domingo, 28 de maio de 2017

Absolvição...

A rotina me mastiga com sua boca cheia de dentes. E eu me anestesio exatamente porque não me dói. A cada semana ocupo-me com algo para distrair-me: uma nova série, um outro livro, um velho amigo e um mesmo bar; na espera do mesmo salário, das próximas férias, de uma dívida e um boleto para pagar. E apago-me por beber demais, comer demais, dormir de menos, viver de menos e reclamar por cada coisa que me enfrenta e não planejo. Um antiácido para a queimação e chá para as ansiedades. O cotidiano me rasga com o morno a que me apego. Culpo-me por infinitas razões; coleciono angústias e pequenas irritações mas desvio da responsabilidade por não saber o que fazer, como descartar o que não serve e me usar melhor. Enquanto isso, levo-me adiante sem planos de vôo, sem rotas de fuga ou saídas de emergência. Deparo-me com domingos, tédios e outras ruas sem saída. Os excessos todos me pertencem, os precipícios me chamam pelo nome. O alívio do álcool, das mentiras, do sono, do flerte, do egoísmo e o amor sempre impróprio. Sacio-me com venenos e vazios que me empurram uma vez mais para os dias que me massacram como a esperança de um prisioneiro que aguarda sua absolvição.

Um comentário:

Mila Lopes disse...

Ah!!
As minhas "coleções"...

Os meus excessos me perseguem.

Bjss Mila Lopes

https://palavrandoels.blogspot.com.br/