo, pois sempre quando você fica possessivo você simplesmente demonstra que você é um mendigo. Sempre quando você tenta possuir, você simplesmente demonstra que você não possui; do contrário não há nenhum esforço. Você é um mestre. Não há nenhuma necessidade de tentar para isso.

Por exemplo, se você ama uma pessoa: se você tentar possuir a pessoa, então você não a ama. Você também não tem certeza do amor dela. É por isso que você cria todas as medidas de segurança, cercando-a de todo truque, pela esperteza, pela argúcia, para que ela não lhe deixe. Porém você está matando o amor. Amor é liberdade, amor dá liberdade, amor vive na liberdade. Amor é, no seu núcleo intrínseco, liberdade. Você irá destruir a coisa toda.

Se você realmente ama, não há nenhuma necessidade de possuir; você possui tão profundamente, qual é a necessidade? Você não reivindica; uma reivindicação parecerá superficial. Quando você realmente possui, você torna-se não-possessivo. Contudo a pessoa precisa treinar a si mesma, estar atenta. Não tente possuir coisa alguma. No máximo use-a, e seja agradecido que lhe foi permitido usar, mas não possua.

Possessão é uma mesquinhez; e um ser mesquinho não pode florescer. Um ser mesquinho está sempre numa constipação espiritual, enfermo. Você tem que se abrir, compartilhar. Compartilhar seja o que for que você tenha e isso irá crescer; compartilhe mais e isso cresce mais. Continue dando, e você é continuamente recarregado. A fonte é eterna; não seja avarento. O que quer que seja – amor, sabedoria...seja o que for, compartilhe. Compartilhar é o significado da não-possessibilidade.

Mas você pode ser tolo, como muitas pessoas são. Elas pensam, “Deixe a casa, vá para a floresta, pois como você pode viver numa casa se você não possui?”

Você pode viver na casa; não há nenhuma necessidade de possui-la. Você estará vivendo na floresta. Você irá possuir a floresta? Dirá você, “Agora sou o senhor desta floresta?” Se você puder viver na floresta sem possui-la, qual é o problema? Porque você não pode viver na casa e na loja sem possui-la? Pessoas tolas dizem, “Deixe sua esposa, seus filhos. Fuja, pois não-possessibilidade é para ser praticada”. Eles são estúpidos.

Para onde você irá? Onde você for, sua possessibilidade estará com você. Não fará qualquer diferença. Onde você estiver, apenas compreenda e abandone possessibilidade. Nada está errado com sua esposa – não diga minha esposa. Basta largar o “minha”. Nada de errado com seus filhos – são lindas crianças, crianças do divino. A você foi dado uma oportunidade para servir e amar a eles: use-a, mas não diga “meu”. Eles vieram através de você, mas eles não lhe pertencem. Eles pertencem ao futuro; eles pertencem ao todo. Você foi uma passagem, um veículo, porém você não é o dono.

Então qual é a necessidade de fugir para algum lugar? Esteja onde quer que aconteça você estar. Esteja onde a existência lhe colocou e viva numa não-possessibilidade, e de repente você começará a florescer. Energias estarão fluindo, você não será um fenômeno bloqueado, você se tornará um fluxo. E fluxo é belo. Viver bloqueado e congelado é ser feio e morto.

Estas cinco auto-disciplinas internas são o requerimento básico “... independente de classe, lugar, tempo, ou circunstâncias”. Se você nasceu hoje ou você nasceu cinco mil anos passados não faz nenhuma diferença.

Existem pregadores na Índia que dizem, “Nesse kali yuga você não pode tornar-se iluminado”. Patanjali diz, “...independente de classe, lugar, tempo, ou circunstâncias”. Você pode tornar-se iluminado onde quer que você esteja. Tempo não importa. É consciência que importa. Lugar não importa. Esteja você nos Himalaia ou no mercado isso não importa. Circunstâncias não importam – seja você um grahasta, uma dona de casa, ou uma pessoa que renunciou a tudo, não. Classe não importa – seja você rico ou pobre, educado ou analfabeto, brâmane ou um sudra, Hindu ou um Maometano, Cristão ou um Judeu. Nada importa, pois bem no fundo vocês são um.

Na circunferência pode haver diferenças, mas é só na circunferência; o centro permanece intocado.

Alcance a pureza do centro. Essa é a meta.
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(Osho. Yoga: the Alpha and Omega)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Guia...

"Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me pegou pela mão e me levou. O medo leva-me ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado".
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(Clarice Lispector)
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"Por ter a coragem de trazer a luz da consciência aos lugares dolorosos em sua psique, um milagre acontece. Este ato instiga uma cura, um processo criativo que é bem mais rico do que o que você barganhou. Ela abre as profundidades não nebulosas da aventura interior. Persista com coragem.

A vida mais atenção-consciente... então a felicidade surge, porque na consciência, na luz da consciência, a escuridão do ego desaparece."
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(Osho. The Pathless Path,Vol. 1, Capítulo 1)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tédio...

O tédio é uma das coisas mais importantes na vida humana. Somente o homem é capaz de tédio; nenhum outro animal é capaz de ficar entediado. O tédio existe somente quando a mente começa a chegar cada vez mais e mais perto da iluminação. O tédio é simplesmente o pólo oposto da iluminação. Os animais não podem tornar-se iluminados, por isso eles não podem tornar-se entediados tampouco. O tédio simplesmente mostra que você está se tornando ciente da futilidade da vida, da constante roda repetitiva. Você já fez todas aquelas coisas antes – nada acontece. Você esteve dentro de todas aquelas viagens antes – não deu em nada. O tédio é a primeira indicação de que uma grande compreensão está surgindo em você, sobre a futilidade, a insignificância, da vida e de seus caminhos.
Ora, você pode responder ao tédio de duas maneiras. Uma é o que é feito comumente: fugir dele, o evitar, não olhar olho no olho dentro dele, não afrontá-lo. Mantenha-o às suas costas; e fuja; fuja para dentro das coisas que possam ocupá-lo, que podem tornar-se obsessões – que o mantenha tão afastado das realidades da vida, que você jamais vê o tédio surgir novamente. Eis porque as pessoas inventaram o álcool, as drogas. São meios de fugir do tédio. Mas você não pode realmente fugir; você pode somente evitar por um tempo. Nova e novamente, o tédio virá, e nova e novamente ele será cada vez mais e mais ruidoso. Você pode fugir no sexo, comendo muito, na música – em mil um uma espécies de coisas você pode fugir. Mas nova e novamente o tédio surgirá. Ele não é algo que possa ser evitado: ele faz parte do crescimento humano. Tem de ser encarado. A outra resposta é encará-lo, meditar nele, ficar com ele, ser ele. Eis o que Buda estava fazendo debaixo da árvore Bodhi – eis o que todo o povo do Zen esteve fazendo através das eras.
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(Osho)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Relacionar-se...

