segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A língua...

Um dia resolvi me vestir de poesia como a minha própria vida e então nasci palavra. Um dia resolvi caminhar nas flores que eu mesmo joguei e então me fiz perfume. Vivo num reino em que se guardam as cores da alma; onde o vento é o senhor das promessas, que levam sementes ao jardim das possibilidades. Aqui me alimento com um só grão de açúcar onde mora toda a doçura do mundo. Aqui me escondo da saudade, pois no reino não mora o vazio. Outro dia resolvi fugir da boca e do papel pra me sentir silêncio, e aprendi que muitas vezes as palavras são mera distração quando o amor não se sente. Sabendo o amor, é o silêncio quem declara. O coração quando confessa, nem sempre faz barulho. A poesia quando a alma versa, nem sempre rosto tem. O amor se encontra nos olhos que desnudam os espinhos do tempo e desembaraçam histórias; um romance inteiro num só abraço. Quando me esforcei inteiro pra te pertencer, é porque eu já não me pertencia mais. Antes do sol nascer nos sabíamos ciranda; antes do anoitecer, eu me sabia você. 

Contigo aprendi a navegar na deliciosa língua da poesia.

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