segunda-feira, 27 de março de 2017

Sem muito doer...

Quando deus se mostrava feio ou a vida zangada, procurava-me. A salvar-se na palavra. A apoiar-se na beira da culpa sem cair. Quando a angústia a condenava, procurava-me. A salvar-se na palavra e abrigar-se da maldade e dos próprios erros. Costurei palavras para dar-lhe tempo de tornar-se outra apenas por imaginar-se outra que pudesse se tornar. A verdade concede-nos uma viagem sem regressos. Quando deus se mostrava feio ou a vida zangada, a literatura servia a ela como um pequeno milagre de se repetir. Sem muito doer.

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