“Gostaria que você se tornasse tão capaz que pudesse viver o dia-a-dia e ainda ser meditativo. Gostaria que você se relacionasse com as pessoas, amasse, tivesse milhões de relacionamentos – porque eles enriquecem... – e, ainda assim, continuasse a ser capaz de fechar suas portas e, algumas vezes, tirar uma folga de todos os relacionamentos, de modo que você possa relacionar-se com seu próprio ser também. Relacione-se com os outros, mas relacione-se consigo mesmo também. Ame os outros, mas ame a si mesmo também. Saia! – o mundo é belo, cheio de aventuras; é um desafio, ele o enriquece. Não perca essa oportunidade! Sempre que o mundo bater à sua porta e chamá-lo, saia! Saia sem medo, não há nada a perder, há tudo a ganhar. Mas não se perca. Não vá, permaneça lá e se perca. Algumas vezes, volte para casa. Algumas vezes, esqueça o mundo – estes são os momentos para a meditação. Diariamente, se quiser tornar-se equilibrado, você deve equilibrar o exterior e o interior. Ambos devem ter o mesmo peso, para que dentro de você nunca haja desequilíbrio. É isso que os Mestres-Zen querem dizer quando recomendam: “ Caminhe no rio, mas não deixe a água tocar em seus pés”. Esteja no mundo, mas não deixe o mundo estar em você. Quando voltar para casa, volte para casa – como se todo o mundo tivesse desaparecido. “
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(Osho)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Banqueiro...

Normalmente, um relacionamento sempre perturba. A não ser que você seja capaz de permanecer só, um relacionamento sempre perturba.

Ele é quase como um banqueiro. Se você tiver dinheiro, o banqueiro irá oferecê-lo a você. Se você não tiver, ele não lhe dará dinheiro. Quando você tem, todo mundo está pronto para lhe ajudar; quando você não tem, ninguém está disponível! Assim, os bancos continuam dando dinheiro às pessoas que são ricas.

Com os relacionamentos, é exatamente o mesmo caso. Se você está feliz, o relacionamento a fará mais feliz. Se você está feliz sozinha – o que significa que você não está precisando de um relacionamento – somente assim um relacionamento lhe dará felicidade. Se você está precisando dele, então você se tornará miserável – porque toda dependência traz miséria.
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(Osho)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pare de brigar...

"A mente está sempre em conflito com uma coisa ou outra; ela precisa de conflito para existir. Ela só consegue existir no conflito e através do conflito. Ela é uma guerra constante, ela é violência. Ou ela briga com os outros ou começa a brigar consigo mesma, mas uma coisa é certa, ela não consegue existir sem briga. Isso é a sua própria respiração.

No momento em que você pára de brigar, a mente começa a desaparecer naturalmente, e o desaparecimento da mente é o aparecimento de Deus. O desaparecimento da mente é o desaparecimento de você enquanto entidade separada do todo. Então o todo toma posse de você, você fica inundado pelo todo.

E essa experiência de estar inundado pelo todo é a busca. Chame isso de satori, samadhi, iluminação, realização, libertação, salvação – estas são somente palavras, elas apenas descrevem aspectos da experiência. Na verdade, nenhuma palavra consegue descrever a experiência, ela está além das palavras!"
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(Osho)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Você é responsável...

A mente ordinária sempre lança a responsabilidade em outro alguém. É sempre o outro que está lhe fazendo sofrer. Sua esposa está lhe causando sofrimento, seu marido está lhe fazendo sofrer, seus pais estão lhe fazendo sofrer, seus filhos estão lhe fazendo sofrer, ou o sistema financeiro da sociedade, capitalismo, comunismo, fascismo, a ideologia política prevalente, a estrutura social, ou o destino, carma, Deus... você nomeia!

As pessoas têm milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que voc diz que outra pessoa – X,Y,Z – está lhe causando sofrimento, assim você não pode fazer nada para mudar isso. O que você pode fazer? Quando a sociedade muda e o comunismo chega e há um mundo sem classes, então todos serão felizes. Antes disso, não é possível. Como é que você pode ser feliz numa sociedade pobre? E como você pode ser feliz numa sociedade que é dominada pelos capitalistas? Como você pode ser feliz com uma sociedade que é burocrática? Como você pode ser feliz com uma sociedade que não lhe permite liberdade?

Desculpas e mais desculpas – desculpas apenas evitam um insight que ”Sou responsável por mim mesmo. Ninguém mais é responsável por mim; é absolutamente e totalmente minha responsabilidade. O que quer que eu seja, sou minha própria criação”. Esse é o significado do sutra.

Conduza toda a culpa para um.

E esse um é você.
Uma vez que esse insight se estabelece:

Sou responsável por minha vida – por todo meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e está acontecendo a mim – Eu escolhi esse caminho; essas são as sementes que eu semeei e agora estou colhendo a safra; sou responsável – uma vez que esse insight se torna um entendimento natural em você, então tudo mais é simples. Assim a vida começa a dar uma nova reviravolta. Começa a se mover numa nova dimensão. Essa dimensão é conversão, revolução, mutação – porque uma vez que sei que sou responsável, também sei que posso abandonar isso a qualquer momento que decida fazê-lo. Ninguém pode me impedir de abandonar isso.

Pode alguém lhe impedir abandonar sua miséria, de transformar sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na prisão, acorrentado, preso, ninguém pode prender VOCÊ; sua alma ainda permanece livre. É claro, você fica numa situação muito limitada, mas mesmo nessa situação limitada você pode cantar uma canção. Você pode ou derramar lágrimas de desamparo ou pode cantar uma canção. Mesmo com correntes em seus pés você pode dançar; então até mesmo o som das correntes terá uma melodia nela.

Próximo sutra: Seja grato a todos.

Atisha é realmente muito científico. Primeiro ele diz: Tome toda a responsabilidade sobre si mesmo. Segundamente ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém mais é responsável pela sua miséria exceto você – se a miséria é toda seu próprio fazer, então o que resta?

Seja agradecido com todos.

Porque todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que acham que estão lhe obstruindo, mesmo aqueles que você pensa que são seus inimigos. Seus amigos, seus inimigos, boas e más pessoas, circunstancias favoráveis, circunstancias desfavoráveis – tudo isso junto está criando o contexto no qual você pode ser transformado e tornar-se um Buddha. Seja agradecido a todos – àqueles que lhe ajudaram, àqueles que lhe obstruíram, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, porque todos juntos estão criando o contexto no qual Buddhas nascem, no qual você pode se tornar um Buddha.

(Osho, Extraído de: Book of Wisdom, Chapter 5)

domingo, 9 de agosto de 2009

Qualquer coisa...

"Qualquer coisa que você sinta bem é boa, qualquer coisa que você sinta que é bonita é bonita, e qualquer coisa que o faça alegre, deliciando-se, é verdade. Deixe que este seja seu único critério. Não se importe com as opiniões alheias."
(Osho)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O que é ciume?

Ciúme é comparação. E fomos ensinados a comparar, fomos condicionados a comparar, comparar sempre. Alguém possui uma casa melhor, alguém tem um corpo mais bonito, alguém tem mais dinheiro, alguém possui uma personalidade mais carismática. Compare, continue comparando a si mesmo com todo mundo que você encontrar, e o resultado será um grande ciúme; esse é o sub produto do condicionamento da comparação.

