segunda-feira, 20 de junho de 2016

Piegas...

Se um dia você receber uma carta, longa, linda e passional, com repetidas declarações coloridinhas, alcançando voltas no teu quarteirão, serei eu, diante de ti com sabor cafona de paixão adolescente. Se por um acaso você ouvir pela tua janela um burburinho, abra-a, pois lá estarei eu, fazendo serenata no sereno da noite, declamando versos, cantando liras e ganhando gripe sem me preocupar. Por favor, não me repreenda! Deixe-me ser o que no amor ainda não fui. Se por um acaso você olhar para o alto e me encontrar, ali estarei eu, aprendendo a pilotar avião só para jogar lá do alto pétalas de rosas dinamarquesas que colhi para ti. Mas não fique brava comigo, não! Além da minha reação alérgica, deixe-me voar no teu amor, seja nas asas da metáfora ou num teco-teco bem velhinho. Se um dia andando na pracinha você encontrar escultura sua feita de palitinho de sorvete, serei eu, aprendendo por ti nobres ofícios e me tornando amigo do sorveteiro. Não fique chateada comigo! Diga no máximo que sorvete demais faz mal pra minha garganta. Permita-me ser clichê, lugar-comum, piegas, batido, romântico açucarado, bobo e feliz! Deixe-me ser no teu amor aquilo que sonhei quando acordasse. Deixe-me ser aquilo que ainda serei quando no teu amor crescer.

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