sábado, 27 de maio de 2017

A vigésima segunda visita da generosidade...

O nome nos veio como uma revelação. A ser desesplicada pelas lógicas e anteriores teorias. O nome nasceu na beira do sonho de minha amada, que a mim despertou com ele vivo dentro da boca. O nome nela pousou como pássaro numa janela aberta. Como solo sagrado para se deitar palavras. E as palavras como nítida presença de uma generosidade que caminha ao lado de cada um de nós, independendo dos calendários ou tristezas.

Um livro para reacender esperanças antigas.
Uma releitura generosa dos óbvios.

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Belíssima fotografia da querida Jaci Bathista.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

The end...

Não deu crédito ao autor.
Não dava jamais crédito ao autor.
Dava crédito apenas à sua própria mediocridade.

E Satanás, atento que só, a acompanhando por aqui, deu-lhe caganeira e urticária.

Pedagogia do terror, sabe?

Mas a mediocridade era tamanha que ela não ligou o com o cré.

Satanás, então, a cegou.

The end.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aqui...

Aqui, escondemos as tristezas sob o verniz da permanente e invejável felicidade com a qual nos enfeitamos. Aqui, para além dos invejosos e acima do bem e do mal publicamos fotografia com uma frase motivacional. Aqui, temos remédios para todos os males. Os alheios, é claro. Receitas para a criminalidade, para a depressão, para a situação econômica e geopolítica. Um oceano de boa-fé e opiniões sobre tudo aquilo em que nos afogamos. Aqui, somos interessantes e inteligentes além da conta e da medida. Somos os astros do que gostaríamos de acreditar, presos neste carrossel que nos distrai e inteiro nos consome. Aqui, confundimos nossos personagens sem limites com nossas vidas tão comuns. E no vão entre os dois habitam nossas mentiras e inexistências. Neste museu de grandes novidades nos apegamos às palavras como dignas de vida ou morte. Enquanto on-line nos fragmentamos, a vida segue inteira e lá fora.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A fotografia...

A fotografia. O único porta retrato da casa. Um registro apenas de si mesmo. Sorrindo numa festa dezoito anos antes. De quando era mais magro e seus pai ainda eram vivos, de quando viajava com os amigos e voltava tarde pra casa, de quando comia mal mas vivia bem, de quando dormia mal e acordava bem, de quando ainda não havia sido demitido, de quando ainda acreditava no amor, de quando se sentia mais leve, mais livre, mais outro, menos outro, mais ele mesmo.

Sentiu inveja de si, raiva de si e culpa de si por não ter sabido nunca se usar melhor. Ele foi feliz e não sabia, nunca soube. Soube apenas agora.

Jogou o porta retrato fora.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

As coisas divinas...

As ausências e prolongados vazios dão-nos demasiado tempo para nos preocuparmos com coisa nenhuma ou, formularmos discursos e defesas sobre qualquer coisa. Ocultos por entre as falas e os triviais comentários e as cotidianas reclamações, queremos as coisas divinas, que as espezinhamos pela nossa falta de generosidade. Desenvolvemos medos feitos de tristezas que a eles recorremos, diariamente. Derramamos as saudades dos tempos aos móveis de casa, convivemos com silêncios feitos das memórias tristes, ressignificamos o mundo pelos olhos amargos cultivados. Aí, como que por descuido ou distração, dá-me tu ao amor que mais futuro entrega-me do que qualquer esperança ou previsão, salvando-me de tão grande morte por preservar os sonhos que lhe dedico e celebrar o tempo futuro nos teus abraços, alongando-me a vida sem um passo a mais. Toco o teu nome em minha boca para falar das certezas e beijar-te nas distâncias. Diante dos teus olhos, fecho os meus. Brilham as estrelas em paz agora.

(Texto do meu livro "Teoria Geral do Desassossego", publicado pela Ed. Penalux)

sábado, 6 de maio de 2017

Porão...

Semeamos o erro e queremos a flor mais bonita. Carregamos os cacos e reclamamos doerem as mãos. Enfeitamos a alma com medos e não entendemos doença. Ao amor fecho os olhos mas cego é o coração. Somos donos de casa vistosa numa rua sem saída. Somos parte de um encontro que já aguarda a despedida. Versamos na boca a liberdade mas vivemos mesmo é no porão: um sufoco com porta que à parede leva e uma esperança com escada que ao teto chega. E quando soube o homem ser o seu porão apenas sonho ruim, gaiola virou ninho, corrente virou caminho, farpas e pedras, o seu jardim. Que por lá moravam três ventos, quatro lágrimas, duas promessas e um só pé-de-sol, que ao florescer de luz inundou riacho e arrastou para longe as tristezas, abrindo com força a janela da casa e o próprio peito, espantando as sombras que por lá dormiam presas.

(Releitura de um texto antigo meu de 2011)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Sobre a espera...

São 182 envelopes.
São 182 envelopes com o nome e endereço de cada um.

Os livros estão ganhando vida na gráfica e virão de uma só vez; única tiragem; filhos únicos.

Aqui, eu e Anna esperamos a chegada para deixá-los prontos para postagem. Com a dedicatória merecida. 
 
A previsão é que tanto cheguem quanto partam na semana mesma do dia 15/05. Ou antes.
Eu sei, eu sei. Eu estou tão ansioso quanto vocês. E impaciente.

Peço que aguardem um pouco mais. Um pouco mais, apenas.
Volto a dizer que a espera valerá a pena. 
E a ansiedade será superada pela boa literatura. É o que reza a lenda.

Uma vez mais agradeço a cada um que garantiu o seu e colaborou para o nascimento da obra nova. Por isso a pré venda, que se tornou a única venda.

Aos que guardam alguma dúvida, podem me chamar no e-mail: guglicardoso@gmail.com. 

Estou à disposição.

Guilherme Antunes.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O sonho de Anna...

Criou-se o sonho para haver manhãs. E ela despertou-me cheia de estranhezas. A palavra é por si só uma bruxaria. O nome pertencia a ela como um fruto. A partilhar comigo e para além de mim. O nome a ensinar-me o essencial sobre os pássaros. Criou-se o sonho para haver claridade. E ela despertou-me cheia de notícias. A palavra é por si só uma verdade. O nome pertencia a ela como uma semente. A partilhar comigo por amor. O nome a ensinar-me o essencial sobre a generosidade. Anna deu vida ao nome, ao livro, aos pássaros, ao amor. Através de suas noites para haver dia; para haver páginas; para haver verdade; para haver destino. E algum amor. A salvar-nos todos. Como proponho. Como convido.

Conto-lhes aqui o sonho de Anna.