Se
um dia você receber uma carta, longa, linda e passional, com repetidas
declarações coloridinhas, alcançando voltas no teu quarteirão, serei eu,
diante de ti com sabor cafona de paixão adolescente. Se por um acaso
você ouvir pela tua janela um burburinho, abra-a, pois lá estarei eu,
fazendo serenata no sereno da noite, declamando versos, cantando liras e ganhando gripe sem me preocupar. Por favor, não me repreenda! Deixe-me ser o que no amor
ainda não fui. Se por um acaso você olhar para o alto e me encontrar,
ali estarei eu, aprendendo a pilotar avião só para jogar lá do alto
pétalas de rosas dinamarquesas que colhi para ti. Mas não fique brava comigo, não! Além da minha reação alérgica, deixe-me voar no teu amor,
seja nas asas da metáfora ou num teco-teco bem velhinho. Se um dia
andando na pracinha você encontrar escultura sua feita de palitinho de
sorvete, serei eu, aprendendo por ti nobres ofícios e me tornando amigo
do sorveteiro. Não fique chateada comigo! Diga no máximo que sorvete
demais faz mal pra minha garganta. Permita-me ser clichê, lugar-comum,
piegas, batido, romântico açucarado, bobo e feliz! Deixe-me ser no teu amor aquilo que sonhei quando acordasse. Deixe-me ser aquilo que ainda serei quando no teu amor crescer.
segunda-feira, 20 de junho de 2016
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