quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Reino que desconheço...

[...] atravessei demoras, numa lentidão do tempo a querer nada comigo. em tudo esbarrei embriagado de cansaços. fiz sinônimo aos cotidianos e desesperanças. sufoquei-me na densidade dos vazios. dormi entre as tristezas. repeti capítulos. a vida estava onde eu relutava ou resistia. impedia-me isto de saber milagres nos detalhes paralelos à minha casa. eu me desaconteci quando expulsei o amor de mim e sobrou-me apenas o mundo. presença minha adulterada, desistida dos laços antes mesmo de tentá-los. por acaso reaprendi meu nome numa semente que me escolheu, e o acaso se fez meu em re-encanto. reescrevi o inexato caminho dos destinos e das felicidades. naveguei no mar das coisas ditas sem naufragar. mas somente quando deixei de lutar e permiti-me aceitar os reflexos. consagrei-me num reino que desconheço.

Um comentário:

IVANI RAMOS disse...

Guilherme

"A beleza é o gesto humano de dar sentido à existência. Todos nós somos fabricantes de narrativas, e fabricantes de poesia, porque procuramos encontrar as palavras mais justas para designar nossa existência." (Tzvetan Todorov)

Que em 2018 não nos faltem beleza e poesia. Feliz Natal e um ano de muita inspiração, bençãos e prosperidade.

Grata por mais um ano de crônicas e poesia.

PS.: Gostei muito da nova cor do plano de fundo do blog. Cansa menos a visão.