quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ele mesmo...

Abandonado aos excessos em razão do que lhe faltava; o sono entorpecido pelas repetições do que vivia, como própria defesa, doía-se para evitar doer; perdia-se para evitar perder-se. Sem previsões para as alturas, seu medo era de tornar-se menor do que ele mesmo. Contornava diariamente as exigências da angústia que lhe convocava ao nada. As paixões sendo a medida de todas as coisas tornou-lhe por isto um escravo. O vôo era sempre um raso a conceder breve anúncio das alturas. O álcool lhe era uma porta, o lsd lhe era janela, o sexo lhe era altar: nenhum a bastar por durar apenas um esquecimento, uma rápida excitação casual a torná-los interessantes, o alívio fortuito a dissolvê-lo no mundo implacável das coisas postas. O sonho sem sentido reproduzia a vida. O amor ausente o levava à beira da cama para o devido diálogo com as tristezas. Graduou-se nos silêncios e na solidão de casa. Adiava-se continuamente por não reconhecer quem seria caso viesse a encontrar-se

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