segunda-feira, 3 de abril de 2017

Devoção...

éramos tão novos e já amávamos um amor antigo.

aqui,
peço que olhes o teu reflexo nos meus próprios olhos:
não há intimidade maior do que olharmos juntos para o que se ama.

na ausência tua,
os lugares todos te reconhecem
(e eu neles não me reconheço mais)

diga-me amor,
de que país se é quando se ama assim?

a palavra é impaciente quando não escutas,
o sossego é incompleto quando não estás
quando regressas
beijo-te dez segundos
e sou feliz para sempre

prometo amar-te até
a última folha do calendário,
e a primeira

prometo amar-te até 
o último limite,
e amar-te quando 
não houver nenhum limite mais

na aritmética exata dos desejos
a geometria perfeita do teu corpo no meu;
se te desenhasse seria um homem completo

trazes-me
a fome absoluta. o prazer absoluto.
a entrega à vida

debaixo de uma lua só nossa
tua silhueta brinca-me com as sombras
nas cores rubras do abajur do quarto

por debaixo desta luz
minha devoção:

Deus é uma bailaora.

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