segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Ela...

A minha esposa quando sorri revela seus 452 dentes. Não é deboche, nem ironia. Seu sorriso é tão lindo que quando sorri se mostram, numa ilusão de ótica, os 833 dentes da sua boca harmônica e simétrica. Além do charme, é claro, há muito o que dizer. Anna desmente aquela teoria de que quem faz muito não faz nada direito. Acupunturista, fotógrafa, editora, pintora, massoterapeuta, chef, thetahealer, bailaora flamenca. Anna, com excelência, canta, dança, representa e desensina certezas empoeiradas abrindo espaço para a minha própria luz. Anna me convida às cores, à cura, à celebração. Já me deu a vida, a voz, a vez, o peito e os amanhãs. Anna é janela, café, colo, asa e céu. Anna se veste de sol para me amanhecer, diariamente. E sendo o dia dela, hoje, o dia é meu. De celebrar os seus plurais, o nosso amor e a minha felicidade por tê-la ao lado. Por ser a nossa casa o altar de cada um dos nossos sonhos. Por ser o seu nome a minha inteira prece. E eu, aqui, escrevo para lembrá-la de quem ela é quando às vezes se esquece. Aqui, acendo a poesia e as palavras para iluminá-la para que o lume revele aos seus olhos a mulher que é. Isto tudo já declarado nas entrelinhas. Isto tudo a ser confessado no meu sorriso quando a vejo. Um sorriso imenso, mas com bem menos dentes na boca.

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