De outra maneira, se você deixa de comparar, o ciúme desaparece. Assim você simplesmente sabe que você é você e ninguém mais, e que não há nenhuma necessidade de ser outro alguém. É bom que você não se compare com as árvores, senão você começaria a se sentir muito ciumento: porque você não é verde? E porque Deus tem sido tão duro com você – e nenhuma flor? É melhor você não se comparar com os pássaros, com os rios, com as montanhas; do contrário você irá sofrer. Você só se compara com os seres humanos, porque você foi condicionado a só se comparar com os seres humanos; você não se compara com os pavões e com os papagaios. Senão seu ciúme seria bem maior; você estaria tão sobrecarregado de ciúmes que você não seria capaz de viver de maneira nenhuma.

A comparação é uma atitude muito tola, porque cada pessoa é única e incomparável. Uma vez que esse entendimento se estabelece em você, o ciúme desaparece. Cada um é único e incomparável. Você é apenas você mesmo: ninguém nunca foi como você e ninguém nunca será como você. E você também não precisa ser nenhum outro.

. Deus cria somente originais; ele não acredita em cópias carbono.

Um grupo de galinhas estava no quintal quando uma bola de futebol passou por sobre a cerca e caiu no meio delas. Um galo chegou gingando, estudou-a, e então disse, “Não estou reclamando garotas, mas vejam o trabalho que eles estão fazendo no vizinho ao lado”.

Na porta do vizinho grandes coisas estão acontecendo: a grama é mais verde, as rosas são mais rosadas. Todo mundo parece estar tão feliz – exceto você. Você está continuamente comparando. E a mesma coisa está acontecendo com os outros, eles também estão comparando. Talvez eles também achem que seu gramado é mais verde – sempre parece mais verde à distância – que você tem uma esposa mais bonita... Você está cansado, você não pode acreditar como você permitiu se envolver com essa mulher, você não sabe como se livrar dela – e o vizinho pode estar com ciúmes de você, que você tem uma mulher tão bonita! E você pode estar com ciúmes dele...

Todo mundo tem ciúmes de todo mundo. E com ciúmes criamos um tal inferno, e com ciúmes nos tornamos muito medíocres.

Um velho fazendeiro estava mal-humoradamente avaliando os estragos da inundação. “Hiram!” Gritou o vizinho, “seus porcos foram todos levados pela correnteza”.
“E quanto aos porcos do Thompsom?” Perguntou o fazendeiro.
“Eles também foram levados”.
“E os de Larsen?”
“Também”.
“Hum!” Exclamou o fazendeiro, comemorando. “Não foi tão ruim como eu pensava”.

Se todos estão na miséria, isso parece bom; se todos estão perdendo, isso parece bom. Se todos estão felizes e bem sucedidos, isso tem um sabor muito amargo.

Mas por que antes de tudo a idéia do outro entra na sua cabeça? Deixe-me lembrá-lo novamente: porque você não permitiu sua própria seiva fluir; você não permitiu sua própria felicidade brotar, você não permitiu seu próprio ser florescer. Daí você se sentir vazio no íntimo, então você olha para o exterior de cada um e de todo mundo porque isso é só o que você pode ver.

Você conhece seu íntimo e você conhece o exterior dos outros: isso gera ciúmes. Eles conhecem seu exterior e eles conhecem o interior deles: isso gera ciúmes. Ninguém mais conhece seu íntimo. Lá você sabe que você não é nada, não vale nada. E os outros parecem tão sorridentes exteriormente. O sorriso deles pode ser falso, mas como você pode saber que são falsos? Talvez seus corações sejam também sorridentes. Você sabe que seu sorriso é falso porque seu coração não está sorrindo de maneira alguma, ele pode estar lamentando e chorando.

Você conhece sua interioridade, e só você a conhece, ninguém mais. E você conhece o exterior de todos, e as pessoas fizeram o exterior delas parecer bonito. Exteriores são vitrines e são muito enganadoras.

Há uma antiga história Sufi:
Um homem estava muito oprimido pelo seu sofrimento. Ele costumava orar diariamente a Deus, “Porque eu? Todos parecem ser tão felizes, porque só eu estou sofrendo tanto?” Um dia, em grande desespero, ele orou a Deus, “Você pode me dar o sofrimento de qualquer um outro e estou pronto para aceitar isso. Mas leve o meu, não posso mais suportá-lo”.

Aquela noite ele teve um belo sonho, belo e muito revelador. Ele sonhou naquela noite que Deus aparecia no céu e dizia para todos, “Tragam todos os seus sofrimentos para o templo”. Todos estavam cansados de sofrer – na verdade todos tinham orado alguma vez ou outra, “Estou pronto para aceitar o sofrimento de qualquer um outro, porém leve o meu sofrimento, é demais, é insuportável”.

Assim todo mundo colocou seu próprio sofrimento em sacolas e levaram para o templo e todos pareciam muito felizes; o dia havia chegado, suas preces foram ouvidas. E esse homem também correu para o templo.

E então Deus falou, “Coloquem suas sacolas na parede”. Todos as sacolas foram colocadas na parede e então Deus declarou: “Agora vocês podem escolher. Podem pegar qualquer sacola”.

E a coisa mais surpreendente foi: que esse homem que tinha estado sempre orando, correu em direção a sua sacola antes que alguém mais pudesse escolhê-la! Ele contudo, ficou surpreso porque todo mundo correu para sua própria sacola e todos estavam contentes com a escolha. O que aconteceu? Pela primeira vez, todos viram a miséria dos outros, o sofrimento dos outros – as sacolas deles eram tão grandes, ou até mesmo maiores!

E o segundo problema era, as pessoas tinham se acostumado com os seus próprios sofrimentos. E agora escolher o sofrimento de outra pessoa – quem sabe que tipo de sofrimento estará dentro da sacola? Pra que se incomodar? Pelo menos você está familiarizado com o seu próprio sofrimento e você já está acostumado com ele, e ele é suportável. Por tantos anos você o tolerou – porque escolher o desconhecido?

E todos foram para casa felizes. Nada havia mudado, eles estavam trazendo o mesmo sofrimento de volta, mas todos estavam felizes e sorridentes e alegres porque conseguiram suas próprias sacolas de volta.

Pela manhã ele orou para Deus e disse, “Grato pelo sonho; nunca mais pedirei novamente. Tudo que você me tem dado é bom para mim, tem que ser bom para mim; eis porque você me deu isso”.

Devido ao ciúme você está em constante sofrimento; você torna-se medíocre para os outros. E por causa do ciúme você começa a ficar falso, porque você começa a fingir. Você começa a fingir coisas que você não possui, você começa a fingir coisas as quais você não pode ter, que não são naturais a você. Você se torna cada vez mais artificial. Imitando os outros, competindo com os outros, que mais você pode fazer? Se alguém tem alguma coisa e você não tem, e você não tem a possibilidade natural de ter isso, o único jeito é arranjar algum substituto barato para isso.

Eu soube que Jim e Nancy Smith divertiram-se muito na Europa nesse verão. É tão legal quando um casal finalmente tem a oportunidade de realmente viver bem. Eles estiveram por toda parte e fizeram de tudo. Paris, Roma... Você diz o nome, eles estiveram lá e viram tudo.
Porém foi tão embaraçante voltar para casa e passar pela alfândega. Vocês sabem como a os oficiais da alfândega espionam todos os seus pertences. Eles abriram uma sacola e tiraram três perucas, cuecas de seda, perfume, tintura para os cabelos... Realmente embaraçante. E era apenas a sacola de Jim!

