sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Inexistências...


Sou melhor quando não estou. Sou um charmoso espelho sem reflexos, uma divertida festa sem convidados. Pois as inexistências me completam e os acasos me apontam a direção. Sou um bom livro esquecido; uma coleção de memórias a não significar um inteiro, um recorte de ausências, uma história sem identidades. Vai ver o meu passado seja uma gaveta sem utilidade, empoeirada, e mais uma coleção de papéis, erros e decepções que não revelam nada sobre o amanhã. Sou um porém e uma breve esperança, e que não me leva a lugar nenhum. Porque o que me move nesta vida é a angústia de não saber o que fazer parado. A minha busca é também o meu incômodo por não se contentar; pois o que me empurra não é o que me falta, mas sim o que me sobra.

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