quarta-feira, 8 de março de 2017

Uma falta de sentido...

A vida tornou-se um uníssono de pressas. Era importante que homens e mulheres imitassem a beleza para os encontros: belezas exageradas que não lhes pertenciam. Deviam assemelhar-se à alegria natural que carregavam para cada noite de festas. A ilusão do esquecimento a dar-lhes um pouco de sossego e fuga e sonho. Mas, era o dia seguinte quem lhes despertava. Era o espelho recente da memória quem mostrava suas sucessivas tolices. A vida tornou-se um uníssono de pressas que celebramos para convencer-nos de que celebramos. E era importante que homens e mulheres chegassem a lugar nenhum. Como um peito vazio; uma falta de sentido; uma saudade.

A saudade, por exemplo, era um lugar nenhum.

2 comentários:

Milene Cristina disse...

Envolvem-nos tantas coisas, soterrando-nos por vezes em vazios que inventamos.

ivani ramos disse...

Assim é o homem! Comumente, as cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza.

São belíssimos seus escritos e sou sensível a todos eles. Um grande abraço.