terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Vésperas...

E foi então que ele a notou e depois que a viu passou ali nada mais notar. Entre todas se destoava. Entre tudo se sobressaía. Teria a sorte lhe aprontado assim, tanto? Sem ensaio, sem dar aviso algum da sua visita? Ela estava ali, para ele e, delicada, veio com um sorriso de salvar-nos da tristeza, com perfume de levar-nos aos mais distantes paraísos. Arrebatado, lia todos seus movimentos em tons de encanto e mais fácil se apaixonava. Pensou no que dizer, mas não disse nada. Aliás, disse, ao respondê-la sem prestar atenção nas palavras e na pergunta solicita dela. Sem perceber que hoje e tão somente hoje ela atenderia a todos os seus pedidos. Ignorou saber pelo turvo fascínio exercido que aqueles vivos olhos castanhos a decifrar suas vontades e sua doce gentileza eram apenas truques para conseguir o seu intento. Vender. Ela era definitivamente o seu número. O da sua camisa. E assim se enganou.

Às vésperas do Natal, voltaria para trocar.

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