quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Tripas...

Disse que aprenderia sobre o amor à força de o observar. Pesquisaria-o como um animal de tripas à mostra. Haveria de o ressuscitar para si. Talvez espere que se acalme o tempo para deitar os olhos sobre o próprio peito despercebido. Cansada de rejeitar o mundo pela anulação, queria o mesmo, mas por conta das felicidades. De boca cheia de silêncios, era mais triste do que nós. Isto por conta da memória que a assombrava como uma velha morta. À espera do significado de não se despedir, andava a corrigir a proposta das lembranças só quando dormia. Desejava ela ter pássaro no lugar das tristezas, para que voasse com a urgência grande de esquecer assuntos. Aprenderia sobre o amor à força de o observar. Como nunca fez: ao fechar os olhos e enxergar a casa excêntrica da sua própria alma. Haveria de a ressuscitar para si.

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