terça-feira, 18 de julho de 2017

Do interrogatório...

O escritor dialoga com espelhos e diante de cada um interroga-se junto aos seus próprios demônios. Ao convocar memórias revisita-se ao adentrá-las sem limpar os pés e o peito. Escrever é passar a limpo os desastres numa releitura personalíssima do tempo. O escritor põe-se a drenar a realidade do espírito que o comprime pela falta de sentido que ininterruptamente o ameaça. Ao realocar verdades pela dissolução dos seus escuros, arrisca-se por em xeque sua literatura. As palavras são as boas novas da sua própria inferioridade, álibi dos seus fracassos, o registro precário dos seus invisíveis. A literatura é a fertilidade do caos onde a incompletude da condição humana comunga com a sua própria.

O homem escreve numa tentativa contínua de descrever a palavra última que o justifique.

Um comentário:

Poeta da Colina disse...

E ainda assim, é possível que a resposta esteja no silêncio.