quinta-feira, 9 de junho de 2016

Testemunha...

Aos teus olhos gastos pela tristeza, refaço-os na poesia que cultivo somente a ti. Às tuas mãos castigadas pelo tempo, empresto-lhe as minhas, a levar-te a qualquer descanso. Aos teus lábios com gosto amargo, ponho-te flores à boca, lembrando-te de que o teu nome é um dia bonito. Assim, falo sobre esperanças; deito-te no colo da noite; amanheço-te com os teus sonhos. Anuncio as primaveras. Costuro o teu próprio amor para que o vistas e, traço o meu viver para tocar na tua vida. Anuncio-te aos amanhãs, este espetáculo de cores novas em que será o mundo quando tu novamente tornar-te o poema, e estiveres outra vez a florescer. 

Serei eu, então, amante e testemunha dos teus milagres.

(Guilherme Antunes & Patrícia Pinheiro)

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