quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lavar o silêncio...

Guardava palavras para usá-las quando muito; quando excesso; quando pela força das marés fosse levado a sentir demasiado. A palavra para proteger-se. Para criar distâncias. Para poder lidar com invisíveis. As palavras e as entrelinhas como a fuga de um deus improvisado. Colecionava palavras para usá-las como companhia. Como um dia ensolarado só porque dissera. Como o vôo de qualquer pássaro porque falara sobre esperanças. Como uma liberdade porque concedera o perdão. Guardava as palavras para maturá-las do lado de dentro. Para engrandecê-las quando as revelasse. Para engrandecer-se porque as disse. Para lavar o silêncio que se completou. 

Um comentário:

Jéssica Monalisa disse...

É bem esse o ofício natural de todo escritor... colecionar palavras para usá-las como companhia. E acaba sendo tão maravilhoso e essencial... é parte de nós. Um bom feriado e boa noite.