Basta olhar para dentro de sua mala e você irá encontrar tantas coisas artificiais, falsas, coisas fictícias – pra que? Porque você não pode ser natural e espontâneo? – devido aos ciúmes.

O homem ciumento vive no inferno. Pare de comparar e os ciúmes desaparecem, a mediocridade desaparece, a falsidade desaparece. Mas você só pode deixá-los se seus tesouros íntimos começarem a crescer; não existe outra maneira.

Cresça, torne-se um individuo mais e mais autêntico. Ame e respeite a si mesmo do jeito que Deus lhe fez e então, imediatamente, as portas do paraíso se abrem para você. Elas sempre estiveram abertas, você simplesmente nunca deu atenção a elas.
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(Osho, Extraído de: The Book of Wisdom, Chapter 27)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Confusão...

Osho,
Eu acho que penso claramente, mas no fundo eu apenas vejo confusão. Às vezes eu penso que sei, mas descubro que nada sei. Eu apenas achava que sabia.
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“Aprenda a viver com a confusão. Não tenha pressa para concluir. A confusão não é necessariamente algo errado. Não a rotule como sendo confusão. Rotular é errado. Algumas vezes um rótulo errado pode criar muitos problemas.
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Isso não é realmente confusão: é um estado de transição, de mudança. Você se desenraizou do velho solo e está procurando pelo novo, e entre os dois, isso acontece. Isso não é confusão, isso é apenas um hesitante estado de crescimento. Isso é crescimento e sempre que existe crescimento costuma-se rotular como confusão. Mas ao rotular como confusão, você está interpretando errado e começará a tentar resolver de algum jeito. Se você chamar isso de crescimento, então não haverá pressa em resolver. Na verdade, você terá que dar suporte a isso, pois é crescimento. Se chamar de confusão, você estará condenando e terá que encontrar uma maneira de sair disso.
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Não há necessidade de sair disso; aprenda a viver com isso. Aprenda a viver com todos os tipos de estados que estarão surgindo. E se algumas vezes for confusão, o que há de errado na confusão? Nos ensinaram erradamente que devemos ser absolutamente claros. Somente os tolos conseguem ser absolutamente claros, somente os tolos estão certos.
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A confusão é natural: ela é o caos criativo dentro de você. É somente a partir desse caos que a criatividade começa. Chame isso de caos criativo, não chame de confusão.
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A vida é um mistério. Como alguém consegue estar certo a respeito dela? Ela é um grande fluxo e tudo está sempre mudando rapidamente. Como você pode estar certo sobre um rio? Como você pode estar certo sobre a forma de uma nuvem? Como você pode estar certo sobre a vida? A forma das nuvens, o fluxo do rio, o vento que passa invisivelmente através dos pinheiros... Você apenas escuta o som, você não consegue pegá-lo, você não consegue agarrá-lo, você não consegue reduzi-lo a uma conclusão. Todas as conclusões são falsas, porque todas as conclusões são a respeito de alguma coisa morta. A vida nunca pode ser enclausurada dentro de uma conclusão, dentro de uma teoria, dentro de uma hipótese.
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Aprenda a viver com todos os tipos de coisas: algumas vezes existe tristeza, outras vezes alegria, algumas vezes, confusão, outras vezes, certeza. Deixe que as coisas aconteçam do jeito que acontecer, e não se apresse em modificá-las. Deixe-as ser como elas são e aceite-as totalmente. Então a confusão desaparece e a certeza nunca surge, e isso é a coisa mais bela que pode acontecer a alguém. Deixe-me repetir: a confusão desaparece; no momento em que você não estiver contra ela, a confusão desaparece. No momento em que você começar a amar e curtir a confusão, ela desaparecerá; ela se tornará um mistério. Você a transformou, foi uma transformação mágica. No momento em que você abandona a sua atitude de julgamento – ‘de que isto está errado e eu tenho que estar certo’ – tudo fica perfeitamente bem. Isto é muito mais bonito do que certezas, porque certeza não é crescimento, enquanto confusão é crescimento; confusão tem um grande valor. E uma vez que você começa a curtir a beleza da incerteza, a amplitude da incerteza, a aventura da incerteza e a excitação do inseguro, uma vez que você começa a curtir isso, onde está a confusão?. Ela se foi. Ela existia apenas na sua interpretação.
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Quando a confusão se vai, eu não estou dizendo que a certeza surge. Não. Se a certeza surgir, você cairá de novo na confusão, porque você se agarrará a essa certeza. E a vida continua mudando; de novo haverá confusão. Nenhuma certeza aparece; a confusão desaparece e não existe certeza alguma.
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Não existe confusão nem certeza também. Este é o estado mais belo em que alguém pode estar. É de onde as portas da mente se abrem para o divino.
Curta isso. Isso lhe será tremendamente benéfico.”

(OSHO – The Sacred Yes – Cap. 4)

domingo, 31 de maio de 2009

Coragem

A vida exige enorme coragem. Apesar de todos os medos, temos que começar a viver. E a vida é insegurança. Se você ficar preocupado demais com proteção e segurança, você permanecerá confinado a um pequeno cantinho, quase em uma prisão. Será seguro, mas não será vivo, não terá aventura, não terá êxtase.
. (Osho)

sábado, 9 de maio de 2009

Liberdade...

"A liberdade dá medo. As pessoas falam sobre a liberdade, mas elas têm medo. E um homem não é homem ainda se ele tem medo da liberdade. Dou a você a liberdade; não dou segurança. Dou a você entendimento; não dou conhecimento. O conhecimento lhe traz certezas. Se posso dar a você a fórmula, uma fórmula pronta, de que existe um Deus, existe um Espírito Santo e um único filho bem amado, Jesus; existe um inferno e um céu e existem boas ações e más ações; cometa um pecado e irá para o inferno, pratique o que chamo de atos virtuosos e você irá para o céu – acabou! -, então você tem certezas.
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É por isso que tantas pessoas optam por ser cristãos, hindus, muçulmanos, jainistas – elas não querem liberdade, querem fórmulas fixas.Um homem estava morrendo – de repente, num acidente de estrada. Ninguém sabia que ele era judeu, então chamaram um padre, um padre católico.
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Ele se curvou bem próximo ao homem – e o homem estava morrendo, nos últimos estertores da morte – e disse:- Você acredita na Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo e em seu filho Jesus? Veja só! – respondeu o homem, abrindo os olhos -, eu aqui morrendo e ele fazendo charadas!"
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(Osho)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Parábola do existir...

