sábado, 15 de outubro de 2016

Dique...

Diante do próprio amadurecimento, buscamos fazer o que é melhor - ainda que nitidamente não seja. Tornamo-nos inconscientes por liberalidade, quando queremos certezas que a vida e o outro não poderão nos dar. Queremos garantias de que seremos amados amanhã, de que não seremos deixados antes do café, de que as coisas estarão como gostaríamos que estivessem. Fazemos escolhas cruéis sem nos darmos conta, ajustando-nos à rotina e ao morno, à mágoa e ao mesmo. Ignoramos verdades que mudam conforme o tempo e os sentimentos. Queremos engessar promessas, laços e permanências. Queremos o que não nos é possível. Assim, permitimo-nos aceitar o que antes jamais aceitaríamos, em nome da convivência e de uma falsa sensação de segurança. Assim, doemos em silêncio porque garantimos o jantar a dois. Assim, doemos em silêncio para evitarmos dores maiores no palco que ainda nos aguarda. Adiamos tragédias porque acreditamos que hoje não é o dia para se estourar o dique.

Apenas adiamos.

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