As ausências e prolongados vazios dão-nos demasiado tempo para nos preocuparmos com coisa nenhuma ou, formularmos discursos e defesas sobre qualquer coisa. Ocultos por entre as falas e os triviais comentários e as cotidianas reclamações, queremos as coisas divinas, que as espezinhamos pela nossa falta de generosidade. Desenvolvemos medos feitos de tristezas que a eles recorremos, diariamente. Derramamos as saudades dos tempos aos móveis de casa, convivemos com silêncios feitos das memórias tristes, ressignificamos o mundo pelos olhos amargos cultivados. Aí, como que por descuido ou distração, dá-me tu ao amor que mais futuro entrega-me do que qualquer esperança ou previsão, salvando-me de tão grande morte por preservar os sonhos que lhe dedico e celebrar o tempo futuro nos teus abraços, alongando-me a vida sem um passo a mais. Toco o teu nome em minha boca para falar das certezas e beijar-te nas distâncias. Diante dos teus olhos, fecho os meus. Brilham as estrelas em paz agora.
(Texto do meu livro "Teoria Geral do Desassossego", publicado pela Ed. Penalux)
(Texto do meu livro "Teoria Geral do Desassossego", publicado pela Ed. Penalux)

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