segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A experiência...

Eu neguei por vários anos o Natal. Com a rebeldia de um adolescente o rejeitei convenientemente alegando a hipocrisia das pessoas, o desperdício de comida, o amigo secreto compulsório, a televisão ligada em programas sem graça, etc. Eu, todo trabalhado no mimimi, dei foco no que queria enxergar e, oras, enxerguei e vivi exatamente o que escolhi para mim. Reclamei como se a experiência do Natal fosse independente do meu próprio olhar e do que, de alguma maneira, escolhia acreditar. O que eu percebi - e que compartilho com vocês - é que não sou refém de nenhuma experiência porque sou eu que a escolho e dou atenção para o que quero dar. Se insisto com a atenção em algo que me desagrada, este algo que me desagrada persiste. Hoje, percebo que posso criar o meu Natal, a minha experiência de Natal, sem reforçar, persistir ou insistir no que não quero. Dou atenção ao que me é valioso, ao que me nutre, e descubro ainda que posso criar um cenário onde não preciso engolir a seco a hipocrisia alheia e nem discuti-la, ou que me permito dizer "não" para aquilo que não quero participar. E, de alguma maneira, isto se dá com a nossa vida inteira. Qual é a experiência que tenho escolhido criar para mim? O que me faz por atenção e insistir no que me desagrada? Como posso ter mais do que me deixa feliz e por isto mesmo, compartilhar com quem gosto?

Aos que compreenderam a mensagem e aos que não, desejo de coração uma generosa e divertida experiência de Natal. Seja lá como você decida vivê-la.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Ela...

A minha esposa quando sorri revela seus 452 dentes. Não é deboche, nem ironia. Seu sorriso é tão lindo que quando sorri se mostram, numa ilusão de ótica, os 833 dentes da sua boca harmônica e simétrica. Além do charme, é claro, há muito o que dizer. Anna desmente aquela teoria de que quem faz muito não faz nada direito. Acupunturista, fotógrafa, editora, pintora, massoterapeuta, chef, thetahealer, bailaora flamenca. Anna, com excelência, canta, dança, representa e desensina certezas empoeiradas abrindo espaço para a minha própria luz. Anna me convida às cores, à cura, à celebração. Já me deu a vida, a voz, a vez, o peito e os amanhãs. Anna é janela, café, colo, asa e céu. Anna se veste de sol para me amanhecer, diariamente. E sendo o dia dela, hoje, o dia é meu. De celebrar os seus plurais, o nosso amor e a minha felicidade por tê-la ao lado. Por ser a nossa casa o altar de cada um dos nossos sonhos. Por ser o seu nome a minha inteira prece. E eu, aqui, escrevo para lembrá-la de quem ela é quando às vezes se esquece. Aqui, acendo a poesia e as palavras para iluminá-la para que o lume revele aos seus olhos a mulher que é. Isto tudo já declarado nas entrelinhas. Isto tudo a ser confessado no meu sorriso quando a vejo. Um sorriso imenso, mas com bem menos dentes na boca.