domingo, 17 de julho de 2016

Meu próprio farol...

Hoje, quero ser o meu melhor encontro de amor, deitado no meu abraço mais gostoso a envolver-me macio como cetim e enfeitar de sereno e cuidados minha própria alma. Porque algo aqui dentro me convida a despedir tristezas como quem lava as mãos no rio do tempo, cantarolando baixinho música a lembrar-me da infância. Hoje, namoro silêncios para com carinho consertar meu vaso rachado de esperanças e acreditar mais em mim. É hora de vestir levezas, convidar a vida para dançar ciranda e me crer amada pelos amanhãs. Algo nesta noite tece mistérios que descortinam a alma feito mágica, a me trazer sensação de surpresa boa como a delícia de um sorriso de criança que se encantou com o truque de tirar o melhor suspiro da cartola. Hoje é dia de espalhar sementes sem precisar sair do lugar. De plantar um pé-de-sol dentro do peito e respirar macio. Hoje é dia de saber o tamanho das próprias asas. É dia de adormecer os medos e desempoeirar verdades, exercitando coragens para desatar nós em laços que não mais enfeitam e dissolver mágoas no perdão de si. Sou, antes, ser inacabado que existe sendo, frase de inspirações passadas a viver um presente sem rosto, mas que quer sorrir. Para além das marés que sinto entre as noites e tempestades eu sou o meu próprio farol. Sou antes de ser flor, primavera. Antes do amanhecer, meu próprio sol. Sou a promessa da semente e preciso pertencer-me toda e inteira antes, para poder saber-me depois. Sou a lenta despedida do que não me pertence mais. 

Eu sou um delicioso plural de mim.
 
(Guilherme Antunes & Li Vereza)

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