partilha das minhas raízes com os lobos
arranca-me os trevos e toda a sorte
escava meu lugar na terra
devora-me, antes, as partes na tinta negra das noites
enamora dos meus cansaços
humilha-me com tuas ásperas palavras
engana-me com teus úmidos olhos
crava-me as feridas e a dependência
decreta-me a falência dos órgãos e da lucidez
diz-me burro, pouco, insuficiente
sacrifica-me aos teus deuses, pobres diabos e egoísmos
desfaz-me de mim a cada escárnio
despeça-se e deixa-me sozinho junto às sarjetas
só conserva a tua própria vida
para que por ela eu me torne outro
e sendo outro, amanhã
eu jamais te reconheça.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
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