segunda-feira, 4 de julho de 2016

Das fidelidades...

Ao navegarmos no rio do tempo, ganhamos velocidades que não mais respeitam nossos olhos que ainda buscam acompanhar os detalhes do percurso; não nos sobrou idade e dia na agenda para isto. Quando jovens queríamos alcançar nossos objetivos, e agora nos perguntamos o que alcançamos com eles. Quantos de nós não se perderam do caminho de sermos aquilo que não somos? O que diria hoje nossa infância sobre nós? Continuamos fiéis aos sonhos de antes? Penso ser esta a mais bonita fidelidade a que nos devemos. Não estamos sozinhos na viagem: sofremos das mesmas faltas pela ideia de que éramos sempre mais felizes no passado. A vida se consome quando nos permitimos entrar neste carrossel ao mesmo tempo que da própria vida nos afastamos. Deixamos que a saudade e a tristeza sejam nossas companheiras. Você não é o único e não sei se isto te conforta. Sinto as mesmas contrações na alma que você e agora que tenho mais do que antes, sinto-me como nunca a colecionar vazios. Talvez seja esta toda a nossa miséria: a angústia de que nos falam os livros e o peito. Quem sabe aí esteja a necessidade da busca e da religação, seja através do mergulho ou do salto no interior para o encontro consigo ou com algum deus - quem sabe? Mas, quem tem tempo de encontrar seu deus para além das imediatas aflições, urgentes pedidos e minutos antes do sono? Porque estamos todos ocupados em cumprir o cotidiano. Afinal, somos pessoas tanto responsáveis quanto ansiosas e não temos tempo para nada disto.

Um comentário:

Poeta da Colina disse...

Conforta saber, muito.