Caminhava na orla da praia e vi dois guardas abordarem o homem de rua que cansado das horas adormeceu num dos bancos da calçada.
Senhores! Pediu a lei, a moral, os bons costumes e os cidadãos todos de bem que acordassem aquele homem atrapalhando o passeio público.
- Acorde, senhor! Saia da sua liberdade de pássaro. Abandone a ilusão e volte à miséria. Retome suas desesperanças; reencontre seus vícios todos. Volte de sua fuga para fugir uma vez mais n´outro lugar. Afinal, precisamos manter a ordem e o senhor é um incômodo para todos nós.
Se ainda o acordassem para lhe dar as boas novas. Se ainda o acordassem a lhe permitir ser qualquer coisa de feliz.
Talvez, o único evangelho daquele homem fosse seu esquecimento. O jornal de empregos, um lençol contra os invernos. Seu mal foi fechar os olhos.
Estava desqualificado para sonhar.

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