Há uma história sobre Buda, onde uma manhã um homem perguntou a ele: "Existe um Deus?"
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Buda olhou para o homem, olhou dentro e seus olhos e disse: "Sim, existe um Deus."
Neste mesmo dia, à tarde, outro homem perguntou: "O que você acha de Deus? Existe um Deus?"
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Novamente ele olhou para o homem e para dentro de seus olhos disse: "Não, não existe nenhum Deus."
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Ananda, que estava com ele nas duas ocasiões, ficou muito confuso, mas ele sempre era muito cuidadoso para não interferir em nada. Ele tinha o seu tempo quando todo mundo partia à noite e Buda estava indo dormir; se ele tinha que perguntar alguma coisa, ele poderia perguntar neste momento. Mas, à noite, enquanto o sol estava se pondo, um terceiro homem veio com quase a mesma questão, formulada diferentemente. Ele disse: "Você pode dizer algo sobre Deus?"
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Ananda estava agora escutando muito concentradamente o que Buda diria. Ele deu duas respostas absolutamente contraditórias no mesmo dia e agora uma terceira oportunidade surgiu - e não existe uma terceira resposta. Mas Buda deu uma terceira resposta.
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Ele não falou, ele fechou os seus olhos. Era uma linda noite. Os pássaros tinham se acomodado em suas árvores - Buda estava em baixo de uma mangueira - o sol se pôs, uma brisa fresca estava começando a soprar. O homem, vendo Buda sentando com os olhos fechados, pensou que talvez esta é a resposta, assim ele também se sentou com os olhos fechados.
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Uma hora se passou, o homem abriu os olhos, tocou os pés de Buda e disse: "Obrigado pela resposta." E foi embora.
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Ananda não podia acreditar, porque Buda não falou uma simples palavra. E quando o homem foi embora, perfeitamente satisfeito e contente, Ananda perguntou a Buda: "Isto é demais!
Você poderia pensar em mim - você me deixa louco. Eu estou à beira de um colapso nervoso. Para um homem você diz que existe Deus, para outro homem você diz que não existe Deus e para um terceiro você não responde. E este estranho seguidor diz que ele recebeu a resposta e, grato, ainda toca os seus pés! O que está acontecendo?"
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Buda disse: "Ananda, a primeira coisa que você tem que se lembrar é que estas perguntas não eram as suas, e aquelas respostas não foram dadas para você. Por que você deveria se preocupar com elas? Elas não são da sua conta, mas algo entre mim e aquelas três pessoas".
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Ananda disse: "Isto é verdade, estas não eram minhas perguntas e as respostas não foram dadas para mim. Mas o que eu posso fazer? Eu tenho ouvidos e escuto e eu escutei e vi e agora todo o meu ser está confuso - o que é certo?"
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Buda disse: "Você pensa na vida em termos absolutos, é esse o seu problema. A vida é relativa. Para o primeiro homem a resposta foi sim e era relativa a ele, estava relacionada com as implicações de sua questão, de seu ser, de sua vida. O homem a quem eu disse sim era um ateu; ele não acredita em Deus e não quero dar suporte a seu ateísmo estúpido; ele fica a proclamar que Deus não existe. Mesmo se um pequeno espaço for deixado inexplorado... talvez Deus exista naquele espaço.
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Só quando você investigou toda a existência pode dizer com absoluta certeza que Deus não existe. Isso é possível somente no final, e aquele homem estava simplesmente acreditando que Deus não existe, mas não tinha experiência existencial de que Deus não existe. Precisei estilhaçá-lo, precisei trazê-lo de volta à terra, precisei bater duro em sua cabeça. Meu sim foi relativo àquela pessoa, a toda a sua personalidade. Sua pergunta não era apenas palavras. A mesma palavra vinda de outra pessoa poderia ter recebido uma outra resposta.
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E foi isso que aconteceu quando respondi "não" ao outro homem. Ele era um idiota tal qual o primeiro, mas no pólo oposto. Ele queria o meu apoio - ele já acreditava em Deus. Ele veio com a resposta pronta, apenas para solicitar o meu apoio de modo que ele pudesse ir e dizer: ‘Eu estou certo, o próprio Buda pensa assim’. Eu tinha que dizer não para ele, apenas para perturbar a sua crença, porque crença não é sabedoria.
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E o terceiro homem veio sem crenças. Ele não me perguntou se Deus existe. Não, ele veio com o coração aberto, sem a mente, sem crenças, sem ideologias. Ele era realmente uma pessoa sã e inteligente. Ele me pediu: 'Você pode dizer algo sobre Deus?'
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Pude perceber que aquele homem não tinha crença dessa ou daquela natureza; ele é inocente. Com uma pessoa tão inocente, a linguagem não tem sentido. Não posso dizer sim nem não; apenas o silêncio é a resposta. Então fechei os olhos e permaneci em silêncio.
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E minha impressão sobre o homem provou ser correta. Ele fechou os olhos também. Ele entendeu minha resposta: fique em silêncio, vá para dentro. Ele então recebeu a resposta de que Deus não é uma teoria, uma crença que você deve estar contra ou a favor. Foi por isso que ele agradeceu pela resposta.
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Deus não é uma coisa muito distante de você; ou você é uma mente ou você é um deus. Em silêncio e consciência a mente desaparece e revela a sua divindade para você. Apesar de eu não ter falado nada para ele, ele recebeu a resposta e recebeu-a da maneira correta."
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(Osho)

domingo, 1 de março de 2009

Way of life...

"Quando você vive de um determinado modo, a pessoa não gosta que alguém descreva como é estúpido esse seu modo de viver. Ninguém quer ser chamado de estúpido. Não é sobre a questão daquilo que dizem que vocês se sentem incomodados - é sobre suas vidas; se as suas vidas são estúpidas e vocês a estão vivendo, então vocês são estúpidos. Isso ofende. Mas isso é questão do ego! Se nós compreendessemos o que é o processo do ego ao olharmos melhor para nós mesmos e não tivéssemos nenhum ego, não importaria se alguém nos dissesse se somos idiotas ou se alguém nos dissesse que somos gênios! Não importa! São opiniões dos outros. Você sabe quem você é - você não depende da opinião dos outros. Seu ego depende. Seu ego o mantém um escravo da sociedade dentro da qual você vive. Comumente as pessoas pensam que o ego é uma coisa preciosa. Ele não é nada mais do que a escravidão delas".
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"Permaneça sempre aberto e experimentador, sempre disposto a caminhar em uma trilha que você nunca percorreu antes. Quem sabe? Mesmo se ela provar ser inútil, terá sido uma experiência..." (Osho)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Amor...

O amor floresce somente quando a necessidade desaparece. Um amor acontece somente entre um rei e uma rainha – em nenhum existe qualquer necessidade.

O amor é o maior luxo do mundo. Ele não é uma necessidade – é o ultimo luxo, o supremo entre os luxos. Se você estiver necessitado dele, ele será como outras necessidades; você precisa de comida, de abrigo, de roupas, disso e daquilo. Nesse caso, o amor também é parte desse mundo. Quando não há necessidade, você está simplesmente fluindo com a energia e gostaria de compartilhar com alguém, e alguém também está fluindo com a energia e gostaria de compartilhar com você, então vocês dois oferecem sua energia a um deus desconhecido do amor.


E esse é o luxo absoluto, porque ele não tem um propósito, não é um negócio. Ele é intrínseco, e não um meio para outra coisa.
É uma grande brincadeira.
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(Osho)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Medo...

