quarta-feira, 10 de maio de 2017

Respirar...

Eu respiro o presente e não me contento. Convoco lembranças e não me basto. Mantenho-me refém das culpas e frustrações que sinto por não me usar melhor. O charme do futuro e os roteiros todos do passado levam-me para sempre longe. Eu respiro o presente e não me encontro. Sobra o que de mim falta e que não acrescento porque não sei. E o que não sei me parece ser o óbvio que insistente ignoro. Uma verdade que me aliviaria caso soubesse; que me devolveria parte de mim caso a conhecesse. A parte de mim que nego parece-me o inteiro. Parece-me porque nunca o soube ser. A parte de mim que ignoro é a que me salvaria da crença de que só é possível viver de outro jeito e nunca deste, de que vivo como quem se afoga na própria vida e deseja desesperadamente um amor para se agarrar. O presente é este momento onde nunca estou e o único onde me é possível estar. Eu o respiro enquanto o perco. O que posso concluir é que não o sei respirar.

Um comentário:

vitalina de assis disse...

Oi.....

Que intenso!

Não é este um sentir que incomoda, mas que nos mantém vivo e nos incomoda ainda mais?

Falastes da necessidade de um amor, eu penso que um amor pode tudo e só não compreendo que tendo tanto poder, não possa possuir-me e exilar-me para sempre da solidão.

Tem dias que acordo com a ansiedade sufocando-me em um abraço que insiste em não soltar, tendo ficar serena, tento convencê-la a dar-me um tempo, tento dialogar, quem sabe assim, compreende meu desassossego e me solte por inteiro, ainda que por segundos. A tirana não me solta, finge amar-me e se diz feliz por possuir-me.

Por onde anda este amor? Não me completo e como posso, em incompletude, completar o que quer que seja?

Espero.

Abraços. Gostei muito do seu mundo.