sábado, 6 de maio de 2017

Porão...

Semeamos o erro e queremos a flor mais bonita. Carregamos os cacos e reclamamos doerem as mãos. Enfeitamos a alma com medos e não entendemos doença. Ao amor fecho os olhos mas cego é o coração. Somos donos de casa vistosa numa rua sem saída. Somos parte de um encontro que já aguarda a despedida. Versamos na boca a liberdade mas vivemos mesmo é no porão: um sufoco com porta que à parede leva e uma esperança com escada que ao teto chega. E quando soube o homem ser o seu porão apenas sonho ruim, gaiola virou ninho, corrente virou caminho, farpas e pedras, o seu jardim. Que por lá moravam três ventos, quatro lágrimas, duas promessas e um só pé-de-sol, que ao florescer de luz inundou riacho e arrastou para longe as tristezas, abrindo com força a janela da casa e o próprio peito, espantando as sombras que por lá dormiam presas.

(Releitura de um texto antigo meu de 2011)

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