Por que você quer sair do medo? Ou você ficou com medo do medo?
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Se você tem medo do medo, isto é um novo medo. É assim que a mente vai criando o mesmo padrão sempre, repetidamente. Eu digo: "Não deseje e então você chegará ao divino.". Então, você pergunta: "Realmente, se não desejarmos, então, chegaremos ao divino?" - você já começou a desejar o divino.
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Eu lhe digo "se há medo, o amor não pode existir", então, você fica com medo do medo. Você pergunta: "Como a pessoa pode sair do medo?". Isto é novamente um medo, e mais perigoso do que o primeiro medo, porque o primeiro era natural; o segundo é antinatural. E é tao sutil, que você não percebe o que está perguntando - como sair do medo?
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A questão não é sair de nada: a questão é somente de compreensão. Compreenda o medo, o que ele é, e não tente sair dele, porque, no momento em que você começa a tentar sair de qualquer coisa, você não está pronto para compreender aquilo - porque a mente que pensa sair, já está fechada. Ela não está aberta para compreender, ela não é solidária. Ela não pode contemplar quietamente; ela já decidiu. Agora o medo se tornou o mal, o pecado, então saia dele.
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Não tente sair de nada.
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Tente compreender o que o medo é. E, se você tem medo, então, aceite-o. Ele existe. Não tente escondê-lo. Não tente criar o oposto. Se você tem medo, então você tem medo. Aceito isso como parte do seu ser. Se você puder aceitá-lo, ele já desapareceu. Através da aceitação, o medo desaparece: através da negação, ele aumenta.
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Você chega a um ponto onde você sabe que tem medo, e você compreende o seguinte: "Por causa deste medo, o amor não pode acontecer a mim. Então, tudo bem, o que eu posso fazer? O medo existe, então, somente uma coisa acontecerá - eu não fingirei amor. Ou, eu direi à minha amada ou ao meu amado, que "é por causa do medo que eu me estou me agarrando a você". Lá no fundo estou com medo. Serei franco quanto a isso; não mais enganarei ninguém, nem a mim mesmo. Eu não fingirei que isto é amor. Eu direi que é simplesmente medo. Por causa do medo, eu me agarro a você. Por causa do medo, eu vou ao templo, ou à igreja, e oro. Por causa do medo, eu me lembro de Deus. Mas, então, eu sei que aquilo não é oração, aquilo não é amor, aquilo é somente medo. Eu tenho medo, então, seja o que for que eu faça, ele está presente. Aceitarei esta verdade.".
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Um milagre acontece quando você aceita a verdade. A própria aceitação o transforma. Quando você sabe que há medo em seu ser e você não pode fazer nada sobre isso, o que você pode fazer? Tudo que você pode fazer é fingir, e os fingimentos podem ir ao extremo, ao outro extremo.
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Um homem muito medroso pode ser tornar um homem muito bravo. Ele pode criar uma armadura ao seu redor. Ele pode se tornar um atrevido temerário, só para mostrar aos outros que ele não tem medo. E, se ele puder enfrentar o perigo, ele pode se enganar que não tem medo. Mas até um homem mais corajoso tem medo. Toda a sua bravura está apenas em derredor; lá no fundo, ele treme. Para não ficar ciente disso, ele salta para dentro do perigo. Ele se torna engajado com o perigo, de modo a não ter consciência do medo, mas o medo está presente.
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Você pode criar o oposto, mas isso não vai mudar nada. Você pode fingir que não tem medo - isso, novamente, não muda nada. A única transformação que pode acontecer é você tornar-se simplesmente ciente de que: "Eu tenho medo. Todo meu ser está tremendo e, seja o que for que eu faça, é devido ao medo.". Você se tornou verdadeiro para si mesmo.
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Então, você não tem medo do medo. Ele está presente, é uma parte sua; nada pode ser feito sobre isso. Você tem de aceitá-lo. Agora você não finge, agora você não engana ninguém, nem a si mesmo. A verdade está aí, e você não tem medo dela. O medo começa a desaparecer, porque uma pessoa que não tem medo de aceitar seu medo, tornou-se destemida - esse é o mais profundo destemor que é possível. Ela não criou o oposto, então, não há nenhuma dualidade nela. Ela aceitou o fato. Ela ficou humilde diante disso. Ela não sabe o que fazer - ninguém sabe - e nada pode ser feito, mas ela parou de fingir: parou de usar máscaras, faces. Ela se tornou autêntica em seu medo.
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Essa autenticidade e esse destemor para aceitar a verdade, transforma-o. E, quando você não finge, não cria um falso amor, não cria uma ilusão ao seu redor, não se torna uma pessoa de mentira, você se tornou autêntico. Nesta autenticidade, o amor surge: o medo desaparece, o amor surge. Esta é a alquimia interna de como o amor surge.
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Agora, você pode amar. Agora, você pode ter compaixão, solidariedade. Agora, você não depende de ninguém, porque não há nenhuma necessidade. Você aceitou a verdade. Não há nenhuma necessidade de depender de ninguém; não há necessidade de possuir e ser possuído. Não há nenhum anseio pelo outro. Você se aceita - através desta aceitação, o amor surge. Ele preenche seu ser. Você não tem medo do medo, você não está tentando se livrar dele. Simplesmente ele desaparece quando aceito.
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Aceite seu ser autêntico e você será transformado. Lembre-se disto: aceitabilidade, total aceitabilidade, é a chave mais secreta do tantra. Não rejeite nada. Através da rejeição, você ficará aleijado. Aceite tudo - seja o que for. Não condene isso, e não tente escapar disso. Há muitas coisas implicadas nisso. Se você tentar se livrar disso, você terá de cortar seu ser em departamentos, em fragmentos, em partes. Você ficará aleijado. Quando você joga fora uma coisa, alguma outra coisa também é jogada fora com ela - a outra parte dela - e você fica aleijado. Então, você não é total. E você não pode ser feliz, a menos que seja total e íntegro. Ser íntegro é ser santo. Ser fragmentado é ser incompleto e enfermo.
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Assim, eu direi: tente compreender o medo. A existência deu-o a você. Deve haver algum significado profundo, e deve haver algum tesouro escondido, então, não o jogue fora. Nada lhe é dado sem algum significado. Nada existe dentro de você que não possa ser usado numa sinfonia mais elevada, numa síntese mais elevada.
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Tudo o que existe em você, quer você compreenda ou não, pode se tornar um degrau. Não pense nisso como uma barreira: permita que se torne um degrau. Você pode tomá-lo como algo que impede a caminhada - não é impedimento. Se você puder andar sobre isso, se você puder usá-lo, firmar-se sobre isso, uma nova visão do caminho lhe será revelada num nível mais elevado. Você será capaz de olhar fundo na possibilidade, no futuro, na potencialidade. (...)
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Mas, se você tentar esconder o medo, destruí-lo, criar o oposto dele, você ficará divido e se tornará fragmentado, desintegrado. Aceite o medo e use-o. E, no momento em que você sabe que você o aceitou, ele desaparece. Tente pensar: se você aceita seu medo, onde ele está?
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Um homem veio a mim e disse: "Eu tenho muito medo da morte.". Ele tinha câncer, e a morte estava perto; a qualquer dia, ela podia acontecer. E ele não podia adiá-la. Ele sabia que ela ia acontecer. Dentro de meses, ela estaria ali - ou até mesmo dentro de semanas.
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Ele estava verdadeiramente, físicamente e literalmente tremendo. Ele disse: "Me dê apenas uma coisa: como eu posso sair deste medo da morte? Me dê um mantra, ou alguma coisa que possa me proteger e me dê coragem para encarar a morte. Eu não quero morrer tremendo de medo.". O homem disse: "Eu já estive em muitos santos. Eles me deram muitas coisas. Eles foram muito gentis. Um me deu um mantra, outro me deu umas cinzas sagradas, outro me deu seu retrato, alguém me deu alguma outra coisa, mas nada ajudou. Tudo em vão. Agora, eu vim até você como o último recurso. Agora não irei a mais ninguém. Dê-me alguma coisa. Então, eu lhe disse: "Contudo, você não percebe. Por que você está pedindo algo? - só para sair do medo? Nada ajudará. Eu não posso lhe dar nada. Ademais, como os outros se provaram fracassos, eu também me provarei um fracasso. E eles deram-lhe algo porque não sabiam o que estavam fazendo. Eu só posso dizer uma coisa para você: aceite o fato. Trema, se tremer estiver presente - o que fazer? A morte existe, e você sente um tremor; então, trema. Não rejeite isso, não reprima. Não tente ser valente. Não há nenhuma necessidade. A morte existe. Ela é natural. Fique totalmente com medo.".
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Ele disse: "O que você está dizendo? Você não me deu nada. Ao invés, ao contrário, você diz para aceitar!". Eu disse: "Sim, aceite. Simplesmente vá e morra pacificamente com total aceitação.". Depois de três ou quatro dias ele voltou novamente, e disse: "Funciona. Eu não pude dormir por tantos dias, mas durante esses quatro dias eu dormi profundamente, porque é isso mesmo, você está certo. Ele me disse: "Você está certo. O medo existe, a morte existe, nada pode ser feito. Todos os mantras são apenas truques - nada pode ser feito.".
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Nenhum médico pode ajudar, nenhum santo pode ajudar. A morte existe, é um fato, e você está tremendo. É natural. Uma tempestade chega e todas as árvores tremem. Elas nunca vão a nenhum santo para perguntar como não tremer quando a tempestade está passando por elas. Elas nunca vão pedir um mantra para mudar isso, para protegê-las. Ela treme. É natural; é assim.
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E o homem disse: "Mas aconteceu um milagre. Agora, eu não estou com tanto medo.".
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Se você aceita, o medo começa a desaparecer. Se você rejeita, resiste, luta, você dá energia para o medo. Esse homem morreu pacificamente, destemido, sem medo, porque ele pôde aceitar o medo. Aceite o medo e ele desaparece.
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(Osho, The Book of the Secrets)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Semelhante atrai semelhante...

Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa; pode encontrar o parceiro certo.

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Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas. Está perfeitamente bem.
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Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.
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Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se este surgiu da infelicidade. Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.
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Não peça por um relacionamento a partir da solitude, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio.Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.
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Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém. Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.
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Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida. Ela é somente uma possibilidade. A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.
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Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém. A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade. E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.
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"É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra"? Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo. Como você pode ser bom para outra pessoa?Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.
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Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo. Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado. Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo. Assim você irá florescer.
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Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele. Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino.
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Osho, Extraído de: Ecstasy: The Forgotten Language

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O romance não consegue ser duradouro...

“Esse momento chega para todo relacionamento. Faz parte da vida. Mais cedo ou mais tarde, o romance começa a desaparecer, e romance é um tipo de coisa que não consegue ser muito duradouro. Ele é muito excitante, quando existe, mas quando ele se vai, a pessoa se sente completamente fechada. Porque a abertura não era sua – ela era decorrente do toque romântico inicial, da emoção que sempre vem quando um relacionamento começa. Sempre que começa um relacionamento, você está cheio de esperanças. Todas essas esperanças são falsas. Mas isso não interessa naquela hora. Todos aqueles sonhos serão desfeitos, mas quem se importa? Aqueles sonhos são belos e dourados.
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E quando se está num sonho, ninguém quer ser acordado, porque acha que está sendo arrancado de seu belo mundo. Porém, mais cedo ou mais tarde, o sonho terá que terminar, ele não consegue continuar para sempre. Sonho algum jamais continua – é por isso que ele é chamado de sonho.
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Na Índia nós definimos verdade como aquilo que permanece para sempre, para sempre e para sempre. A eternidade dela é a sua essência. Aquilo que começa e termina é ‘maya’, um sonho, uma ilusão.
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Assim, todo relacionamento quando começa é belo e poético. Depois, pouco a pouco, a poesia é perdida porque você se torna familiarizado com a outra pessoa, e ela se torna familiarizada com você, de modo que a novidade já não mais existe; a sensação já não está mais ali. Nada mais existe para ser explorado; a exploração acabou. Então, você começa a viajar pelo mesmo caminho de novo, de novo e de novo. E isso cria tédio. Isso cria uma espécie de meditação transcendental. Você repete um mesmo mantra de novo, de novo e de novo.
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Nada mantém você acordado, de modo que começa a ficar sonolento, começa a se fechar. Nada existe para ver, então por que manter os olhos abertos? Nada mais existe para experienciar, então por que estar aberto? A emoção já se foi... A lua-de-mel acabou. Porém, somente assim alguma coisa significativa é possível.
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Duas possibilidades se abrem quando um relacionamento morre, quando se esfria. Uma possibilidade é você trocar de parceiro. Então você poderá viver novamente um sonho por uns poucos dias. Mas o problema surgirá de novo, de modo que essa possibilidade é apenas uma maneira de transferir o problema para depois, empurrando-o para mais adiante. Ele não será resolvido desse jeito. E isso é o que está acontecendo no ocidente.
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Escolha a parte emocionante, o início, somente a lua-de-mel. Mas isso se torna uma flutuação. Muitas pessoas entrarão em sua vida e você flutuará e sonhará. E aos poucos você verá que aqueles sonhos ocuparam toda a sua vida e nada aconteceu. Um dia se sentirá tremendamente frustrado... Essa é a abordagem mais fácil.
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No oriente nós pensamos de uma outra maneira. Nós pensamos que quando um relacionamento se esfria, este é o momento para um verdadeiro relacionamento começar. Mas então o relacionamento será uma prosa, não uma poesia. Ele será da terra, e não abstrato e do céu..
É preciso ter coragem para seguir adiante nesse processo. Assim como a primeira fase passa, a segunda também passará, lembre-se. Porque tudo o que acontece aqui é apenas uma fase passageira. Se eu lhe tivesse dito no começo que esse sonho iria terminar, você não me escutaria. Você diria, ‘Como?’ Nenhum amante escuta. E fica parecendo que a pessoa que lhe diz isso é seu inimigo. Mas agora eu lhe digo que ele passou. O segundo estágio também passará se você persistir no relacionamento.
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Se dois amantes forem impedidos de se encontrar, a primeira fase nunca terminará. Assim os amantes mais afortunados são aqueles aos quais não se permite encontrar, de maneira alguma. A primeira fase deles continua porque nada existe para desfazer o sonho de suas vidas, e assim eles podem continuar fantasiando. Uma vez que você se encontra com a pessoa, tem que caminhar sobre a terra.
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Um dia você terá que voltar para a terra. Os sonhos não podem ser o seu alimento; um alimento verdadeiro é necessário. A segunda fase também é passageira porque é muito difícil passar por ela. É muito fácil passar pela primeira porque nada lhe é exigido; não é um desafio. Na verdade você gostaria de ficar agarrado a ela. Agora, a segunda fase vai ser um grande desafio para você. Ela irá repelir, ela irá forçá-lo de todas as maneiras a abandonar o relacionamento, a mudar de parceiro e cair de novo no sonho. Essa é toda a armadilha da mente. Mas eu gostaria que você continuasse com o relacionamento.
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Lembre-se sempre que a dor é um grande estimulante e o prazer é um tranquilizante. O sofrimento ajuda mais que toda felicidade junta.
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Um simples momento de sofrimento é mais valioso do que toda uma vida de satisfação de prazeres, conforto e conveniências. Por que? Porque você quer se agarrar ao prazer. Já o sofrimento você quer jogar fora. Você gostaria de correr para longe de toda aquela coisa, de escapar para algum lugar. Mas se você der prosseguimento, uma certa integração acontecerá para você.
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E exatamente continuando com ele, permanecendo ali e não escapando nem correndo para longe, mas encarando-o, você se tornará forte. Pela primeira vez a alma surgirá em você. Você sentirá que alguma coisa se ajustou. Você não é mais simplesmente partes soltas. Todas as partes chegaram no lugar e formaram um padrão.
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Gurdjieff costumava chamar isso de o verdadeiro nascimento do ego. Antes você tinha muitos egos, muitos “Eus”. Sempre que uma pessoa está pronta para encarar um sofrimento, depois de um sonho desfeito, então esse sofrimento será tremendamente valioso. Mas você não consegue ver isso neste exato momento.
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Se você passar pelo sofrimento, você o aceitará como uma parte. Você vivia no sonho, e agora, quem vai viver, quando o sonho foi quebrado? Você vivia no palácio, agora vive nas ruinas – porque todo palácio, mais cedo ou mais tarde, torna-se uma ruina. E, quando mais cedo acontecer, melhor, porque então o desafio surge. Assim, este é o grande desafio para você.
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Passe por ele. Aceite ele também. Algumas vezes o terreno é muito áspero, algumas vezes a montanha é muito perigosa para ser escalada, algumas vezes existem momentos tristes e infelizes, e puro tédio, mas tudo isso é a vida. E a pessoa tem que vivê-la em todas as dimensões.
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Assim, a maneira mais fácil é sair do relacionamento. E logo você começa a sonhar com um outro alguém.
"Eu não quero sair do relacionamento. Ele é a melhor parte de minha vida!"
Então fique nele, deixe que esta fase passe também. Ela também passará; nada há para ser feito.
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."Sob certo sentido, o que você está dizendo é certo. Eu quero dizer, o meu caso amoroso com o Naresh é bom, mas o meu amor por você e pelas meditações... Eu sinto como se eu estivesse sofrendo há muito tempo e estivesse tentando observar isso e manter uma distância. Nenhum de nós sente que isso é por causa do outro. Nós temos tentado ajudar um ao outro e nós nos sentimos muito próximos."
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Eu não sei – talvez você consiga ver...
Não, não. Você está tentando enganar. Você pode não saber... Mas como é possível que você não saiba? No fundo você deve saber.

