segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Afastamento...

Preenchia-se de vazios e era a falta que lhe oprimia o peito. Uma ausência que o acompanhava agravando-se durante as noites. Vivia para esquecer-se; corria para evitar-se. O elevador vazio, o escritório cheio, a academia, o engarrafamento, as ansiedades, o almoço, o jantar, o medo e o olhar distante eram expedientes para jamais encontrar-se consigo. O que diria a si caso pudesse? Qual verdade esfregaria na própria cara? Qual tristeza escolheria para poder chorar? Afastava o amor quando o amor o escolhia. E talvez fosse este seu grande mal. Apenas não maior do que não perceber que era exatamente disto que sofria.

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