quarta-feira, 10 de maio de 2017

Respirar...

Eu respiro o presente e não me contento. Convoco lembranças e não me basto. Mantenho-me refém das culpas e frustrações que sinto por não me usar melhor. O charme do futuro e os roteiros todos do passado levam-me para sempre longe. Eu respiro o presente e não me encontro. Sobra o que de mim falta e que não acrescento porque não sei. E o que não sei me parece ser o óbvio que insistente ignoro. Uma verdade que me aliviaria caso soubesse; que me devolveria parte de mim caso a conhecesse. A parte de mim que nego parece-me o inteiro. Parece-me porque nunca o soube ser. A parte de mim que ignoro é a que me salvaria da crença de que só é possível viver de outro jeito e nunca deste, de que vivo como quem se afoga na própria vida e deseja desesperadamente um amor para se agarrar. O presente é este momento onde nunca estou e o único onde me é possível estar. Eu o respiro enquanto o perco. O que posso concluir é que não o sei respirar.

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