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Quando o caso amoroso das pessoas está indo bem, elas ficam muito abertas também para mim. Mas elas não estão abertas para mim – elas simplesmente estão abertas para o amor e para o sonho. Em tal sonho, elas sonham que estão abertas para mim. Quando o caso amoroso delas termina, elas também se sentem fechadas para mim, porque elas nunca estiveram abertas.
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Mas, medite sobre isso. Se você pensa que não existe problema algum entre você e o Naresh, e se você se sente próxima de mim, então isso não será difícil; algo pode ser feito. Mas primeiro você tem que decidir se isso é entre você e eu... Porque eu não vejo dessa maneira.
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Você está projetando algo como sendo entre você e eu, de modo que você possa salvar o Naresh e o relacionamento. Você está tentando desviar a sua mente. Assim, ao invés de você ficar com raiva dos seus sonhos, você fica com raiva das meditações. Você está jogando todo o peso em cima delas, o que não é verdade; isso é apenas uma desculpa.
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E isso acontece por toda a vida. Nós nunca definimos exatamente a causa. É dessa maneira que a miséria continua crescendo. Uma vez corretamente diagnosticado, noventa e nove por cento dos problemas desaparecem. (...)
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Pense a respeito disso por sete dias e depois me conte. Mas se você pensa que o que está causando algum problema para o seu relacionamento amoroso é este ashram e o fato de viver aqui, então eu sou sempre a favor do amor. Esqueça este ashram completamente e esteja em qualquer lugar que você goste. Mm? Pense sobre isso de novo."
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OSHO – Beloved of my Heart - 22 de maio de 1976

domingo, 6 de julho de 2008

Início...

Onde você estiver, é sempre o início. É por isso que a vida é tão bela, tão jovem, tão virgem.
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Quando você começar a pensar que algo está completo, começará a ficar morto. A perfeição é morta; assim, os perfeccionistas são suicidas. Desejar ser perfeito é uma maneira indireta de cometer suicídio. Nada jamais é perfeito, não pode ser, porque a vida é eterna. Nada jamais se conclui; não existe conclusão na vida – apenas pontos cada vez mais elevados.
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Quando você atinge um ponto culminante, um outro está desafiando-o, chamando-o, convidando-o. Assim, lembre-se sempre de que onde você estiver é sempre um início. Então você sempre permanece uma criança, você permanece virgem. E esta é toda a arte da vida: permanecer virgem, permanecer novo e jovem, não corrompido pela vida, não corrompido pelo passado, não corrompido pela poeira que normalmente se junta nas estradas da jornada.
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Lembre-se: cada momento abre uma nova porta.
Isso é muito ilógico, porque sempre pensamos que, se houver um começo, deverá haver um fim. Mas nada pode ser feito. A vida é ilógica: ela tem um começo, mas não um fim. Nada que está realmente vivo jamais termina, mas segue continuamente em frente.
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(Osho)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Nada falta...

Nada está faltando, tudo é como deveria ser. Cada um já é perfeito. A perfeição não é para ser alcançada, ela já está presente. No momento em que você aceita a si mesmo, ela é revelada.
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Se você não aceita a si mesmo, ficará perseguindo sombras, miragens, distantes miragens. E elas somente parecem belas quando você está muito distante delas. Quanto mais próximo você chegar, mais descobrirá que nada existe, somente areia; era uma miragem. Então você cria uma outra miragem, e é assim que as pessoas desperdiçam sua vida inteira.
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Simplesmente aceite a si mesmo como você é, nada deve ser condenado, nada deve ser julgado. Não há como julgar, como comparar, porque cada pessoa é única. Nunca existiu uma pessoa como você e nunca existirá novamente; assim, você está sozinho e a comparação não é possível. E essa é a maneira que a existência deseja que você seja, e esse é o motivo de você ser dessa maneira. Não brigue com a existência e não tente se aperfeiçoar, ou criará uma confusão. É assim que as pessoas criaram uma confusão a partir de suas vidas.
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Portanto, esta é minha mensagem a você: aceite a si mesmo. Será difícil, muito difícil, porque a mente idealista está sempre observando e dizendo: "O que você está fazendo? Isso não é o correto a ser feito! Você precisa se tornar notável, precisa se tornar um Buda ou um Cristo ou seja lá quem for - o que você está fazendo? Isso não se parece com um Buda, você está se comportando como um tolo. Você ficou maluco?"
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Aceite a si mesmo. Nessa aceitação está o estado búdico.

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(Osho)