domingo, 24 de setembro de 2017

Riacho...

Chorava. O desamparo era um riacho. O desamparo pela solidão, pelo medo, pelas noites, pelo outro. Chorava. O abandono era um soluço. O abandono dos pais, do amor, o abandono de si. Chorava os capítulos, as histórias, erros e vidas inteiras. Chorava suas prisões, seus nós, ruas sem saída, suas despedidas, seu mofo, insistências e desistências. Chorava como se bastasse. Como se se traduzisse. Como se despedisse. Como se libertasse. O alívio era um riacho. A levá-lo para muito longe. A trazê-lo para mais perto.

E permanecer.

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